Eurico Brilhante Dias começou por revelar que esteve desde a madrugada de hoje em contactos com "diferentes entidades, não só do parlamento, mas, também, com outros órgãos de soberania". E o PS entendeu dar anuência a que o debate quinzenal fosse remarcado para sexta-feira, de manhã, por entender que "o senhor primeiro-ministro devia poder estar hoje em Coimbra".
"Perante essa vontade do primeiro-ministro e do Governo, o PS anuiu a que, de facto, o debate quinzenal passasse para a próxima sexta-feira, de manhã. Devo dizê-lo que o fizemos considerando a particular situação em que está o Governo. Uma situação em que, de facto, o primeiro-ministro é também ministro da Administração Interna", apontou, numa alusão à demissão de Maria Lúcia Amaral, comunicada na terça-feira à noite.
Por outro lado, segundo o presidente do Grupo Parlamentar do PS, a situação atual vivida em Coimbra "coloca em risco a vida de pessoas, não apenas do património".
Nesse sentido, "a gravidade do momento impunha o acompanhamento dos titulares de órgãos de soberania, em particular do Governo e do Presidente da República", acrescentou.
"Porém, a nossa anuência é no sentido de permitir que hoje o primeiro-ministro se desloque a Coimbra, salientando que a Assembleia da República é também um órgão de soberania e que não devemos criar um quadro de adiamento que seja um quadro de adiamento indefinido. Por isso o PS sublinha que a sua anuência foi uma anuência dupla: ao adiamento de hoje; mas, também, ao agendamento imediato do debate quinzenal para sexta-feira de manhã", afirmou Eurico Brilhante Dias.
O loder da bancada do PS observou depois que, do ponto de vista político, esse adiamento do debate quinzenal para sexta-feira "teve a anuência de todos os grupos parlamentares".
O presidente da Assembleia da República convocou com urgência, para hoje, às 17:00, uma reunião da conferência de líderes parlamentares para estabelecer em definitivo a data do debate quinzenal com o primeiro-ministro, que está adiado para sexta-feira.
Apesar desta marcação para sexta-feira, a Iniciativa Liberal, porém, tem contestado que o debate quinzenal com a presença de Montenegro seja remarcado para essa data, considerando que, nessa altura, a situação ainda será grave em várias zonas do território continental nacional, sobretudo por causa das chuvas intensas e persistentes.
Segundo fontes parlamentares, a Iniciativa Liberal comunicou ao presidente da Assembleia da República que aceitava o adiamento do debate quinzenal previsto para hoje, acrescentando que propunha que fosse reagendado apenas para a próxima semana.
Esta posição não foi entendida como uma recusa tácita por parte da bancada liberal em relação ao agendamento do debate para sexta-feira.
Ou seja, "verificou-se que a comunicação enviada partiu do pressuposto de que havia anuência unânime quanto à realização do debate na próxima sexta-feira, dia 13 de fevereiro, às 10:00", mas, "subsequentemente, foi sinalizado que a posição não corresponde a essa interpretação", salientam fontes parlamentares.
O líder do PS concordou hoje em adiar o debate quinzenal para não limitar a responsabilidade do primeiro-ministro numa "situação de emergência crítica"