Temos o 31 de janeiro de 1891, movimento popular/militar republicano derrotado, do Porto e abandonado por Lisboa, temos o 5 de outubro de 1910, de Loures e Lisboa, vencedores, temos o 18.11.1918, semi vencedor temos o 14.12.1918 vencedor temos o 4 de abril de 1931 nas Ilhas e colonias que finda a 18 de janeiro de 1934  tudo envolvido num levantamento militar por demais  proto fascista a 28 de maio de 1926!

Mas regresemos à razao do texto, o 18 de janeiro de 1934 que pretendia o lançamento de uma greve geral insurrecional.

Dizem uns que foi um dos acontecimentos fundamentais da história do movimento operário português enquanto uma resposta à “fascização dos sindicatos”, imposta em setembro de 1933 pelo “Estatuto do Trabalho Nacional”, inspirado na “Carta del Lavoro” de Mussolini. Segundo eles foi  uma greve geral dinamizada por anarco sindicalistas da Confederação Geral do Trabalho, comunistas da Comissão Intersindical,  ligada ao Partido Comunista Português, socialistas da Federação das Associações Operárias e sindicatos autónomos organizados no Comité das Organizações Sindicais Autónomas, e previa também sabotagens, bombas, ações armadas, corte de comunicações e de estradas e uma sublevação militar republicana.

Dos 754 sindicatos e associações operárias então existentes, apenas 57 aceitaram a nova legislação que destruía a liberdade sindical.

Criaram-se assim condições para a constituição de uma “Frente Única” contra a fascização dos sindicatos, que incluiu a CGT (de orientação anarquista), a Comissão Inter-Sindical (com influência comunista), outras organizações sindicais, e em que convergiram assim comunistas, anarquistas, sectores socialistas e republicanos num movimento que originou a grande revolta operária do 18 de Janeiro de 1934

Esta greve geral surgia depois de um escandaloso   “Plebiscito Nacional” de 21 de fevereiro de 1933 para justificar a tomada do poder pelo  fascista Salazar cavalgando   o golpe militar de 28 de maio de 2926, com esta entao elaborada Constituição fascista que não teve um número exato de votantes escrutinavel mas foi um voto de aprovação massiva e praticamente unânime num escandaloso universo eleitoral de 77.085 eleitores registados (incluindo mulheres com ensino).

O dito plebiscito  consolidou o “Estado Novo” de Salazar quando em 1933, Portugal tinha uma população em crescimento, com base no VII Recenseamento de 1930, que registou 6.825.883 habitantes, sendo 1933 um ano de publicação dos resultados e não de um censo específico, mas o número do censo de 1930 é a referência mais próxima o que mostra um universo eleitoral de 1% da lusa populacao !

Em Oposição firme e contra a fragilizaçao e extinçao sindical surge uma Frente Única Operária que decidiu uma greve geral em todo o país com a recusa à comparência no trabalho a ter grande adesão em Almada, Silves e Marinha Grande.

Houve ainda recurso a actos de perturbação da ordem pública por parte dos anarco-sindicalistas o ocasionou vários descarrilamentos, entre os quais, o mais grave, o que ocorreu na Póvoa de Santa Iria (outros sucederam em Benfica, Martingança, e Algoz).

Os grevistas fizeram explodir bombas (Barreiro, Marinha Grande, Benfica, entre outos), cortaram linhas de telefone e de telégrafo (Marinha Grande, Cova da Piedade, Almada, Coimbra, Silves, por exemplo), e ocuparam alguns postos da Guarda Nacional Republicana.

Em Lisboa, a greve teria forçosamente de ser mais sentida nos bairros operários como foi na zona de Chelas e de Xabregas, onde se concentravam grandes fábricas (têxteis, da pólvora, da indústria alimentar, dos sabões, do tabaco), e grande número do operariado urbano (alojado perto das fábricas em vilas e pátios), que se concentraram os confrontos.

A imprensa do dia e dos dias seguintes deu pormenores aos seus leitores, sendo os jornais unânimes em descrever como um grupo de suspeitos foi perseguido pela polícia junto da Rua Gualdim Pais encurralando-os na Vila Flamiano onde um polícia que ali vivia, ao sair de casa, foi ameaçado pelos díscolos, e onde, após tiroteio, os revoltosos foram derrotados e presos, abandonando as bombas que tinham consigo.

Na Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata apesar de tudo estar tranquilo as caldeiras das máquinas tinham sido sabotadas de modo a atrasar a produção e a impedir o funcionamento do tradicional apito de chamada dos trabalhadores.

Em S. Pedro de Alcântara houve tiros, encontraram-se bombas no Alto do Pina e em Benfica perto da linha férrea.

A imprensa anunciou o fracasso da Greve Geral e na realidade ela não produziu os resultados esperados pelo facto de a união entre sindicatos ter levado a indecisões e atrasos constantes na tomada de decisões ajudados uns dias antes pela prisao de um dos mais activos sindicalistas, Mário Castelhano.

Na noite de 17 para 18 de Janeiro o Governo, alojado no Quartel de Caçadores 5, dispôs as forças policiais e militares em pontos estratégicos, como as estações da Carris do Arco do Cego e de Santo Amaro; dispersou elementos por toda a zona industrial; cortou o trânsito de peões e automóvel no Rossio; mandou encerrar os estabelecimentos comerciais que tinham permissão para abrir à noite (restaurantes, casas de pasto e cafés); fez terminar abruptamente as exibições em teatros e cinemas aconselhando a população a regressar rapidamente a casa alterando ritmo comum da cidade.

Após o estrangular da greve, seguiu-se a aplicação de medidas repressivas: quase 700 presos (dos quais 227 em Lisboa) e metade deles levados ao Tribunal Militar Especial, criado em 1932 para julgar crimes contra a segurança do Estado.

