Por falar em Nacionalidades : Os Templários e a Expansão que se diz portuguesa 

Um rei de França, de “real” nome Filipe IV, e com a alcunha o Belo, do inicio do século XIV, apresentava-se como estando falido, devendo em particular muito dinheiro à Ordem dos Templários, que era uma das Organizações mais ricas e mais poderosas da Europa.  

E claro cristã so que nao papista…

Os Templarios eram guerreiros, no contexto de uma ordem religiosa, e mais tarde foram tambem banqueiros e ainda construtores de Templos e com sede em Paris.

Esta Ordem nasce ligada à ocupação em 1099 de Jerusalém, tomada pelos exércitos da segunda Cruzada à Palestina, sendo que vinte anos depois, nove cavaleiros oriundos da França e da Borgonha se constituem em irmandade com o propósito de protegerem os peregrinos nos perigosos caminhos entre o porto de Acre e Jerusalém.

O seu mestre fundador, Hugo de Payens, da Borgonha, assume os votos monásticos com os outros 8 cavaleiros, de pobreza, castidade e a obediência e em 1128, dada a lentidão do tempo na época esta irmandade, já bem mais numerosa, foi reconhecida pelo concílio de Troyes como ordem monástico-militar com o nome de Milícia dos Pobres Cavaleiros de Cristo.

O tempo, e o poder do imaginário de então, fez com que uma mesquita se transforme num imaginário Templo de Salomão e os cavaleiros passaram então a ser conhecidos por Cavaleiros do Templo de Salomão ou simplesmente Templários.

A sua missão permaneceu na Palestina por cerca de 200 anos, período durante o qual a Palestina esteve sob o domínio dos cruzados e o poder dos Templários foi-se reforçando graças à sua disciplina militar e organização logística.

Em 1291 Jerusalém cai e tal marca o início da tragédia dos Templários que, perseguidos por Filipe IV de França, num processo iniciado em 13 de Outubro de 1307, e chega à extinção da Ordem a 22 de Março de 1312 pelo Papa Clemente V o papa de Avignon, o raptado por Filipe IV e a morte na fogueira do último mestre templário, Jacques de Molay em Outubro de 1314.

Porém, o processo de extinção teve um desfecho bem diverso em Portugal, pois o rei D. Diniz logra manter os cavaleiros e os bens dos Templários, sob o nome de uma nova ordem de cavalaria circunscrita ao seu Reino: a Ordem de Cristo.

Sendo guerreiros, em muito especial na Palestina, eram  bem organizados, e entre dadivas adquiriram imensas quantidades de terras e bens materiais como recebiam  dos devedores e que até puseram sob seu jugo e por isso controlaram feudos e construções em Paris e no interior de França.

As Cruzadas mesmas eram “patrocinadas”, por varios Reinos e Feudos e pela Igreja Católica a qual devido ao seu imenso poder a sua influência juntos aos reis e governantes, era suficiente para que os Templários tivessem muitas regalias e direitos.

Entretanto, as derrotas das Cruzadas no Médio Oriente, alimentaram uma onda de calúnias, lançadas por pessoas e ou entidades ansiosas pelo fracasso dos Cavaleiros da Ordem dos Templários, dizendo que os mesmos se teriam “vendido” aos muçulmanos acusação que perdurou e ainda hoje é alimentada em alguns meios que até esquecem que os Templários eram uma ordem religiosa da igreja de Roma

É nesta clima de odio alimentado aos Templários também produzido por ele que a 13 de Outubro de 1307, Filipe invadiu, de surpresa, as sedes dos Templários em toda a França, prendendo todos os seus  membros sendo abertos 2 processos contra a Ordem dos Templários - um vindo do rei contra os presos, o outro conduzido pelo papa Clemente V, que na verdade fora “raptado” de Roma como sabemos, e forçado pelo rei Felipe, a colocar a sede do Papado em Avignon, em França.

A  Ordem foi duramente decapitada com centenas decCavaleiros mortos, a imensa maioria torturada e muitos degolados em lógica inquisitorial. Como todas as Ordens ligadas a Roma ela era Iniciática e por tal discreta e gerindo muito secretismo e tal foi usado contra ela, atacando-a com o que hoje se chama de fakenews verdadeiras afirmações absurdas de feiticeiria, de adoraçao do diabo, etc.

Ainda assim salvou-se uma parte da Ordem e os sobreviventes trataram de salvar a maior quantidade possível de bens e tesouros e quando o tal Filipe o belo tentou confiscar-lhes a totalidade dos bens onde ansiava receber uma fortuna, pouco foi efectivamente recolhido, e aí criou-se a lenda de que os tesouros foram transferidos em segurança para outros países e para muitos investigadores, um desses países teria sido Portugal.

Realmente o talvez cátaro rei D. Dinis (1261-1325) optou por garantir a permanência da Ordem dos Templários em terras portuguesas com uma doação formal dos bens da Ordem à Coroa, que teve como contrapartida a nomeação de um administrador, de confiança da Ordem, para cuidar deles e D. Dinis, em rebelia para com o “papa de Avinhão” em ato de coragem para a época,  abriu as portas para todos os refugiados da Europa nao temendo sequer que por voltas de 1317, o último Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, Jacques (ou Thiago) de Molay, já tinha sido executado na fogueira (1314) com beneplácito papal.

Mas tal  Papa ou nao papa, com toda a sua autoridade, nada intimidou este rei portugues que fundou a Ordem de Cristo com, parte do património dos Templários.

 

Ora os Templários concentravam segredos e os seus conhecimentos, que foram para o para o Convento de Tomar, sede da Ordem de Cristo como ja fora sede regional Templária com Afonso Henriques também Templario e Gualdim Pais, seu marechal de armas e assim surgiu uma nova era, para os Cavaleiros Templários sendo verdade que dois anos depois, em 1319, um novo papa, João XXII, reconheceu a Ordem de Cristo.

O certo é  que no início do século XV, Portugal era um reino pobre pois as riquezas estava na Itália, na Alemanha e na Flandres, hoje parte da Bélgica e Holanda, então porque é que foram os portugueses a encabeçar a expansão europeia? A resposta está na muito rica Ordem de Cristo com os seus tesouros templarios , mas, principalmente, com os seus conhecimentos Templários e a experiência adquiridos ao longo dos anos nas suas viagens a partir da Palestina, Malta, etc.

O Infante D. Henrique, terceiro filho de D. João I, ao tornar-se  Grão-Mestre da Ordem, em 1416, os Templarios ou a ja Ordem de Cristo encontrou nele o apoio para colocar em prática um antigo e ousado projecto, a expansão do cristianismo contornando África e chegando assim às Asias,  à Índia, ligando o Ocidente ao Oriente sem a intermediação dos muçulmanos, que então controlavam os caminhos por terra.

D. Henrique assumiu tambem o cargo de governador do Algarve e dividia o seu tempo entre a Ordem de Cristo e o Porto (ou Vila) de Lagos, sendo que ao regressar a Portugal, na Primavera de 1419, após combater os mouros na cidade de Ceuta, D. Henrique terá decidido abandonar as ”futilidades da corte” e instalar-se na ponta de Sagres e a sua uma figura sorumbática mas imponente, o seu espírito obcecado, teimoso, e asceta, permanentemente envolto num manto negro ganhou uma imagem publica enorme.

Note-se que o próprio local que o infante escolheu para viver já era pleno de simbolismo e magia, pois o antigo “promontório sacro” de gregos e romanos, por tal chamado de Sagres pelos lusos, fora baptizado pelo geógrafo grego Ptolomeu e era a ponta  final da Europa, sendo um lugar desértico, de beleza quase dramática, com um cabo nu e pedregoso, a entrar no oceano temível e repleto de mistérios a descobrir valendo recordar que Sagres ja fora  ocupado por um templo de druidas, os sacerdotes celtas estando pois envolvido em enorme e antiga simbologia.

 

Ainda assim, não foi na ponta de Sagres, mas na Vila de Lagos, a 30 km a leste dali, que D. Henrique se instalou, quando o seu pai, o rei D. João I, o fez governador daquela região, conhecida como Algarve, ou El-Ghard, a Terra do Poente, outrora o Ocidente árabe e foi aí que em 1420, D. João I, fez do Infante o administrador da Ordem dos Cavaleiros de Cristo, a antiga Ordem dos Templários.

O Algarve foi então a base naval e uma corte aberta para viajantes de todo o Mundo, com todo o tipo de informações, tão importantes naquela época, sendo para lá atraídos sábios, cartógrafos, astrónomos e astrólogos, especialmente Judeus que, desde meados do século XIV, fugiam das perseguições que se desencadeavam na Espanha e o Porto (ou Vila) de Lagos, localizada numa ampla baía, possível de se zarpar, liderada pelo infante, foi quem os recebeu e possibilitou o seu comando  tecnológico e de Saber no inicio da expansão marítima do século XV.

A Escola de Sagres então “fundada”  que, na verdade, existiu apenas no sentido filosófico da palavra, já que nunca houve um espaço físico, um centro de estudos, e muito menos um observatório, nasceu teoricamente na Ponta de Sagres passados cem anos sobre a condenação dos Templários nos processos de Paris.

Entretanto o Vaticano estava sobretudo  preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que aumentara muito no século XIV e foi por isso que em 1418, o Infante consegue o aval do papa ao projecto expansionista que num século, levou os papas a emitirem  onze bulas a dar largos privilégios à Ordem que um deles quisera destruir, entregando à mesma monopólios da navegação para a África, posses de terras, isenção de impostos eclesiásticos e autonomia para organizar a acção da Igreja nos locais a descobrir.

Neste contexto expansionista e numa obra que não foi “nacional” portuguesa, como se vê com a influência árabe e judaica no processo, mas também genovesa,  a 22 de Abril de 1500 chegavam ao Brasil 13 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral, 80 anos depois de o Infante Henrique ser o grão mestre da Ordem de Cristo