É com bastante preocupação que vemos  esta ascensão do fascismo num dos países mais liberais da Europa.

O PVV, foi o mais votado nas eleições legislativas nacionais e conquistará 37 lugares no parlamento, o que significa mais que o dobro da presença anterior com grande vantagem em relação à aliança de esquerda e ao bloco de centro-direita, que devem ter 25 e 24 assentos, respectivamente.

O resultado vai ter reflexos em toda a UE, que aguarda a formação do novo governo para medir os impactos da votação parabalém das fronteiras holandesas, e na vida dos migrantes.

Após 25 anos de no Parlamento, o fascismo ganha agora o direito de governar neste de tradição liberal país. “O PVV não pode mais ser ignorado”, disse o líder do partido, Geert Wilders, após a votação. “Nós governaremos”.

Mas para fazê-lo, ele precisa negociar com outros partidos uma coligação que tenha maioria parlamentar, ou seja, 76 de 150 assentos.

Líderes dos três principais partidos declararam que não formariam parte de uma coalizão com o PVV, mas o Novo Contrato Social, legenda que deve obter 20 assentos, sinalizou estar “disponível”, mas seu líder, Pieter Omtzigt, antecipou que a negociação “não será fácil”, e mesmo assim fica sem maioria!

O PVV, conhecido por posições anti-Islã e anti-União Europeia, fez a campanha centrado na anti-imigração. “Os holandeses esperam recuperar seu país e garantir que o tsunami de solicitantes de asilo e imigração se reduza”, afirmou Wilders, que critica o que chama de “invasão islâmica” no Ocidente.

O líder já propôs a detenção e deportação de imigrantes ilegais e a devolução de solicitantes de asilo oriundos da Síria, além da censura ao Alcorão e de cobrar impostos sobre os véus que mulheres muçulmanas usam para cobrir a cabeça.

A justiça já o considerou culpado de insultar marroquinos, aos quais chamou de “escória”, e recebeu ameaças de morte, pelas quais vive sob proteção policial desde 2004.

Mas durante a campanha, tentou suavizar sua imagem para cativar parcela maior do eleitorado e declarou que seria um primeiro-ministro “para todos”.

No fragmentado cenário político holandês, a formação do novo governo poderá levar meses e recorde-se que a formação do último governo, implicaram nove meses de negociações ( MRSousa teria feito 3 antecipadas…)

O PVV segue uma linha de política externa de “Holanda em primeiro lugar” e não gosta da integração europeia. “A Holanda será mais dura e mais conservadora na Europa, inclusive em matéria de orçamentos e migração”, disse Simon Otjes, professor assistente de política holandesa na Universidade de Leiden, em entrevista ao The New York Times.

No programa do partido, figura um referendo sobre o “Nexit”, a saída da Holanda (Netherlands, em inglês) da União Europeia, na linha do Brexit, que foi aprovando em plebiscito pela população britânica.

Nardia M.

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