Os menores de 18 anos foram conduzidos para estabelecimentos correccionais e os grevistas impedidos de regressarem aos seus postos de trabalho, com multas para os patrões que os aceitassem.

O movimento sindical ficou decapitado e dois anos mais tarde, alguns dos dirigentes e grevistas implicados no 18 de Janeiro, integrariam a primeira leva de presos do Campo de Concentração do Tarrafal.

“Ao convocar a greve geral revolucionária, os dirigentes da CGT esperavam fazê-la coincidir com um golpe militar então em preparação. Esse golpe eclodiu prematuramente a 17 de Novembro no Regimento de Infantaria 10, em Bragança, mas estava prometida uma segunda fase.

Esta foi a origem dos sucessivos adiamentos da greve geral, que mais tarde se pretendeu atribuir aos comunistas. Esta a razão por que a CGT queria convocar a greve geral de surpresa (!), sem agitação prévia entre as massas operárias, sem manifestos, etc.

Lê-se numa obra anarquista: “A greve geral e a acção insurreccional, para poderem alcançar os seus objectivos, teriam de aparecer de surpresa”. E mais adiante “A CIS mantinha as suas reservas, teorizando as suas acções de massas”(2). Segundo a mesma,obra, o delegado da CIS, Álvaro Gonçalves, em reunião com Mário Castelhano, secretário-geral da CGT, ter-lhe-ia declarado que “a CIS nada tinha a ver com o movimento político (a sublevação dos oficiais) e entendia mesmo que os trabalhadores deviam ir sozinhos para o movimento, pois tinham força até para derrubar a ditadura”.

Dois Projectos

Assim se vê que, se o erro dos comunistas era sobrestimar infantilmente as possibilidades do movimento operário naquele momento, o erro dos anarquistas era de outro género: esperavam arrastar os operários para a greve através da revolta da tropa e de umas sabotagens; queriam usar o movimento operário como força de apoio da burguesia oposicionista.

Não há pois nenhum fundamento para as poses ultra-revolucionárias que adopta Emídio Santana. A corrente anarco-sindicalista funcionava já nessa altura como um apêndice social-democrata da burguesia liberal”. (FMRodrigues)

Mas se os comunistas pensavam na conquista do poder, ao contrário dos anarquistas, eles não deixaram por isso de manifestar uma enorme imaturidade e infantilismo, alheios ao marxismo-leninismo a sua linha filosofica.

Não viam com clareza as relações entre a vanguarda e a massa, a necessidade de uma intensa acumulação de forças para tornar possível a insurreição.

Bento Gonçalves resumiu bem no Tarrafal alguns dos traços típicos desse “esquerdismo” que dominava o Partido Comunista:

“A massa retardava em geral para a acção revolucionária. A sua vanguarda organizada politicamente é que criava uma mentalidade para a 'barricada'. Foi fácil cair neste círculo vicioso: se a massa retarda é impossível preparar a luta sobre a base duma acção de massas, mas precisamente porque a massa retarda é que é preciso efectuar a acção a nossas expensas”. E ainda: “Havia um número apreciável de camaradas do Partido que viviam alheios ao movimento sindical porque só lhes interessava mais directamente abordar as 'grandes questões’. Por exemplo: fazer um comicio-relâmpago e disparar uma pistola…” “Estes actos eram a expressão da própria incompetência de muitos membros do Partido para abordar as massas no terreno da politização” (FMR)

Ao contario de FMRodrigues nao esquentamos somente com movimentos anarco comunistas ditos operarios quando do combate ao fascismo se trata e daí o relevarmos aqui a sublevaçao contra o governo da Ditadura Nacional (1926-1933) da ilha da Madeira, iniciada na madrugada de 4 de abril de 1931 onde tiveram importante marinheiros e sargentos a base militar muito maçonico carbonaria, tudo movimentos que entusiasmavam os ativistas!

E a importância deste movimento releva-se quando depois do sucesso do levantamento na Madeira, um grupo de políticos e militares exilados nos Açores, consegue também realizar levantamentos nas ilhas de São Miguel, da Terceira, da Graciosa e de São Jorge mas com pouco apoio popular,  e com as restantes ilhas açorianas, a manterem-se sob controlo do governo.

No entanto a importância está tambem nos levantamentos nas colónias.

A 17 de abril, alguns militares opositores destacados na Guiné Portuguesa, revoltam-se, prendendo o governador da colónia.

Em Moçambique e em São Tomé também são organizados levantamentos, que falham logo no início, sendo os revolucionários detidos.

E nao vale a pena escamotear que toda a instabilidade da I Republica deriva do papel das igrejas catolicas e das suas ligações militares quer a Pimenta de Castro quer sobretudo so maçon de direita o general pro alemao Sidonio Pais que se impoe por um golpe apoiado por nao poucos republicanos e maçons a par muitos ultradireitistas que depois de umas eleitções vitoriosas leva um fã de Sidonio sentindo-se traído e no impacto da greve geral decretada a 18 de Novembro de 1918 pela União Operária Nacional leva este cidadao  José Júlio da Costa parece estar também relacionadas com o impacto da greve geral decretada a 18 de Novembro de 1918 pela União Operária Nacional, a assassinar Sidonio Pais por uma questao de Honra Social como veremos.

A greve geral de 1918 foi muito sentida no Vale de Santiago, uma vila próxima a Garvão, no concelho de Odemira, conduziu a movimentos massivos de  ocupações de terras e em assalto a celeiros por parte dos trabalhadores.

Na altura, José Júlio da Costa foi o intermediário entre as autoridades e os grevistas, que conseguiu fazer desmobilizar com a promessa de penas leves, o que não aconteceu, uma vez que muitos dos trabalhadores de Vale de Santiago foram presos e deportados para África, o que o terá levado a sentir-se traído.

E citamos “O historiador Constantino Piçarra refere a este propósito,  que “aqui [no Vale de Santiago], de 18 a 22 de novembro, os assalariados rurais, dando vivas aos sovietes e à revolução social, ocupam algumas herdades e assaltam os celeiros, dividindo entre si o trigo. A esta revolta sucede-se uma brutal repressão desenvolvida pelo exército e Guarda Nacional Republicana, em estreita articulação com os proprietários agrícolas. Dezenas de grevistas são presos e, posteriormente, deportados para África.

No mesmo território em que ocorre este movimento revolucionário está instalada uma comuna, a “Comuna da Luz”, mais concretamente na herdade das Fornalhas Velhas. Esta comuna tinha sido fundada em 1917 por António Gonçalves Correia, caixeiro viajante, natural de São Marcos da Ataboeira, concelho de Castro Verde. Guiado pelo seu ideal anarquista de raiz tolstoiana, Gonçalves Correia, acompanhado por 15 companheiros, incluindo mulheres e crianças, funda esta comuna onde a subsistência é assegurada pela actividade agrícola e pelo fabrico de calçado.

Acusado de ser um dos instigadores da sublevação em Vale de Santiago, Gonçalves Correia é preso dia 29 de novembro, em Beja, e enviado para a prisão do Limoeiro, em Lisboa, e a “Comuna da Luz” é dissolvida pelas forças militares que ocupam o território”.

José Júlio da Costa, sentindo-se traído, jurou vingar os seus conterrâneos do Vale de Santiago, matando o ditador Sidónio Pais.

Assim ainda o barco que levava os revoltosos para África, para onde tinham sido desterrados, pelos tribunais do regime, não tinha chegado ao destino e já Sidónio Pais jazia com dois tiros de pistola na estação do Rossio (Lisboa), disparados por José Júlio da Costa.

Sentindo-se traído e enganado no dia 14 de Dezembro, “após jantar no restaurante Silva, localizado no Chiado, dirigiu-se à Estação do Rossio, onde aguardou a chegada do chefe de Estado que deveria partir rumo à cidade do Porto. Quando Sidónio Pais se preparava para o embarque, no primeiro andar da estação, Costa furou o duplo e compacto cordão policial ao mesmo tempo em que disparava uma pistola, escondida pelo seu capote alentejano.

O primeiro projéctil alojou-se junto do braço direito do presidente, e o segundo, fatalmente, no ventre, fazendo com que a vítima caísse de imediato por terra.

Apesar da enorme confusão que se instalou, e de que resultaram quatro mortos, José Júlio Costa, não tentou fugir, deixando-se capturar.”

“Depois de ter morto Sidónio Pais, José Júlio da Costa, foi preso e brutalmente agredido, logo ali no local, e levado posteriormente para a Escola de Guerra onde sofreu novos suplícios no seu corpo já ensanguentado.

Preso, José Júlio da Costa sofreu todo o tipo de agressões, incluindo disparos, a meio da noite, para dentro da cela.

José Júlio da Costa morreu a 16 de Março de 1946, no Hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa, com 52 anos de idade, com a razão toldada por 28 anos de prisão sem nunca ter sido julgado, completamente esquecido nas prisões do regime.”

Carta de JOSÉ JÚLIO DA COSTA, escrita dois dias antes do atentado, confessando o acto que se propunha fazer ao seu amigo Francisco Ernesto Goes, proprietário na Barquinha:

 

(1ª folha) Lisboa, 12 de Dezembro de 1918

Meu caro amigo Ernesto

Não avistei a pessoa que me preocupa, espero que o encontro será no dia 14, e oxalá possa eu prestar com o meu sacrifício o fim que tantas almas anceiam. Hoje falei com o Dr. Magalhães Lima, elle está muito doente receio muito pela sua vida que tão preciosa é a esta nossa tão amada terra. Não me foi possível falar-lhe no magno assunto, nem talvez tenha já tempo de o fazer. Deixá-lo depois que façam o que o seu sentimento patriótico lhes designar

(2ª folha) Não é tão fácil como me pareceu a minha Missão, mas com um pouco de arrojo posso consegui-lo. Levo do lado do meu coração o envolto na nossa bandeira a estrofe que te faço cópia. Mandei tirar fotografias grandes no Grandella, não tenho tempo de te enviar uma por isso te recomendo que requisites depois alguma para ofereceres aos nossos camaradas de ideias. Não tenho ninguém comprometido no meu gesto, só eu! Abraça-te o teu amigo

José Júlio da Costa

O ambiente de tensao manteve-se desde entao e está na justificação do 28.05.26 e na raiz do 18.01.34!

 

Voltando ao 18.01.34, a verdade é o movimento foi rápida e facilmente controlado pelo regime que, em antecipação, procedera a uma série de prisões. 

A greve teve reslmente adesão e duração limitadas.

Em Almada, Barreiro, Silves ou Sines os trabalhadores entraram em greve, em Lisboa rebenta uma bomba no Poço do Bispo, é cortado o caminho de ferro em Xabregas e na Póvoa de Santa Iria dá-se um aparatoso descarrilamento.

Em Coimbra explode uma bomba na central elétrica.

Em Leiria as comunicações são cortadas.

Assinalam-se ainda explosões na via férrea de Martingança, sabotagens em Tunes ou a obstrução da estrada entre Vila Boim e Terrugem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

s de Revolução Social.

