Da Fundação de um pequeno reino - Portugal (1) 

Logo com o rei fundador Afonso Henriques  este minúsculo reino aumentado pela violencia de dois tipos de Expansao ( a militar continental e a militar marítima e em ambas com forte pendor cristão), surgiram problemas na definição  do líder. 

No lendario luso Afonso Henriques nasceu cerca 1109 com as pernas atrofiadas, gerando dúvidas sobre a sua legitimidade.

com alguns a crer que teria sido trocado e a lenda relata  que ele foi curado milagrosamente, tornando-se um guerreiro forte, muito parecido com seu pai, o Conde Henrique. 

Descrevamos o milagre.

Ora vivia na corte um fidalgo, Egas Moniz de seu nome, pertencente à nobre família de Ribadouro. Homem de toda a confiança, solicitou aos seus amos que lhe permitissem a honra de ser aio do futuro governante. E assim se fez quando nasceu Afonso Henriques que veio a ser o único descendente masculino sobrevivente de Henrique e Teresa.

Pobre Afonso! Dizem alguns que terá nascido fraco, com as perninhas tortas – as más línguas diziam até que era corcundinha. Temeu-se pela sua vida.

Era este bebé o futuro Conde, o futuro chefe militar? Que futuro para o Condado! Que grande tristeza!
Egas Moniz era profundamente dedicado ao pequeno. Foi seu tutor, amigo, mestre d’armas… O bem estar do amo era a sua preocupação maior. Devoto da Virgem Maria, rezava-lhe amiúde, pedindo pela saúde da criança que tanto amava.

Teria Afonso uns 5 anos de idade, quando sonhou Egas com Nossa Senhora. Esta ordena-lhe:

-Vai, Egas Moniz! Leva Afonso à minha igrejinha de Cárquere (Resende) e aí será curado!

Egas pôs-se a caminho com o jovem infante, cheio de esperança.

Colocado o pequeno no altar, terá então procurado uma imagem escondida da Virgem, acendido 2 velas e esperado, murmurando as suas preces.

O tempo, nesse tempo sem relógios, passa. Egas adormece, cansado.

Uma das velas cai. Assustado, o infante levanta-se com esforço, evitando as chamas e a queimadura certa. Curado sim, com a ajuda da Nossa Senhora.

E regressam à corte, aio e amo.

O povo rejubilou!!!! O Conde D. Henrique, agradecido pela graça concedida, manda construir, junto à igreja, o Mosteiro de Santa Maria de Cárquere.

Egas Moniz foi obreiro do milagre. Mas será que foi mais do que isso?

É que se conta, no rol de histórias que passam, que o infante, frágil e enfezado, não terá resistido à primeira infância, deixando o domínio sem herdeiros masculinos… E que Egas Moniz, combinado ou não com o Conde D. Henrique, terá trocado a criança morta por um dos seus próprios filhos, assegurando assim a continuação do Condado Portucalense…

Quem sabe?

Sabe-se que “Afonso” cresceu e se fez homem. Alto e forte, segundo estudos feito no seu túmulo, dizia-se a que a sua espada era pesadíssima e que nenhum outro poderia manejá-la.

E não queria ser Conde! Queria ser Rei! E, para tal, combateu os do seu próprio sangue (?), com Egas Moniz sempre a seu lado.

Conforme se diz noutro relato, no auge da guerra pela independência de Portugal, Egas Moniz faz uma promessa de cavaleiro ao rei de Castela e Leão, Afonso VII, em nome de Afonso.

Afonso não cumpre! Então Egas Moniz e a família viajam a Toledo, apresentando-se ao Rei de Castela e Leão, todos de corda ao pescoço, oferecendo a vida.

Afonso VII, condoído, perdoa… E os Moniz voltam para Portugal. Para seu rei…ou seu parente chegado?
Ao falecer Egas, foi sepultado junto ao seu Paço de Sousa, Penafiel. Posteriormente, foi transladado para o interior do Mosteiro. É então que, para espanto de todos, se viu serem os ossos das suas pernas extremamente longos, transformando-o aos olhos das gentes num homem descomunal, um verdadeiro gigante para a época.

Aio ou pai do primeiro Rei de Portugal, Egas Moniz foi, sem dúvida, um homem lendário!

(https://portugaldelesales.pt/lenda-santa-maria-carquere-resende/amp/ )

Este rei guerreiro em 1169, no cerco de Badajoz, tinha ele cerca de 60 anos, sofreu uma séria lesão numa perna, possivelmente uma fratura do fémur.

