Foi assim com Elisa Dias e Kady Santos. Duas mulheres. Duas filhas da diáspora cabo-verdiana. Duas vidas construídas em Londres, uma cidade que não perdoa os que chegam sem propósito, mas que recompensa generosamente os que chegam com visão.
E foi precisamente em Londres que as suas visões se encontraram.
Elisa Martins Dias não precisava de mais nada para provar o que vale. Nascida em Portugal, criada em França, construída em Londres. Fluente em português, francês, inglês e crioulo. Com mais de duas décadas de vida multicultural, experiência em marketing e comunicação, e o mestrado concluído no Mont Rose College of Management and Sciences — uma das instituições de ensino superior mais cosmopolitas do East London.
Mas Elisa não ficou satisfeita com o diploma. Ficou com uma pergunta. E Cabo Verde?
Foi essa pergunta que a levou a fundar a Atlantic Bridge, o seu projeto profissional no Reino Unido. Foi essa pergunta que a levou a criar, no dia 25 de maio deste ano, a associação A Diáspora Para a Liderança de Excelência e Desenvolvimento Sustentável, oficialmente registada em Cabo Verde no Dia de África. E foi essa pergunta que a trouxe de volta ao Mont Rose College, não como estudante, mas como arquiteta de algo maior.
Uma ponte entre dois mundos. Entre o conhecimento que existe em Londres e o potencial que existe nas ilhas. Entre quem parte e quem fica à espera de oportunidades que ainda não chegaram.
Arkady Afonso, Kady para quem a conhece, tem uma daquelas histórias que não cabem facilmente num curriculum.
Com formação em Business Management, um BTEC de Nível 5 e uma licenciatura concluída no Reino Unido, Kady construiu a sua experiência profissional com rigor, determinação e uma qualidade rara: a capacidade de liderar pessoas com humanidade. Durante anos geriu equipas, garantiu padrões de qualidade, treinou e motivou colaboradores, sempre com a mesma filosofia que define o seu perfil: tratar as pessoas com dignidade e respeito.
Como ela própria descreve: alguém que se relaciona com uma grande diversidade de pessoas e que conquista a sua confiança.
Numa cidade como Londres, isso não é pouca coisa. É, na verdade, exatamente o tipo de competência que o mundo precisa e que os melhores projetos exigem.
Kady está agora a dar o próximo passo. Vai inscrever-se no Mont Rose College, a mesma instituição onde Elisa fez o seu mestrado, dando continuidade a um percurso de formação que é, ao mesmo tempo, estratégico e simbólico.
Porque quando duas empreendedoras da diáspora estudam na mesma instituição, aprendem mais do que gestão. Aprendem a construir juntas.
Fundado em 2006 por Bilal Sheikh - CEO, fundador, Chartered Manager e fellow do Chartered Institute of Management - o Mont Rose College nasceu com uma missão clara: trazer mudança positiva à comunidade do East London.
Duas décadas depois, a instituição celebra 20 anos de existência com a mesma convicção que a fundou. Nas suas próprias palavras: vinte anos a empoderar quem aprende. Vinte anos a construir futuros.
Durante este tempo, o Mont Rose College tornou-se um espaço onde a ambição encontra a oportunidade, onde estudantes de origens diversas chegam para desenvolver conhecimento, competências, confiança e amizades que duram a vida inteira.
Os seus programas, Business Management, Hospitality, Tourism, Marketing, MBA Internacional, Health & Social Care, não são disciplinas académicas abstratas. São respostas práticas às necessidades reais de economias em transformação.
São o vocabulário do futuro. E é precisamente esse vocabulário que Elisa e Kady querem levar a Cabo Verde.
A empresa que Elisa e Kady estão a construir juntas tem nome, estrutura e ambição à medida do que o mundo exige. Chama-se Atlantic Bridge Network. E não é uma agência de eventos.
É, nas palavras do seu posicionamento estratégico, uma plataforma internacional de conexões de alto valor, desenhada para operar na intersecção entre Europa, África, o espaço CPLP e os mercados globais emergentes.
A sua proposta é concreta: organizar missões empresariais entre Cabo Verde e o Reino Unido, criar contextos de networking estratégico entre empresários e investidores, facilitar o acesso de estudantes cabo-verdianos e da diáspora ao ensino superior britânico, promover turismo experiencial de alto valor e desenvolver parcerias institucionais de impacto real.
Não se trata apenas de ligar pessoas, Trata-se de criar contextos onde acontecem coisas importantes. Onde surgem parcerias. Onde investidores encontram oportunidades. Onde executivos constroem relações de confiança. Onde organizações ganham visibilidade internacional.
E onde Cabo Verde passa a ser visto, finalmente, não apenas como destino turístico, mas como ecossistema de negócio e de talento.
Há algo nesta história que vai muito além das duas mulheres que a protagonizam.
Cabo Verde é um país de ilhas e de diáspora. Um país que durante décadas exportou pessoas e que hoje começa a perceber que pode importar o que essas pessoas aprenderam lá fora.
O turismo representa uma fatia essencial da economia cabo-verdiana. E o turismo exige profissionais formados — em hospitalidade, gestão hoteleira, customer experience, liderança organizacional, marketing internacional.
Exige precisamente o tipo de formação que o Mont Rose College oferece.
A parceria que começa agora a ganhar forma entre esta instituição e a Atlantic Bridge Network pode representar algo concreto para Cabo Verde: um corredor estruturado de qualificação, onde jovens cabo-verdianos acedem ao ensino superior britânico, com orientação, acompanhamento e propósito e regressam com as ferramentas que o país precisa.
Não para ficar em Londres. Para regressar melhor.
Elisa e Kady não têm uma história acabada. Têm uma história que está agora verdadeiramente a começar.
Duas mulheres da diáspora cabo-verdiana. Duas formações distintas. Duas trajetórias que se cruzaram no lugar certo, na hora certa, com a visão certa.
E uma instituição, o Mont Rose College, vinte anos de excelência e inclusão, pronta para ser o ponto de partida de uma nova geração de talentos cabo-verdianos.
Porque as pontes mais importantes não se atravessam de avião. Atravessam-se com coragem. Com formação. Com a decisão de não guardar para si aquilo que se aprendeu longe de casa.
Artigo da autoria de Heitor Fox
Coach de Líderes · Especialista em Neurocomunicação e Storytelling