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Familares de presos

O 18 de Janeiro, de um modo geral, e em particular as comemorações do “levantamento heroico”viiie a figura “mítica” de José Gregório, suscitaram polémicas, interpretações, análises, debates, conferências, deturpações e omissões propositadas, tentativas de aproveitamento e de apropriações, ódios e paixões violentas, desde os protagonistas mais diretos, passando pelos sobreviventes, políticos, historiadores e investigadores. Até os socialistas reivindicaram o legado histórico da revolta operária da Marinha Grande, quando o dirigente máximo do PSP na altura, Ramada Curto, além de não ter hostilizado o “Estado Novo”, escreveu sobre as vantagens da legislação laboral corporativa, contra a qual se rebelou o proletariado de forma violenta.

Enquanto Mário Castelhano e Bento Gonçalves sucumbiram dolorosamente no cárcere tarrafalista, Ramada Curto ainda tentou, nos anos 40, reativar o Partido Socialista de forma legal. Só que, para Salazar, bastava unicamente a União Nacional.

A terminar, tudo leva a crer que o 18 de Janeiro representou o fim de uma época ao marcar uma rotura no movimento operário português. Por um lado, constituiu o termo de mais de meio século de sindicalismo livre, embora não deixasse de ser condicionado, consumando-se assim a liquidação da autonomia operáriaix. Por outro lado, representou o termo definitivo da hegemonia do anarco-sindicalismo no seio do movimento operário, que vinha desde os inícios da I República. O 18 de Janeiro também constituiu o fim de um período do próprio Partido Comunista, ainda muito impregnado pela ideologia e conceções do “reviralhismo” e do anarco-sindicalismo. A reorganização dos anos 40 vai “reconstruir” um outro tipo de Partido. Finalmente, ainda no rescaldo de mais uma, e da maior derrota operária do século XX, Salazar elegeu o comunismo como o principal inimigo a abater.

Para a história do movimento operário português, o 18 de Janeiro de 1934 faz parte da sua memória, em que os acontecimentos da Marinha Grande assumem um papel de relevo. A própria História dos factos, ao ser objeto de uma disputa tão furiosa, abriu o campo do Mito que, por sua vez, acabou por mitificar os acontecimentos. Em suma, se a História cedeu lugar ao Mito, este foi catapultado para o campo da Mitificaçãox. Mas a História, de forma progressiva, tenta reocupar o seu lugar. Com este nosso trabalho, procuramos contribuir um pouco mais para a história do 18 de Janeiro. Mas temos a consciência de que muito falta ainda por fazer.

 

 

 

 

 

O 18 de Janeiro de 1934 é uma data que não pode ser esquecida na luta pela democracia. O movimento sindical promoveu uma jornada nacional contra a lei de criação dos sindicatos fascistas, que assume carácter insurreccional na Marinha Grande.

A insurreição falha, mas na Marinha Grande os operários vidreiros tomam o poder. Apenas por algumas horas, é certo, pois a repressão esmagaria a revolta.
Em Almada, Barreiro, Silves ou Sines os trabalhadores entraram em greve, em Lisboa rebenta uma bomba no Poço do Bispo, é cortado o caminho de ferro em Xabregas e na Póvoa de Santa Iria dá-se um aparatoso descarrilamento. Em Coimbra explode uma bomba na central eléctrica. Em Leiria as comunicações são cortadas. Assinalam-se ainda explosões na via férrea de Martingança, sabotagens em Tunes ou a obstrução da estrada entre Vila Boim e Terrugem.

Na Marinha Grande os acontecimentos atingem maiores proporções. Grupos de operários ocuparam o posto da GNR, o edifício da Câmara Municipal e os CTT e regista-se o atentado contra a residência de um industrial. É proclamado o efémero “soviete da Marinha Grande”.


Uma forte vaga de prisões e deportações de dirigentes comunistas e anarco-sindicalistas, vários participantes no 18 de Janeiro morreriam, mais tarde, no Tarrafal: Pedro Matos Filipe, Augusto Costa, Arnaldo Simões Januário, Casimiro Ferreira, Ernesto José Ribeiro, Joaquim Montes, Mário Castelhano, Bento Gonçalves, Manuel Augusto da Costa e António Guerra.


Com o assassinato de Bento Gonçalves e Mário Castelhano eram decapitadas as lideranças das duas correntes dominantes no movimento operário que haviam estado na realização do 18 de Janeiro: anarco-sindicalistas e comunistas, mas o seu exemplo de coragem continuaria a inspirar o operariado português. 

 

 

 

 

O silêncio embaraçado que os dirigentes revisionistas mantêm em torno do 18 de Janeiro (como de toda a história do PCP) tem dado espaço a uma campanha anarquista de recuperação dessa jornada, campanha que se impõe desmistificar.

A acreditar nos artigos que por estes dias têm saído na imprensa(1), o 18 de Janeiro teria sido obra quase exclusiva da CGT anarquista; a CIS, a Comissão Inter-Sindical Vermelha, teria uma implantação insignificante; a derrota do movimento seria culpa do Partido Comunista, por adiamentos sucessivos, por falta de secretismo ou até mesmo por denúncia à polícia! Todos estes disparates anarquistas estão a ser vendidos ao público com o apoio do PS e de outras forças social-democratas, interessados em fazer do 18 de Janeiro um trunfo do seu baralho ideológico). Mas a história não se faz com mentiras.

O Estertor da Agonia

Se a CGT agrupasse em 1933 mais de 100 sindicatos, em comparação com os 5 ou 6 da CIS — é Emídio Santana que o declara sem pestanejar — como se compreende que a força que as duas correntes revelaram no movimento fosse mais ou menos equilibrada? E como se compreende que, em face da repressão, a CGT se desmantelasse e a CIS prosseguisse?

