A Poesia  surgiu como uma arte oral, misturando ritmo, música e palavra para preservar mitos, histórias, leis e crenças de uma comunidade. 

A poesia começou como uma forma de cantar ou recitar histórias, facilitando a memorização de lendas e mitos. Era uma expressão rítmica e musical, muitas vezes inseparável da dança e do canto.

A palavra deriva do grego poesis, que significa "criação" ou "o ato de fazer".

Os primeiros registros escritos de poesia, datados de 5 a 10 mil anos atrás, surgiram na forma de epopeias (como a Epopeia de Gilgamesh) e textos sagrados (como o Mahabharata) na Índia, Mesopotâmia e China.

Na Europa, a poesia ganhou força com os trovadores, que cantavam poemas líricos e amorosos, muitas vezes acompanhados por instrumentos musicais.

Com o tempo, a poesia passou da oralidade para a escrita, evoluindo para formas fixas (como o soneto) e, mais recentemente, formas livres no século XX

 

Alguns Poemas/Poetas

 

Uaçai Lopes

Sim, a poesia é uma bomba

mais perigosa que o urânio enriquecido.

A bomba de urânio explode

e com o passar do tempo o seu perigo desaparece.

Mas o poema nunca se esvai

e, mesmo quando morre a fonte

que é o poeta:

o poema fica,

                permanece,

e sua beleza, aos inimigos é o que mais aborrece.

 

Salvador, Bahia, Brasil

26 de junho de 2025

 

 

Paulo Martins

 

 

Se os verbos são explícitos, os substantivos e adjetivos os acompanham; seios, lábios, carne, sangue, braços, coxas, peitos, clitóris, sexo, virgindade, nua, mel, ambrosia, ardências, rosa rubra, gozo em lava, furor viril, lascívia cor de anil… E as palavras não soam independentes; as expressões nas quais elas entram ampliam os seus significados, num fenômeno contínuo de apelo ao subtendido:

 

Eu te ofereço mel, em tardes calmas.

 

ou

 

Nada de flor, bem mais tens de bromélia.

 

Ou ainda

 

Abres-me o sonho em púrpura de flor,

De fruto mesmo, doce e multicor;

De canto em ramos, vésperas de amor.

 

 

 

Hans Arp

 

 

PONTEIRO DOS SEGUNDOS

que eu quando eu
um e dois é
que eu quando eu
três e quatro é
que eu quando eu
o que dizer
que eu quando eu
tiques e taques isto
que eu quando eu
cinco e seis é
que eu quando eu
sete e oito é
que eu quando eu
se isto pára
que eu quando eu
se isto for isto
que eu quando eu
nove e dez que
que eu quando eu
11 e 12 isto.

 

 

 

LOUIS ARAGON (1897-1982)

VELHO COMBATENTE

Fiz parte do movimento Dada

Dizia o dadaista

Fiz parte do movimento Dada

E havia feito na verdade

 

 

 

AIMÉ CÉSAIRE (1913-2008)

SOL SERPENTE

Sol serpente olho fascinante meu olho

e o mar infestado de ilhas crepitando nos dedos das rosas lança-chamas

e meu intacto corpo de fulminado

a água ergue as carcaças de luz perdidas no corredor sem bombeamento

turbilhões de gelo aureolam os corações fumegantes dos corvos

nossos corações são a voz dos relâmpagos domesticados

rodopiando nas suas dobradiças trincadas

transmissão de lagartixas à paisagem de vidros quebrados

são as flores vampiras no lugar das orquídeas elixir do fogo central

fogo apenas fogo noturno sobre a mangueira coberta de abelhas

o meu desejo é um acaso de tigres surpresos nos enxofres

mas o despertar de estanho se doura com jazidas infantis

e o meu corpo de seixo comendo peixe

comendo pombas e sono

o açúcar da palavra Brasil no fundo do pantanal

 

 

PAUL ÉLUARD (1895-1952)

O ESPELHO DE UM INSTANTE

Dissipa o dia

Mostra aos homens imagens livres da aparência

Retira dos homens o poder da distração

É duro como a pedra

A pedra sem forma

A pedra do movimento e da visão

E tanto resplandece que todas as couraças, todas as máscaras falseiam

O que a mão tomou recusa tomar a forma da mão

O que foi compreendido já não existe

O pássaro confundiu-se com o vento

O céu com a sua verdade

O homem com a sua realidade