As declarações foram feitas durante uma entrevista concedida ao estúdio da TV BRICS, na zona de diálogo empresarial da St. Petersburg International Economic Forum, organizada pela Roscongress International, onde Pedrosa sublinhou que a economia global atravessa atualmente uma das mais aceleradas revoluções tecnológicas da história moderna.
Segundo o responsável da APEC, o ritmo da mudança é impulsionado sobretudo pelo setor privado, obrigando governos, organizações internacionais e blocos económicos a desenvolver mecanismos de coordenação mais eficazes.
“O que vemos hoje é uma grande onda de mudanças tecnológicas. Tudo está a acontecer muito rapidamente, principalmente por impulso do setor privado”, afirmou Eduardo Pedrosa.
Para Pedrosa, a transformação digital exige não apenas inovação tecnológica, mas também alinhamento de princípios, regulamentação inteligente e cooperação internacional.
A abordagem da APEC, explica, distingue-se por ser baseada em princípios e não impositiva, permitindo que cada economia-membro implemente os marcos de cooperação de acordo com a sua própria realidade nacional.
Este modelo flexível tem permitido avanços importantes em áreas como a economia digital, comércio eletrónico, interoperabilidade tecnológica e facilitação de negócios transfronteiriços.
Na visão do dirigente, iniciativas regionais desenvolvidas dentro da APEC, da ASEAN e de outros agrupamentos multilaterais demonstram que a integração digital já está em curso — ainda que através de modelos distintos e complementares.
A diversidade regulatória, longe de ser um obstáculo, pode representar uma oportunidade.
“Abre espaço para aprendizagem mútua”, defendeu, sobretudo nas áreas da regulação tecnológica, formulação de políticas públicas de inovação e implementação de soluções digitais.
Um dos pontos centrais da intervenção de Eduardo Pedrosa prende-se com o impacto da inteligência artificial nas pequenas e médias empresas (PME), tradicionalmente confrontadas com maiores dificuldades de acesso aos mercados internacionais.
Na sua perspetiva, as plataformas digitais e as soluções de IA estão a reduzir significativamente as barreiras de entrada, criando novas possibilidades de internacionalização e competitividade.
“Quando integramos a inteligência artificial nesses sistemas, as empresas passam a compreender melhor as preferências dos consumidores. Isso permite direcionar produtos e serviços com maior precisão e ajuda as companhias a identificar mercados que talvez nunca tivessem considerado antes”, afirmou.
Para Pedrosa, a IA não significa necessariamente a substituição dos mercados locais. Pelo contrário: pode permitir que pequenas empresas cresçam globalmente sem perderem a sua identidade territorial, criando um equilíbrio entre presença internacional e raízes locais.
Trata-se de uma mudança particularmente relevante num contexto onde milhares de PME procuram adaptar-se às exigências de uma economia cada vez mais digital, automatizada e orientada por dados.
Mas a transformação tecnológica não se limita à inteligência artificial.
Eduardo Pedrosa destacou ainda o crescimento acelerado da chamada economia de plataformas, assim como o surgimento de áreas emergentes como as tecnologias quânticas, consideradas por muitos especialistas como a próxima grande revolução tecnológica global.
Face à velocidade da mudança, o dirigente da APEC defende que o diálogo permanente entre governos, setor privado, universidades e instituições multilaterais será essencial para garantir uma cooperação internacional eficaz.
Num ambiente digital em constante mutação, a ausência de coordenação poderá traduzir-se em desigualdades tecnológicas, fragmentação regulatória e perda de competitividade.
Criada em 1989, a Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) é um organismo intergovernamental informal de consulta e cooperação económica que visa promover a liberalização do comércio e do investimento, reforçar a cooperação técnica e estimular o crescimento sustentável na região Ásia-Pacífico.
A organização reúne atualmente 21 economias-membro, entre as quais:
Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coreia do Sul, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Peru, Filipinas, Rússia, Singapura, Taipé Chinês, Tailândia, Estados Unidos e Vietname.
Num mundo marcado pela rivalidade económica entre grandes potências, a APEC continua a afirmar-se como um espaço de diálogo económico pragmático, procurando equilibrar inovação, crescimento e cooperação regional.
Curiosamente, Eduardo Pedrosa é também referido em alguns contextos políticos brasileiros como um dos deputados que mais tempo ocupou posições de liderança parlamentar, tendo liderado durante cerca de três anos o bloco “Brasília em Evolução”, um dos maiores agrupamentos da respetiva casa legislativa.
A mensagem central deixada por Pedrosa parece, no entanto, transcender geografias e ideologias: o futuro da economia será digital — e a capacidade de cooperar poderá determinar quem lidera e quem fica para trás.
Fontes: