O evento acontece no âmbito das celebrações dos 50 anos da Independência de Angola, a assinalar-se no próximo dia 11 de novembro, e decorre este Congresso sob o lema “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5).

O mesmo propõe-se ser um momento de introspecção colectiva, cura histórica e restauração da esperança nacional.

Durante dois dias, 6 e 7 de Novembro, ontem e hoje mais de 600 delegados provenientes das 21 províncias do país reflectiram sobre o percurso de Angola ao longo de cinco décadas de independência.

Dom José Manuel Imbamba, Presidente da CEAST e Arcebispo de Saurimo, deu as boas-vindas aos participantes e sublinhou o espírito que norteia o congresso:

“Trata-se de um exercício de autoacusação e não de acusação do outro. Queremos afirmar os princípios da justiça restaurativa, assentes na corresponsabilidade, reconhecendo que todos temos alguma dose de culpa no que aconteceu e acontece em Angola.”

O prelado acrescentou que o lema do encontro é um “convite a recriar a humanidade e a buscar novos caminhos”.

Por sua vez, Dom Zeferino Zeca Martins, Presidente da Comissão Episcopal de Justiça, Paz e Integridade da Criação da CEAST e Arcebispo do Huambo, destacou que o congresso surge da necessidade de um ponto de viragem nacional, ao se completarem 50 anos de independência:

“Vivemos meio século como nação livre. É um ponto de inflexão a partir do qual somos chamados a pensar em coisas novas”, afirmou, durante a reflexão introdutória baseada na “Ontologia e Razão de Ser do Congresso Nacional da Reconciliação”.

"O congresso surge da necessidade de um ponto de viragem nacional, ao se completarem 50 anos de independência ..."

Os trabalhos decorrem em torno de vários sectores-chave da vida nacional: justiça, poder legislativo, saúde, educação, economia, comunicação social, sociedade civil, defesa e segurança, autoridades tradicionais, partidos políticos e confissões religiosas, incluindo clérigos e movimentos católicos.

Os delegados são convidados a reflectir à luz da diversidade de opções e realidades que caracterizam o povo angolano, e a sair do Congresso unidos num compromisso comum de reconstrução da nação, um dos principais resultados esperados desta iniciativa da CEAST, amplamente acolhida em todo o país.

Nao somos um media catolico sendo sim Laicos, Republicanos e Socialistas mas reconhecemos nas igrejas um papel de formaçao/formataçao sendo especialmente dificil superarmos a sua influência nas sociedades.

Ainda assim tendo realçado a vitoria dos movimentos de Libertação  Caetano confrontado com o 1º de julho de 1970, quando os líderes dos principais movimentos de libertação das colónias portuguesas: Agostinho Neto (MPLA, Angola), Amílcar Cabral (PAIGC, Guiné-Bissau e Cabo Verde) e Marcelino dos Santos (FRELIMO, Moçambique) foram recebidos pelo papa Paulo VI, nao nos apercebemos de que se tratava de bem mais do aue de uma vitoria politica!

A ideologia do luso imperialismo teocratico caiu por terra e assim morriam os fundamentos de uma guerra colonial ser uma guerra portuguesa contra “terroristas”!

O poder direitista de Marcelo Caetano confrontado com o 1º de julho de 1970, quando os líderes dos principais movimentos de libertação das colónias portuguesas: Agostinho Neto (MPLA, Angola), Amílcar Cabral (PAIGC, Guiné-Bissau e Cabo Verde) e Marcelino dos Santos (FRELIMO, Moçambique) foram

recebidos pelo papa Paulo VI sentiu fortemente o como tal era uma derrota ideologica e politica.

No dia 6 de julho Marcelo Caetano lá foi à televisão, justificar-se e justificar a guerra colonial procurando desvalorizar o acontecimento, enquanto chamava a Lisboa o embaixador de Portugal no Vaticano, “esperando-se que nos sejam prestadas pela Santa Sé os esclarecimentos convenientes” (Nota oficiosa do MNE de 5 de julho de 1970).