As informações fantasistas sobre a “máquina organizativa” da CGT não resistem à confrontação com os factos; a CGT era já em 1933 uma organização paralisada, isolada das massas, em vias de desagregação. Nem podia ser de outro modo. Sem uma estratégia e uma táctica revolucionárias, sem métodos de luta clandestina, era impossível aguentar o fascismo. A CGT agonizava porque lhe tiravam a sua base de existência, o sindicalismo legal.

Precisamente porque não sabiam como conduzir a luta do proletariado nas novas condições da ditadura, os anarquistas não viam como acumular forças revolucionárias para a derrubar e não encontravam outra resposta à ilegalização dos sindicatos senão jogar tudo por tudo na greve geral revolucionária. Aventureirismo suicida e obtuso que ainda hoje Emídio Santana reivindica como uma glória: “Decidlu-se a greve geral revolucionária, fosse qual fosse o resultado”.

A Reboque da Tropa

Este desespero romanesco, impensável em homens que tivessem de facto à sua responsabilidade a direcção do movimento operário, encobria cálculos políticos tortuosos. Há muito que os chefes anarquistas tinham descoberto o elo que faltava na sua coxa teoria da revolução sem política: era o golpe militar, o “reviralho”.

Ao convocar a greve geral revolucionária, os dirigentes da CGT esperavam fazê-la coincidir com um golpe militar então em preparação. Esse golpe eclodiu prematuramente a 17 de Novembro no Regimento de Infantaria 10, em Bragança, mas estava prometida uma segunda fase.

Esta foi a origem dos sucessivos adiamentos da greve geral, que mais tarde se pretendeu atribuir aos comunistas. Esta a razão por que a CGT queria convocar a greve geral de surpresa (!), sem agitação prévia entre as massas operárias, sem manifestos, etc.

Lê-se numa obra anarquista: “A greve geral e a acção insurreccional, para poderem alcançar os seus objectivos, teriam de aparecer de surpresa”. E mais adiante “A CIS mantinha as suas reservas, teorizando as suas acções de massas”(2). Segundo a mesma,obra, o delegado da CIS, Álvaro Gonçalves, em reunião com Mário Castelhano, secretário-geral da CGT, ter-lhe-ia declarado que “a CIS nada tinha a ver com o movimento político (a sublevação dos oficiais) e entendia mesmo que os trabalhadores deviam ir sozinhos para o movimento, pois tinham força até para derrubar a ditadura”(3).

Dois Projectos

Assim se vê que, se o erro dos comunistas era sobrestimar infantilmente as possibilidades do movimento operário naquele momento, o erro dos anarquistas era de outro género: esperavam arrastar os operários para a greve através da revolta da tropa e de umas sabotagens; queriam usar o movimento operário como força de apoio da burguesia oposicionista.

Não há pois nenhum fundamento para as poses ultra-revolucionárias que adopta Emídio Santana. A corrente anarco-sindicalista funcionava já nessa altura como um apêndice social-democrata da burguesia liberal.

A diferença de atitudes entre comunistas e anarquistas esta de resto bem expressa na revolta da Marinha Grande. “A maior influência na Marinha Grande era bolchevista”, reconheceu um ano mais tarde o insuspeito Castelhano na fortaleza de Angra(4). Por isso, na Marinha Grande foi aplicado o plano do assalto à GNR e da criação do soviete operário, novo órgão do poder. Era a ideia comunista da insurreição operária e da tomada do poder a contrapor-se à ideia anarquista de fazer pressão só por baixo e não pensar no poder.

 

Por causa deste ambiente, o Partido Comunista não foi capaz de levar a caber um plano concertado de agitação, reuniões operárias, greves e manifestações contra a lei de fascização dos sindicatos. A CIS fez concessões à CGT. A táctica putchistadominou a táctica de massas — foi também Bento Gonçalves que o observou.

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Aquisição Histórica

O 18 de Janeiro foi dominado a meias pelo anarco-sindicalismo e pelo “esquerdismo” comunista. Significa isto que o seu balanço é totalmente negativo?

Aqueles que assim pensam perdem de vista o traço novo, original, que esse movimento inscreveu na luta de classes em Portugal — pela primeira e única vez até hoje. operários pegaram em armas por sua conta e colocaram-se como objectivo a instauração de um poder revolucionário dirigido pela classe operária

“O apelo dos operários de Petersburgo à insurreição, escreveu Lenineem 1905, não produziu efeito nem podia tê-lo tão cedo com eles desejavam. Será retomado mais uma vez ainda e as tentativas insurreccionais conduzirão talvez a novos insucessos. Mas o facto de a tarefa ter sido colocada pelos próprios operários tem uma importância colossal. O movimento operário, que tomou consciência do carácter premente e prático desta tarefa, que surgirá como iminente na próxima explosão popular, seja ela qual for, fez com isto uma aquisição que nada poderá roubar-lhe”.

Que a aquisição histórica do 18 de Janeiro oriente os nossos passos.

Só trilhando esse caminho realizaremos um dia a tarefa esboçada há 48 anos na Marinha Grande.

 

PRESOS TARRAFAL

 

 

Francisco José Pereira

1.º Artilheiro do «Bartolomeu Dias»

Data da morte:

20-09-1937

1.º Artilheiro do «Bartolomeu Dias» e militante da ORA-Organização Revolucionária da Armada, será o primeiro deportado a morrer de "febre biliosa", a 20 de setembro de 1937, menos de um ano após a sua chegada.  

 

Pedro de Matos Filipe

Profissão:

Descarregador

Data da morte:

20-09-1937

Militante libertário, foi preso na sequência da greve revolucionária do 18 de janeiro de 1934 e condenado em TME a 12 anos de degredo nas colónias.

