E como segunfo o deputado do PS, "nas sessões solenes não há espaço, normalmente, para protestos ou para coisas similares", foi esta forma que encontrou de deixar a sua nota de desagrado.
"É sabido que tenho trabalhado muito nestes temas, se calhar levo a peito, de forma mais próxima, uma forma tão agressiva como o Presidente da Assembleia da República o fez, até jocosa que não correspondeu àquilo que devia ser a função do Presidente da Assembleia como guardião da instituição parlamentar e das instituições", acrescentou.
Pedro Delgado Alves saudou que o Presidente da República, António José Seguro, tenha tido a "oportunidade de sublinhar a importância que estes temas têm".
"Acho que, infelizmente, é sinal preocupante, de que também já temos visto de outros dirigentes políticos, que querem diminuir o escrutínio, diminuir os registos de interesses, diminuir a capacidade do cidadão de escrutinar a atividade política e, portanto, olhe, saiu assim", disse.
Questionado sobre se não temia que este virar de costas fosse considerado falta de respeito, o deputado do PS referiu que lhe foi transmitido que, depois de se ter levantado, "houve deputados de outros partidos que depois proferiram impropérios com recurso a jargão vernacular".
Portanto, se eles não tiverem um processo disciplinar também acho estranho que uma pessoa apenas se levante e vire as costas, que isso seja motivador de protesto", respondeu.
Pedro Delgado Alves afirmou que escolheu "a única forma" de "não perturbar a cerimónia, mas que também permitiu deixar nota" sobre o que sentia, afirmando que não se arrepende.
"O Presidente da República acompanha estes temas há muito tempo, não saberia seguramente que o Presidente da Assembleia da República ia precisar de refutação, portanto acho que não tinha sido a !intenção, ou seja, trá-lo-ia como parte da sua intervenção, mas forneceu o equilíbrio que a cerimónia necessitava e que o país precisava de ouvir, de que pelo menos na Presidência da República temos alguém que está atento a estes temas e que não deixará que haja rolos compressores a passar por cima da transparência", enfatizou.
O presidente da Assembleia da República criticou hoje a proliferação de legislação para limitar o exercício de cargos políticos, advertiu que os remédios populistas fecham a política e defendeu que o serviço público precisa dos melhores.
Uma intervenção em que criticou a legislação sobre incompatibilidades e impedimentos aplicadas aos titulares de cargos políticos, sobretudo de deputados, que foi aplaudida sobretudo pelas bancadas do PSD e Iniciativa Liberal, mas que mereceu o protesto do vice-presidente da bancada socialista Pedro Delgado Alves: Levantou-se de costas após o fim do discurso do presidente da Assembleia da República.