A verdade é que Paulo VI havia recebido os três dirigentes, o que constituiu, seguramente, alvo de enorme  impacto internacional relativamente à questão das colónias portuguesas.
Essa audiência terá sido solicitada ao secretário do cardeal Giovanni Benelli, Substituto da Secretaria de Estado do Vaticano, pela jornalista italiana Marcella Glisente, presidente da Associação Italiana dos Amigos da Présence Africaine, que aliás Amílcar Cabral conhecera em Paris.

Também o arcebispo de Conacri, Raymond Marie Tchidimbo, se dirigiu a Benelli apoiando esse pedido, para que a Igreja reconhecesse os “justos direitos à dignidade e à autodeterminação dos povos africanos”.
E, com efeito, a 30 de junho, um dia após o encerramento da Conferência, os três dirigentes africanos foram informados que iriam ser recebidos em audiência privada pelo Papa no dia 1 de julho, às 12.15, na Sala dos Paramentos.

E foram realmente recebidos!

Por acaso ou nao nesse dia 1 de julho, em Moçambique, o general Kaúlza de Arriaga, comandante-chefe das Forças Armadas em Moçambique, lança uma gigantesca e dispendiosa operação designada Nó Górdio, que durará sete meses, envolvendo cerca de 35 mil militares portugueses e moçambicanos.

Foi  operação que visava destruir as bases e campos militares da FRELIMO no Planalto dos Macondes, no norte de Moçambique e o abastecimento dos guerrilheiros – o que foi em larga medida conseguido temporariamente, mas tendo, a Frelimo  não só reocupado o território, como, sobretudo, expandido a sua atuação para o sul de Moçambique.

Vive-se entretanto um conflito entre um regime político e uma Igreja em crise.

No espaço europeu do imperio , surgem publicações católicas mais radicais como os Cadernos GEDOC (Grupos de Estudos e Intercâmbio de Documentação, Informações e Experiências), dirigidos por Felicidade Alves, na linha da teologia da libertação na América Latina, aoiando a  luta anticolonial e s teologia da revolução europeia; ou o como o Boletim Anti-Colonial, BAC, divulgando informação relativa à guerra colonial, dirigido, entre outros, por Luís Moita, que se havia formado na Universidade Gregoriana.

A um grupo de catolicos e a oposição católica dinamizam a vigília da capela do Rato, em conjunto  com as Brigadas Revolucionárias, na passagem de ano de 1972 para 1973, em resposta ao mote de Paulo VI, a «Paz é Possível».

Foi pensada de modo a alcançar um impacto mediático – até internacional – que a vigília em S. Domingos, organizada no final de ano de 1968, não conseguira alcançar.

Em Angola, as atitudes críticas dos missionários espiritanos causam escasso impacto mediático, não logrando quebrar a unidade do episcopado, mas em Moçambique sucedem-se os episódios de conflito entre o Estado colonial e religiosos, com repercussões internacionais desde a expulsão dos Padres Brancos, por críticas ao colonialismo português, em 1971; a prisões, em 1972, de dois padres de Burgos e de dois padres do Macúti por denunciarem os massacres de Mucumbura; à denúncia do massacre de Wiriamu, em 1973 – uma semana antes da visita oficial de Marcello Caetano a Londres –, pelo padre britânico Adrian Hastings, em colaboração com missionários portugueses e espanhóis; à solidariedade de católicos pela morte do pastor presbiteriano Zedequias Manganhela, na prisão de Machava, em 1972.

Sucessivas intervenções do bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, em sintonia com diversos missionários, intensificam a fratura interna na Igreja católica e o conflito com o Estado português.

A 10 de abril de 1974, a crise vsi ao ponto do bispo de Nampula será expulso de Moçambique, juntamente com onze missionários combonianos.

Nesse periodo o Vaticano chega a dar sinais de que poderia retirar o núncio de Lisboa

A partir daí há um acelerar da crise e da tensão.

Eis porque nao nos espantamos que o papa Paulo VI faça parte dos homenageados a 06.11, nestas comemorações dos 50 anos da Independência de Angola!

Na realidade este papa foi uma figura central no findar do teocracismo imperial portugues!