Nunca se recuperou completamente, afastando-se  gradualmente dos assuntos mais ativos da governação, embora continuasse a participar na gestão e na concessão de forais. 

Afonso Henriques tornou-se rei através de uma série de conquistas militares, alianças políticas bem refletidas e a  sua  ambição pela independência, culminando na sua proclamação como rei após a vitória em Ourique (1139) e o reconhecimento formal pelo seu primo, o rei de Leão, no Tratado de Zamora (1143), com a chancela papal em 1179.

Ascendeu recorde-se ao poder depois de  vencer a sua mãe, D. Teresa, na Batalha de São Mamede (1128), ( talvez nao mae) assumindo na altura o Condado Portucalense. 

A 28 de Maio de 1179, teria Afonso Henriques a provectissima ( à epoca entao !) idade de 70 anos. o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, conferiu a D. Afonso Henriques o direito de conquistar terras aos mouros, referindo-se, neste documento, pela primeira vez, a D. Afonso Henriques como “Rex”.

“Alexandre, Bispo, servo dos servos de Deus, ao caríssimo filho em Cristo, Afonso, rei ilustre dos Portugueses e aos seus herdeiros. (…) Nós, reconhecendo a tua pessoa (…) com todas as honras e dignidades próprias dos reis, concedendo-te por virtude da autoridade apostólica, e confirmando-te na posse de todos os lugares que, com o auxílio da divina graça, conseguires arrancar das mãos dos Sarracenos, sem que os príncipes cristãos teus vizinhos possam alegar sobre eles qualquer pretensões.” (Condensado da História de Portugal de A.H. Oliveira Marques)

D. Afonso Henriques confirma o foral concedido por seu pai a Guimarães onde amplia as garantias e isenções concedidas aos moradores de Guimarães e a quantos aí se viessem fixar. Neste documento, é explícita a gratidão de D. Afonso Henriques àqueles que durante do cerco ao castelo comandado por Afonso VII, arriscando tudo, se colocaram, ao seu lado.

D. Afonso Henriques teve uma vida longa. Morre em 1185, com cerca  de setenta e seis anos de idade, e os seus restos mortais repousam em Coimbra, na Igreja de Santa Cruz.

Uma nota sobre o campo feminino da corte quando em 1146, Dom Afonso I se casa com D. Mafalda de Saboia, também conhecida por Matilde, condessa de Saboia e Maurienne, filha do conde Amadeu III de Saboia e de D. Mafalda de Albón.

Na data, tinha 21 anos e o rei 37.

Mafalda teve que lidar com as constantes ausências e infidelidades do marido que a leva a centrar-se  na caridade e à devoção, fundanfo o Mosteiro da Costa, em Guimarães, e várias outras igrejas.

Foi ela que deu ordem à criação do serviço de barcos no rio Douro e à construção de duas pontes, uma no Douro e outra no Tâmega.

Em 12 anos de casamento, teve sete filhos, com partos difíceis. Teria falecido do parto da filha Sancha, em 4 de novembro de 1157. Foi sepultada no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra.

  1. D. Henrique (1147-1155), que morreu com oito anos
  2. D. Urraca (1148-1211), que se casou com o rei Fernando II de Leão,
  3. D. Teresa (1151-1218), que se casou com Filipe I, conde de Flandres, e que viria a casar-se novamente com Eudes III, duque de Borgonha,
  4. D. Mafalda (1152-1164), que teve o casamento planejado com o rei Afonso II de Aragão, mas faleceu jovem,
  5. D. Sancho I (1154-1212), futuro rei de Portugal,
  6. D. João (1156-1163), infante de Portugal, que morreu ainda criança,
  7. D. Sancha (1157-1167), infanta que faleceu ainda jovem.

Filhos ilegítimos de Afonso Henriques

  1. D. Fernando Afonso (1166-1172), filho de Chamoa Gomes,
  2. D. Pedro Afonso, que foi senhor de Araga e Pedrógão, de mãe desconhecida,
  3. D. Teresa Afonso, filha de Elvira Gualter,
  4. D. Urraca Afonso, também filha de Elvira Gualter.

Dom Afonso Henrique (Afonso I de Portugal) faleceu em Coimbra, Portugal, no dia 6 de dezembro de 1185, com 76 anos, idade muito avançada para aquela época. Foi sepultado no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra. 

O sucessor de Afonso I de Portugal foi seu filho Dom Sancho I, preparado para ser rei desde os 15 anos, após a morte do primogênito.

 

https://youtu.be/xqAaICq7GQA?si=TOwaDlLHBiJI5K0q