Os aeroportos europeus estão em alerta perante o impacto crescente da escassez de combustível de aviação, uma situação que ameaça comprometer seriamente a próxima temporada de verão.

O aviso já foi transmitido às instituições europeias, com o risco de perturbações significativas no transporte de turistas caso o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz não seja restabelecido nas próximas semanas.

O Conselho Internacional de Aeroportos (ACI Europe) terá dirigido uma comunicação formal ao comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, alertando que a União Europeia poderá enfrentar uma escassez crítica de combustível dentro de um horizonte de três semanas.

A informação, inicialmente divulgada pelo Financial Times, intensifica as preocupações quanto à possibilidade de cancelamentos de voos e disrupções nas viagens, sobretudo num contexto de escalada do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.

No centro desta crise está o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. O seu bloqueio, em resposta às tensões geopolíticas, provocou uma forte contração na oferta global e desencadeou uma corrida internacional ao abastecimento.

Segundo a mesma comunicação citada pelo Financial Times, caso a circulação nesta rota não seja retomada de forma estável e significativa no prazo de três semanas, “a escassez sistémica de combustível de aviação tornar-se-á uma realidade para a União Europeia”.

Os efeitos já são visíveis nos mercados. Desde o final de fevereiro, os preços do combustível de aviação dispararam, acompanhando o agravamento do conflito. Dados da IATA indicam que os preços globais mais do que duplicaram face ao ano anterior, atingindo cerca de 1.650 dólares por tonelada.

A Ásia surge como a região mais afetada, com aumentos na ordem dos 163%, enquanto na Europa os preços registam uma subida de 138%. Este cenário reflete uma pressão crescente sobre toda a cadeia do transporte aéreo, numa altura em que a procura turística se prepara para atingir o seu pico anual.

A persistência desta instabilidade poderá não só afetar o setor da aviação, mas também ter repercussões económicas mais amplas, colocando em causa a mobilidade, o turismo e a recuperação de várias economias europeias.