A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vai solicitar uma reunião urgente ao Governo para discutir medidas concretas de combate à violência no desporto, na sequência dos incidentes registados antes do encontro de futsal entre Sporting e Benfica.
A decisão foi tomada após uma reunião da Direção da FPF, realizada em Leiria, onde foi manifestada uma “preocupação crescente” com o aumento de episódios de intolerância e violência dentro e fora dos recintos desportivos.
O organismo presidido por Pedro Proença considera prioritária a revisão da Lei do Combate à Violência no Desporto, defendendo igualmente o agravamento das sanções aplicáveis a comportamentos violentos, independentemente do escalão competitivo — do futebol distrital ao profissional. A audiência com o Governo deverá ocorrer assim que for conhecido o novo titular da pasta responsável pelo desporto.
124 detenções antes do dérbi de futsal
Os incidentes ocorreram na quinta-feira, nas imediações do Estádio José Alvalade e do Pavilhão João Rocha, em Lisboa, antes do jogo da 16.ª jornada da Liga de futsal, que terminou empatado 2-2. A Polícia de Segurança Pública (PSP) efetuou 124 detenções, num dos maiores dispositivos policiais associados a um jogo da modalidade.
Segundo informações oficiais, os suspeitos foram libertados durante a noite, após serem constituídos arguidos e sujeitos a Termo de Identidade e Residência (TIR), dado que os crimes em causa apresentam moldura penal inferior a quatro anos. Durante o período de detenção provisória, as autoridades separaram os grupos: adeptos do Sporting permaneceram nas celas junto ao Estádio de Alvalade, enquanto os do Benfica foram encaminhados para as instalações da PSP no Estádio da Luz.
Na sexta-feira, os 63 adeptos do Benfica começaram a ser ouvidos em tribunal, estando a audição dos 61 detidos afetos ao Sporting agendada para segunda-feira.
Inquérito aberto e apelo à responsabilidade coletiva
Perante a gravidade dos acontecimentos, a FPF instaurou um inquérito para apurar responsabilidades. A Direção da Federação sublinhou que o combate à violência é uma prioridade da qual não abdica, defendendo que a responsabilidade deve ser partilhada por todos os intervenientes do setor desportivo.
A Federação alerta para o impacto negativo destes episódios na imagem do futebol português e na segurança de adeptos, atletas e famílias. O objetivo, segundo o organismo, passa por reforçar a segurança, promover o fair play e garantir que os recintos desportivos continuem a ser espaços de convivência e respeito.
A reunião solicitada ao Governo poderá marcar um novo momento na abordagem legislativa e preventiva à violência associada ao desporto, num contexto em que os episódios recentes reacendem o debate sobre a eficácia das medidas atualmente em vigor.