Humberto Delgado o general sem medo e as eleições de 1958

Era filho de Joaquim da Silva Delgado, primeiro sargento de Artilharia 3, e de Maria do Ó Pereira Delgado, ambos naturais de Brogueira.  Tinha uma irmã, Deolinda Pereira da Silva Delgado.

Entre 1916 e frequentou o Colegio Militar e entre 1922 e 1925, frequentou o curso de Artilharia na Escola do Exercito incluindo, em 1925, uma passagem pela Escola Pratica de Artilharia em Vendas Novas.

O periodo fascista de Humberto Delgado

  ofereceu resistência a uma revolta de sargentos e, em consequência disso, foi alvejado. Ingressou, em 1926, no curso de observador aeronáutico e, no ano seguinte, no de piloto aviador militar, na Escola de Aviação Militar de Sintra

Foi ativo  no golpe proto fascista de 28.05.26 que implantou a ditadura militar antecessora do fascismo salazarento

Durante os anos 1930, foi propagandista do regime salazarista, identificando-se com a sua vertente nacionalista e com o seu anticomunismo

Dinâmico, e agressivo, Delgado destacou-se pela sua oposição à democracia parlamentar nos primeiros anos do regime, escrevendo um livro polémico, Da Pulhice do Homo Sapiens (1933, Casa Ventura Fernandes), onde ataca violentamente tanto os monárquicos como os republicanos, e onde manifesta a sua simpatia por Salazar e a sua obra.

Nos anos 1930, Humberto Delgado mostrou  significativa proximidade aos regimes fascistas de  Espanha, da Itália e da Alemanha, ao ponto de elogiar as figuras de Franco Hitler e Mussolini

 

A democratizaçao de Humberto Delgado

 

O  ano de 1940 é um momento de viragem.

Escreve, nesse ano, a peça radiofónica "A Marcha para as Índias", uma crítica à expulsão dos judeus de Portugal e a sua família acolhe uma jovem refugiada judia belga, Mélita Gretzer.

Mas em  1941, Humberto Delgado assumiu ainda  a sua simpatia por Hitler tendo publicado dois artigos na Revista Ar, em que teceu os seguintes elogios ao líder Nazi: “O ex-cabo, ex-pintor, o homem que não nasceu em leito de renda amolecedor, passará à História como uma revelação genial das possibilidades humanas no campo político, diplomático, social, civil e militar, quando à vontade de um ideal se junta a audácia, a valentia, a virilidade numa palavra”.

Mas no  decorrer da  II guerra mundial começa a simpatizar com os Aliados e representou Portugal nos acordos secretos com o governo Ingles sobre as Bases Aliadas nos Açores

Em 1944 foi nomeado Diretor do Secretariado Nacional da Aeronáutica Civil e fundou a TAP em 1945 e concretiza no ano seguinte, a Linha Aérea Imperial, de Lisboa a Lourenço Marques (Maputo).

Entre 1947 e 1950 representou Portugal na Organização da Aviação Civil Internacionsl

Foi Procurador à Camara Corporativa ( V legislatira) entre 1951 e 1952, tendo contribuído para a criação da Força Aérea Portuguesa.

Em 1952 foi nomeado adido militar e aeronáutico na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos Representantes Militares da NATO

Promovido a general com a realização do curso de altos comandos, onde obteve a classificação máxima, passa a Chefe da Missão Militar portuguesa em Washington D.C.

Regressando a Portugal em 1957, foi nomeado Diretor-Geral da Aeronáutica Civil, cargo equivalente ao que já desempenhara na década de 1940 enquanto diretor do Secretariado da Aeronáutica Civil.

Entretanto os cinco anos que viveu nos EUA consolidaram a sua crescente insatisfação e dissensão em relação ao regime de Salazar e a forma de encarar a política portuguesa.

Convidado entao por opositores ao regime de Salazar como Antonio Sergio para se candidatar à Presidência da República, em 1958, contra o candidato do regime fascista Americo Tomás aceita, reunindo em torno de si toda a oposição ao Estado Novo.

Numa conferência de imprensa da campanha eleitoral, realizada em 10 de maio de 1958 no café Chave de Ouro, no Rossio em Lisboa  quando lhe foi perguntado pelo jornalista Lindorfe Pinto Basto (representante da France Press em Lisboa), que postura tomaria em relação a Salazar respondeu com a famosa frase "Obviamente, demito-o!".

Esta frase incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista tornando a sua campanha num momento triunfal anti salazarista como  a entusiástica receção popular na praça Carlos Alberto Porto a 14 de maio de 1958.

As eleições de 1958 que deveriam ter demitido o salazarento

A campanha eleitoral de 1958, para as presidenciais portuguesas realizadas a 8 de junho de 1958, foi determinante e abalou o regime do Estado Novo liderado pelo salazarento.

