Com o papa Leao XIV a guerra e a sua rejeição ou nao vira tema religioso 

A violência de algum poder neste tempo de recordação da crucificação de Jesus Cristo e neste domingo de Páscoa da sua ressurreição segundo a maioria das religiões cristãs a marcar  a vitória da vida sobre a morte no cristianismo o papa Leao XIV levantou a sua voz contra Trump! 

Esta é a primeira pascoa de Leão XIV como papa e no meio de uma era de poderio militar estadunidense,(como ele), e defrontou -se com um desafio significativo- como confrontar a visão de Deus do governo Trump e seus apoiantes, com a radicalmente diferente da visão do deste papa e do seu Vaticano, o  foco  espiritual da maior fé cristã do mundo.

Trump e o seu clã vive das  representações  de um Deus belicoso que escolhe lados contra lados mas perante tal Leão XIII sentiu-se forçado  a rejeitar essas opções .

O papa Leão XIV disse no Domingo de Pascoa, que Deus “não ouve as orações daqueles que fazem guerra” e citou Isaías 1:15: “Ainda que multipliquem as suas orações, eu não as ouvirei, porque as suas mãos estão cheias de sangue”.

Ja na noite de quinta-feira, ele teceu uma reflexão sobre a blasfémia e, lembrou depois que "tendemos a nos considerar poderosos quando dominamos, vitoriosos quando destruímos nossos iguais, grandes quando somos temidos".

E na Sexta-feira Santa de ontem, este  pontífice de 70 anos reforçou ainda mais sua refutação ao se tornar o primeiro Papa desde João Paulo II a carregar uma cruz por todas as 14 Estações da Cruz durante um rito tradicional dentro e ao redor do Coliseu de Roma.

Ele disse esta semana que está buscando dar um exemplo de como “Cristo ainda sofre”, convidando “todas as pessoas de boa vontade… [a] serem portadoras da paz”.

Leão, que está a um mês do primeiro aniversário de sua escolha para liderar os 1,4 bilhão de católicos do mundo, responde assim a uma questão teológica fundamental: Qual é a natureza de Deus?

Um alto funcionário do Vaticano, segundo o Irish Independent

este estadunidense papa, nascido em Chicago, não dirige as suas palavras apenas ao governo Trump, mas a todos aqueles que buscam instrumentalizar Deus para a guerra.

“Desde a era nazista, e até mesmo antes disso, 'Gott Mit Uns' [Deus conosco] sempre foi uma forma de justificar a guerra, o derramamento de sangue e o conflito, elevando-o a um nível metafísico e teológico, a vitória do bem sobre o mal”, disse o reverendo Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano.

“O que o Papa pretendia era minar essa lógica em que Deus, com seu exército celestial, [se alinha] a um dos lados. … Essa é uma forma de se apropriar do divino.”, e acrescentou: "O Papa não está a  dirigir-se apenas ao presidente dos Estados Unidos – embora essa expressão esteja se tornando bastante comum nas comunicações".

Outro alto funcionário do Vaticano, que falou sob condição de anonimato descreveu as invocações a Deus feitas pelo governo Trump como “uma exploração da fé”. “O Papa deixou isso muito claro quando disse que não se pode invocar Deus para justificar guerras”, disse o funcionário. “Uma coisa é rezar como os soldados ucranianos fazem – para impedir a invasão russa –, mas é bem diferente invocar o apoio divino enquanto se lançam mísseis contra outro país, sem provocação.”

Poupava-se a citação ucraniana…

Isso difere claramente do cristianismo abraçado pelo governo estadunidense e nao só... Na preparação para a guerra, o pastor Graham, aliado de Trump, pregando num culto de oração no Pentágono em dezembro, disse: “Pensamos em Deus como um deus de amor. Mas vocês sabiam que Deus também odeia? Sabiam que Deus também é um deus da guerra?”

Numa conferência de imprensa recente, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, pediu a Deus que desse às tropas americanas que lutam contra o Irão “violência de ação esmagadora contra aqueles que não merecem misericórdia”.

Em 6 de março, líderes cristãos, numa imagem que correu o mundo, impuseram as mãos sobre Donald Trump e falaram de Deus "levantando os braços do nosso presidente" – um presidente que acabara de lançar uma guerra preventiva.

E na quarta-feira, Paula White-Cain, conselheira espiritual de Trump, pareceu comparar o presidente a Jesus e anunciou uma intervenção divina em seus empreendimentos, atraindo indignação e acusações de heresia por parte de alguns.

“Porque ele foi vitorioso, vocês são vitoriosos”, disse White-Cain num almoço de Páscoa na Casa Branca. “E acredito que o Senhor disse para lhes dizer isso: por causa da vitória dele, vocês serão vitoriosos em tudo o que fizerem.”

Leão XIV está  fiel à sua área de especialização – afinal, qual é a função de um Papa senão conectar os fiéis a Deus?

Mas sua ênfase cada vez mais incisiva o expôs a críticas. Assim como seu antecessor, o Papa Francisco, que faleceu há quase um ano, Leão XIV estã a  serb abertamente criticado por conservadores nos Estados Unidos por supostamente interpretar a Bíblia de forma equivocada.