 

Francisco Domingues Quintas

Profissão:

Industrial talhante

Data da morte:

22-09-1937

O industrial Francisco Quintas foi entregue, com os seus dois filhos, à PVDE pelas autoridades fascistas, no início da Guerra Civil de Espanha, sendo enviados para o Tarrafal. Padecendo de febre palustre e sem tratamento médico e medicamentoso, viria a falecer no Tarrafal, aos 47 anos de idade, a 22 de setembro de 1937. 

Os filhos permaneceram no Tarrafal, só sendo finalmente libertados em outubro de 1945.    

 

Augusto Costa

Profissão:

Vidreiro

Data da morte:

22-09-1937

Vidreiro, participa na revolta da Marinha Grande. Preso e foi condenado em TME a 5 anos de degredo, seguindo para Angra do Heroísmo nos Açores e, mais tarde, para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde morreu em 22 de setembro de 1937, sem assistência médica e medicamentosa, com 36 anos de idade.

 

Rafael Tobias Pinto da Silva

Data da morte:

22-09-1937

Relojoeiro e, enquanto estudante, militante dos Grupos de Defesa Académica desde 1932, assegurava a sua ligação com o Comité Local de Lisboa do PCP. Preso por duas vezes em 1934, foi absolvido pelo TME e ... enviado para o Tarrafal. Menos de um ano depois, em grande sofrimento, faleceu com 26 anos de idade, no dia 22 de setembro de 1937.

 

Cândido Alves Barja

Profissão:

1.º Artilheiro do «Bartolomeu Dias»

Data da morte:

26-09-1937

1.º Artilheiro do «Bartolomeu Dias», Entregue pelo respetivo comando, deu entrada na PVDE em 8 de setembro de 1936, "por insubordinação" (Revolta dos Marinheiros). Condenado pelo Tribunal Militar Especial "na pena de 5 anos de prisão maior celular, seguidos de 10 anos de degredo ou na alternativa de 17 anos e meio de degredo em possessão de 2.ª classe", é enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde virá a falecer a 26 de setembro de 1937, com 27 anos.

 

Abílio Augusto Belchior

Profissão:

Marmorista

Data da morte:

29-10-1937

Marmorista, Abílio Augusto Belchior foi preso por fazer parte da Confederação Geral do Trabalho e acusado de participar em atentados. Condenado a degredo, com prisão, foi enviado para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, e integrou a primeira leva de presos que seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde faleceu a 23 de outubro de 1937, com 39 anos de idade.

 

Francisco do Nascimento Esteves

Profissão:

Torneiro de metais

Data da morte:

21-01-1938

Torneiro de metais e militante comunista, preso e condenado em TME na pena de 20 meses de prisão correccional. Restituído à liberdade em 22 de fevereiro de 1936, foi novamente preso pela polícia política em 2 de maio de 1937 e enviado para o Tarrafal, em Cabo Verde, a 5 de junho de 1937. Morrerá, vítima do paludismo e das condições prisionais, no dia 21 de janeiro de 1938.

 

Arnaldo Simões Januário

Profissão:

Barbeiro

Data da morte:

27-03-1938

Barbeiro, 41 anos, militante da União Anarquista Portuguesa, conheceu a repressão no Governo Civil de Coimbra, no Aljube, na Trafaria e sofreu deportações para as colónias de Angola, Açores, Cabo verde e Timor. Regressado a Portugal em 1933, foi de novo preso após a greve insurreccional do 18 de janeiro e encarcerado no Aljube. Condenado a 20 anos de degredo, segue para a Fortaleza de S. João Baptista, na Ilha Terceira e, a 23 de outubro de 1936, para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Destruído fisicamente e sem cuidados médicos, sucumbe a uma biliosa, a 27 de março de 1938.

 

Alfredo Caldeira

Profissão:

Pintor-decorador

Data da morte:

01-12-1938

Pintor decorador e dirigente do PCP, 30 anos, morreu no Campo de Concentração do Tarrafal de uma biliosa, após longo sofrimento por falta de assistência médica, recusa de entrega de medicamentos e quando já terminara, há quase três anos, a pena a que fora condenado.

 

Fernando Alcobia

Profissão:

Vendedor de jornais

Data da morte:

19-12-1939

Vendedor de jornais e militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas e do PCP, foi violentamente torturado pela polícia política e enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde onde, em grande sofrimento e sem assistência, morreu a 19 de dezembro de 1939, com 24 anos de idade.

 

Jaime da Fonseca e Sousa

Profissão:

Impressor da Casa da Moeda

Data da morte:

07-07-1940

Funcionário Público (impressor da Casa da Moeda) e militante do Partido Comunista Português foi preso a 25 de abril de 1932. Enviado para a Fortaleza de S. João Batista, em Angra do Heroísmo, nos Açores, a 22-11-1933. Julgado em Tribunal Militar Especial, foi condenado em 12 anos de degredo. Requereu a sua transferência para um hospital de Lisboa a fim de ser operado, o que foi autorizado pelo ministro do Interior, mas foi operado em Angra. Seguiu para o Tarrafal, onde vem a falecer a 7 de julho de 1940.

 

Albino Coelho Júnior

Profissão:

Motorista

Data da morte:

11-08-1940

Motorista, preso pela primeira vez em 09-12-1936, conhece várias outras prisões e a violência do "segredo" da Cadeia do Aljube, sendo depois deportado para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde virá a morrer em 11 de agosto de 1940, com a idade de 43 anos.