A disputa colocou frente a frente o candidato do regime, o Almirante Américo Thomaz, e o candidato da oposição, o General Humberto Delgado.

E Humberto Delgado que vem do fascismo e depois da “democracia estadunidense” ( e antes do acordo com o PCP este chamava o general sem medo de general cocacola!) candidato presidencial incentivado por Antonio Sergio e tambem Artur Oliveira Valença ( meu tio avô!) e que fez um acordo com o candidato do PCP Arlindo Vicente que desiste da candidatura para apoiar Humberto Delgado

A 10 de maio de 1958, numa conferência de imprensa no Café Chave d'Ouro em Lisboa, Humberto Delgado respondeu à pergunta de um jornalista sobre o que faria a Salazar caso fosse eleito Presidente e a resposta foi  uma bomba e galvanizou a oposição quando respondeu obviamente demito-o

Humberto Delgado, ficou conhecido por ter adotado estratégias de comunicação modernas e carismáticas, mobilizando multidões entusiastas nas ruas, assumindo uma coragem que fez dele o “general sem medo”

Na Campanha do Norte comícios massivos em cidades como o Porto atraíram dezenas de milhares de pessoas que levou  o regime a proibir a publicação de fotografias desses comícios e e impôs confrontos violentos entre manifestantes e a polícia.

O Desfecho e Impacto

As eleições foram alvo  de  forte fraude eleitoral que permitiu ao regime declarar a vitória de Américo Tomás

O ato eleitoral ocorreu a 8 de junho de 1958 e apesar do esmagador apoio popular que recebeu durante a campanha, Humberto Delgado oficialmente perdeu as eleições com 23% dos votos, enquanto o impopular e apagado candidato de Salazar, Américo Tomás, foi eleito com 76,4% dos votos, o que imediatamente levantou a suspeita de uma generalizada fraude eleitoral, perpetrada pela PIDE e outras forças do regime. Em algumas localidades, como, por exemplo, a freguesia de Brasfemes  no concelho de Coimbra, durante o ato eleitoral os populares rebelaram-se contra a proibição da presença de elementos da oposição na contagem dos votos e os resultados deram uma vitória esmagadora a Humberto Delgado.

Em 1959, após a derrota eleitoral, as  represálias do regime salazarista e alvo de ameaças por parte da pide pediu asilo político na Embaixada do Brasil

período em que decorreu, sob a sua liderança, a malograda Revolta da Sé.

Humberto Delgado seguiu depois para o exilio nesse país, onde chegou em 21 de abril de 1959

Durante o período do seu exílio no Brasil, deu-se o assalto ao paquete Santa Maria liderado pelo capitão Henrique Galvao levado a cabo em nome de Humberto Delgado, e do DRIL que co-liderava com dissidentes espanhóis, principalmente galegos

Promoveu a Revolta de Beja concretizada na passagem de ano de 1961 para 1962 e que visava tomar o quartel de Beja que fracassou, com  o seu comandante militar Varela Gomes sido alvejado

Em Roma em 1962, Humberto Delgado funda a FPLN frente patriotica dd libertaçao nacional  com outros oposicionistas numa tentativa de unificar a oposição ao Estado Novo. O segundo congresso realiza-se em Praga em 1963 juntando o PCP a Resistência Republicana Socialista o Movimento de Açao Revolucionária

Com crescentes dificuldades no Brasil após a sua entrada clandestina em Portugal durante a Revolta de Beja, Humberto Delgado acabaria por se mudar para a Argélia em finais de 1963, a convite do Presidente Bem Bella

Junta-se assim à delegação da FPLN já em Argel

No Outono de 1964, o terceiro congresso da FPLN acentua as divergências internas até à cisão

Surge a Frente Portuguesa de Libertação Nacionsl liderada por Humberto Delgado, com Emídio Guerreiro, entre outros, que defendiam uma maior urgência na luta armada contra o Estado Novo.

Pensando vir reunir-se com opositores ao regime do Estado Novo - tendo Ernesto Lopes Ramos, feito passar-se por um fictício Dr. Castro Sousa, advogado supostamente ligado à oposição ao Estado Novo -, Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos, dirigiram-se a Badajoz e num ermo em Los Almerines, perto de sao rafarel dd olivemçs

Ao seu encontro, liderada pelo inspector Rosa Casaco estzva foi uma brigada da pide constituída pelo sub-inspector Ernesto Lopes Ramos, e pelos chefes de brigada casimiro monteiro  e Agostinho Tienza em dois automóveis. Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos seriam então mortos pelos agentes da PIDE

https://youtu.be/DOmRtLhBkig?si=s32WZZbK3U4mnzwE