Investigadores  confirmam a deslocação para norte da cobertura da floresta boreal

Especialistas de universidades e centros de investigação dos Estados Unidos, China e Portugal confirmaram que a cobertura da floresta boreal expandiu-se 12%, deslocando-se 0,29 graus de latitude média para norte entre 1985 e 2020. 

Num artigo publicado no 'site' da European Geosciences Union (EGU), a principal organização na Europa dedicada à investigação em ciências da Terra, planetárias e espaciais, um grupo de cientistas constatou uma expansão florestal de magnitude inesperada.

A equipa de investigação, liderada por dois cientistas da empresa estadunidense terraPulse, dedicada à análise de dados de satélite de interesse ambiental e agroflorestal, estudou a evolução da floresta boreal, que se estende pela América do Norte, Rússia e Europa e que nas últimas décadas sofreu o aquecimento mais rápido de todos os biomas florestais.

Apresentaram uma avaliação abrangente da magnitude e da direção das alterações na floresta boreal durante este período, observadas através de registos históricos de satélite da cobertura arbórea calibrados para o bioma boreal.

Ao longo do último século, a região boreal sofreu o aquecimento climático mais rápido de qualquer bioma florestal, com um aumento de mais de 1,4 °C na temperatura média anual à superfície.

Entre as suas descobertas, os cientistas observaram que, durante este período de 35 anos, a cobertura arbórea boreal expandiu-se em 840.000 quilómetros quadrados, representando um aumento relativo de 12% desde 1985, e deslocou-se para norte numa média de 0,29 graus de latitude média e uma mediana de 0,43 graus.

A distribuição etária das florestas revelou que os povoamentos jovens (com até 36 anos) constituem agora 15,4% da área florestal e armazenam entre 1,1 e 5,9 Pg (petagramas) de carbono na biomassa acima do solo, com potencial para capturar mais 2,3 a 3,8 Pg de carbono se tiverem a oportunidade de amadurecer.

Estas descobertas confirmaram a expansão da floresta boreal para norte e realçam a importância futura da reflorestação da região para o equilíbrio global de carbono.

De acordo com o artigo, o bioma boreal é a maior e mais ecologicamente intacta floresta da Terra, compreendendo um terço da área florestal total do mundo e representando 20,8% do sumidouro global de carbono florestal.

A cobertura arbórea boreal controla também o balanço refletor e térmico da radiação solar nas altas latitudes do Hemisfério Norte e constitui um mecanismo de feedback positivo para o aquecimento atmosférico provocado pelos gases com efeito de estufa.

Os modelos acoplados de clima e vegetação preveem uma migração líquida da vegetação boreal para norte devido ao aquecimento, corroborando a predominância dos processos de crescimento.

A dinâmica da floresta boreal está altamente correlacionada com o clima, segundo o estudo, e foram observados aumentos na produtividade da vegetação nas altas latitudes do norte.

No entanto, foram detetados aumentos regionais na frequência e severidade de eventos de derrube induzidos pelo vento, incêndios, insetos e doenças.