Foi a primeira vez em 12 anos no poder que uma emenda constitucional proposta pelo governo do partido Bharatiya Janata (BJP) de Narendra Modi não foi aprovada pelo parlamento.
Este foi vivido entre um intenso debate, com o governo acusado de um “ataque à democracia” por ter condicionado um projeto de lei que reservava um terço das cadeiras parlamentares para mulheres a um exercício mais amplo e controverso de “delimitação”.
O processo redesenharia os distritos eleitorais parlamentares com base na população, segundo o censo de 2011, e aumentaria o número de deputados na câmara baixa de 543 para cerca de 850.
Por se tratar de uma medida constitucional, o projeto de lei exigia uma maioria de dois terços, o que dificultou sua aprovação pelo BJP e sua Aliança Democrática Nacional, que não possui maioria absoluta.
Na contagem final, 298 deputados votaram a favor e 230 contra.
Os partidos de oposição da Índia, frequentemente fragmentados, demonstraram uma rara unidade na luta contra o projeto de lei. Priyanka Gandhi Vadra, membro do Congresso Nacional Indiano, classificou-o como um "ataque aberto" à democracia.
Tambem uma outra figura importante, Gaurav Gogoi, acusou o governo Modi de tentar "impor" a redefinição dos distritos eleitorais por vias indiretas.
A delimitação de distritos eleitorais é uma das questões federais mais controversas na Índia particularmente polemica em estados do sul mais prósperos, como Tamil Nadu e Kerala, que apresentaram crescimento populacional reduzido nos últimos anos e temem que sua representação política seja prejudicada.
Já os estados do norte, mais pobres e populosos – considerados o reduto político do BJP – são os que mais têm a ganhar em termos de assentos, caso os distritos eleitorais sejam redesenhados.
A última vez que o mapa eleitoral da Índia foi redesenhado foi em 1971, e os estados do sul querem que essas fronteiras permaneçam inalteradas por mais 25 anos.
Deputados do Dravida Munnetra Kazhagam (DMK), partido que governa Tamil Nadu, chegaram ao parlamento na sexta-feira vestidos de preto em sinal de protesto.
No dia anterior, o governador de Tamil Nadu, MK Stalin, descreveu o projeto de lei como uma “punição” para os estados do sul e queimou uma cópia em frente ao parlamento.
Os parlamentares da oposição questionaram por que é que a representação feminina havia sido vinculada a uma manobra política muito maior.