 

Mário dos Santos Castelhano

Profissão:

Empregado de comércio

Data da morte:

12-10-1940

Preso mais uma vez a 15 de Janeiro, três dias antes da data de eclosão da greve geral revolucionária, foi condenado pelo Tribunal Militar Especial, a 16 anos de degredo. Embarcou em 8 de Setembro de 1934, com destino à Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo e, em 23 de Outubro de 1936, foi levado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde virá a morrer, a 12 de Outubro de 1940, aos 44 anos de idade.

 

Jacinto de Melo Faria Vilaça

Profissão:

Aluno de manobras do "Bartolomeu Dias"

Data da morte:

03-01-1941

Aluno de manobras do "Bartolomeu Dias", nascido a 04-05-1914 em Lisboa, acusado de "insubordinação", foi entregue à PVDE pelas autoridades de Marinha em 8 de setembro de 1936, "recolhendo ao 3.º Posto da 14.ª Esquadra - «Mitra»". Dez dias depois, dá entrada na Penitenciária. Ccondenado pelo Tribunal Militar Especial na pena de 4 anos de prisão maior celular seguidos de 8 anos de degredo - apresentado recurso.Em 17 de outubro de 1036, embarca para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde vai falecer em 3 de janeiro de 1941, com 27 anos.

 

Henrique Vale Domingues Fernandes

Profissão:

Grumete de manobras do NRP «Bartolomeu Dias»

Data da morte:

07-01-1941

Grumete de manobras do "Bartolomeu Dias foi entregue à PVDE pelas autoridades de Marinha na sequência da Revolta dos Marinheiros. É enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, em 17 de outubro de 1936. Morre a 7 de janeiro de 1942, com 28 anos.

 

Casimiro Júlio Ferreira

Profissão:

Funileiro

Data da morte:

23-09-1941

Funileiro, participou na greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934, sendo deportado para os Açores e, mais tarde para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde vem a falecer em 23 de setembro de 1941, com a idade de 32 anos.

 

Albino António de Oliveira de Carvalho

Profissão:

Comerciante

Data da morte:

22-10-1941

Albino António de Oliveira de Carvalho, comerciante, passou mais de 40 anos a caminho da cadeia, sendo várias vezes preso durante a Monarquia, I República, Ditadura Militar e Estado Novo. Conheceu diversas esquadras, a Penitenciária de Lisboa, o Aljube, Peniche e Caxias. Esteve deportado em Angola e faleceu, em 22 de outubro de 1941, com 56 anos de idade, no Campo de Concentração do Tarrafal, para onde fora enviado em 1939.

 

António Guedes Oliveira Silva

Profissão:

Motorista

Data da morte:

03-11-1941

Motorista, 40 anos, preso em 7-11-1937, é sucessivamente transferido entre a 1.ª Esquadra, as Cadeias do Aljube e de Caxias e a enfermaria do Aljube, até ser condenado a 11 anos de degredo pelo Tribunal Militar Especial e embarcar a 1 de abril de 1939 para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde virá a morrer em 3 de novembro de 1941.

 

João Lopes Diniz

Profissão:

Canteiro

Data da morte:

12-11-1941

Com a profissão de canteiro, militante do Partido Comunista Português, foi condenado a dez anos de degredo com "prisão numa das Colónias à escolha do Govêrno". Percorreu as cadeias do Aljube, de Peniche e de S. João Batista, até ser enviado para o Tarrafal, onde faleceu em 12 de novembro de 1941, com 37 anos de idade.

 

Ernesto José Ribeiro

Profissão:

Servente de pedreiro

Data da morte:

08-12-1941

Servente de pedreiro e militante comunista, participa nos preparativos da greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934, sendo preso a 29 de janeiro. Deportado para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, nos Açores, integrou a primeira leva de presos políticos que foi enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde faleceu a 8 de dezembro de 1941, aos 30 anos de idade.

 

Bento António Gonçalves

Profissão:

Torneiro mecânico

Data da morte:

11-09-1942

Bento António Gonçalves, torneiro mecânico e Secretário-Geral do Partido Comunista Português faleceu, no Campo de Concentração do Tarrafal, vítima de uma biliose, sem a devida assistência médica, quando já tinha cumprido a pena a que fora condenado pelo Tribunal Militar, em 11 de setembro de 1942, com 40 anos de idade.

 

Damásio Martins Pereira

Profissão:

Servente

Data da morte:

11-11-1942

Servente. Da sua ficha prisional, não consta a deportação anterior para Timor, que teria sido provocada por ter fome e pedir pão. Em 5 de junho de 1937, embarcou para o Tarrafal, em Cabo Verde, onde contraíu paludismo e biliosa. Sem assistência médica nem medicamentosa, só baixou à enfermaria nos últimos três dias de vida, onde permaneceu até falecer no dia 11 de novembro de 1942, aos 37 anos de idade.

 

António de Jesus Branco

Profissão:

Descarregador

Data da morte:

28-12-1942

Descarregador no Porto de Lisboa e militante comunista, foi preso pela PVDE em 12-07-1936 e enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde permanecerá 6 anos, acamado e dependente da dedicação dos companheiros durante os últimos dois anos, doente com paludismo e tuberculose e crescentemente debilitado pela doença e falta de assistência médica.. Faleceu no Tarrafal em 28 de dezembro de 1942. com 36 anos de idade.

 

Paulo José Dias

Profissão:

Fogueiro marítimo

Data da morte:

13-01-1943

Fogueiro marítimo, libertário, foi preso em 7 de julho de 1939, acusado de relações com a União Geral dos Trabalhadores de Barcelona. Nunca foi julgado, sendo remetido, em 21 de junho de 1940, para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cab

 

 

 

Joaquim Montes

Profissão:

Corticeiro

Data da morte:

14-02-1943

Militante anarquista, participou na greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934. Acusado de bombista e de ter provocado a paralização do trabalho em Almada, foi condenado pelo TME a 14 anos de degredo nas colónias, estando preso dois anos na Fortaleza de S, João Batista, em Angra do Heroísmo e quase 7 anos no Tarrafal, onde morreu em 14 de fevereiro de 1943, com 31 anos de idade.

 

José Manuel Alves dos Reis

Profissão:

Marceneiro

Data da morte:

11-06-1943

Marceneiro e libertário, foi entregue à PVDE pelo Administrador do Concelho do Barreiro. Sem nunca sequer ser "julgado", segue para o Tarrafal a 5 de junho de 1927, vindo a morrer, no dia 11 de junho de 1943, com a idade de 49 anos, quando já  "dependia da ajuda dos companheiros, para se recostar nos travesseiros, para comer, para lhe lavarem a roupa, os pratos, as colheres".

 

Francisco do Nascimento Gomes

Profissão:

Condutor de carros elétricos

Data da morte:

15-11-1943

Enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, o seu estado de saúde deteriora-se, com as deficientes condições de higiene e salubridade, a ausência de assistência médica e medicamentosa e diversos castigos na "frigideira" (entre maio e julho de 1943, aí passou dois meses de castigo).Apesar de condenado em 3 anos pelo TME, a PVDE o manteve durante quatro anos e oito meses, até à sua morte, em 15 de novembro de 1943, com 34 anos de idade. 

 

Edmundo Gonçalves

Profissão:

2.º sargento

Data da morte:

13-06-1944

Preso pela PVDE em 09-05-1935 e,de novo, a 06-12-1936, será demitido e condenado em Tribunal Militar Especial, a 23-04-1937, na pena de 4 anos de desterro. No dia 5 de junho de 1937, é enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde virá a falecer no dia 13 de junho de 1944, com 44 anos de idade.

 

Manuel Augusto da Costa

Profissão:

Servente de pedreiro

Data da morte:

03-06-1945

Militante anarquista, foi preso a 30 de janeiro de 1934 pela sua participação na greve revolucionária do 18 de janeiro e condenado pelo TME a 14 anos de degredo nas colónias. Embarcado em 8 de setembro de 1934 para a Fortaleza de S. João Batista, em Angra do Heroísmo, nos Açores, é transferido para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, dois anos depois, em 23-10-1936. Faleceu aos 58 anos, a 3 de junho de 1945, poucos dias depois de ter cumprido 30 dias de castigo na “frigideira”.

 

Joaquim Marreiros

Profissão:

Grumete de manobras do «Bartolomeu Dias»

Data da morte:

03-11-1948

Grumete de manobras do "Bartolomeu Dias", acusado de "insubordinação" (Revolta dos Marinheiros), foi entregue à PVDE pelas autoridades de Marinha e condenado pelo TME na pena de 4 anos de prisão maior celular seguidos de 8 anos de degredo. Em 18 de setembro de 1936, embarcou para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde irá falecer em 3 de novembro de 1948, com 38 anos.

 

António Guerra

Profissão:

Empregado de escritório

Data da morte:

28-12-1948

Um dos dirigentes da greve revolucionária de 18 de janeiro de 1934 na Marinha Grande, morre no Campo de Concentração do Tarrafal, a 28 de dezembro de 1948, para onde fora mandado pela segunda vez, após 14 anos de prisão. 

 

PRESOS das COLONIAS no TARRAFAL

 

António Pedro Benge

Data da morte:

13-09-1962

Natural de Cabinda, pertenceu aos primeiros movimentos nacionalistas angolanos. António Pedro Benge é preso pela PIDE a 29 de março de 1959 e vai integrar o primeiro processo do que ficou conhecido como “processo dos 50”. Condenado pelo Tribunal Militar a 10 anos de prisão, foi enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal/Chão Bom em 26 de fevereiro de 1962, aos 60 anos de idade. Morreu em Setembro de 1962 em Lisboa, para onde fora transferido para internamento hospitalar. 

 

Cutubo Cassamá

Data da morte:

12-11-1962

Cotubo Cassamá chegou ao Tarrafal a 4 de setembro de 1962. Amontoado com outros presos numa sala de tamanho insuficiente, sem recreio, sem possibilidade de tomar banho, morreu escassos escassos dois meses depois da chegada ao campo, a 12 de novembro de 1962, com 54 anos de idade, de alegada "pneumopatia aguda" 

 

Biaba Nabué

Data da morte:

24-11-1962

Biaba Nabué chegou ao Tarrafal em 4 de setembro de 1962. Amontoado com outros presos numa sala de tamanho insuficiente, sem recreio, sem possibilidade de tomar banho, morreu a 24 de novembro de 1962. Tinha 45 anos.

 

Chipóia Magita

Data da morte:

13-05-1970

Natural do Luso, Moxico, de etnia Quioca (Tshokwe), foi preso na companhia de um sobrinho. Acusado de ligações à UNITA, foi condenado pelo Tribunal Militar a uma pena de prisão de 3,5 anos. Enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal/Chão Bom, deu ali entrada a 8 de agosto de 1969, com 54 anos de idade. Morreu a 13 de maio de 1970. Levado para o Hospital da Praia, em Cabo Verde, foi ali sepultado, em vala comum. 

 

 

CONCLUSAO

 

Vivemos dias dificeis e tempos de elevada insegurança a merecer que o 18 de janeiro de 2026 seja alvo de muito atenta reflexao!

Jogar num classe contra classe quando a fragilidade está do nosso lado nao é a estratégia adequada sendo certo que a luta por vezes a tal obriga

Nao era o caso!

É tempo de decisões politicas pacificas mas firmes e democraticas capazes de defender a Constituição da Republica!

Ha que votar Antonio José Seguro !