De recordista de votos em 2018 a figura central em encontros com Steve Bannon, ex-estrategista de Trump e arquiteto da Cambridge Analytica, Eduardo parecia destinado a um papel de destaque na rede internacional da extrema-direita. Foram mais de 125 reuniões com líderes conservadores, a importação do CPAC Brasil e uma aliança estratégica que prometia reposicionar o país no xadrez político global.
Mas as promessas não resistiram ao escrutínio da realidade. Documentos da Polícia Federal revelaram que sua mudança para os EUA foi menos uma missão estratégica e mais uma fuga das investigações no Brasil. O apoio financeiro milionário de Jair Bolsonaro, transferido via Pix, acabou servindo de prova contra o próprio ex-presidente, hoje com tornozeleira eletrónica.
Nos Estados Unidos, Eduardo viu a sua relevância minguar. O governo Trump desmentiu reuniões que ele alardeava, tarifas anunciadas como vitórias revelaram-se um blefe e até aliados começaram a questionar o custo político de manter a associação com os Bolsonaro. Em julho, um desentendimento familiar expôs fissuras profundas: mensagens interceptadas pela PF mostraram Eduardo insultando o próprio pai.
O desfecho não poderia ser mais amargo. Indiciado por crimes como coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de direito, Eduardo Bolsonaro passou de herdeiro promissor a um problema diplomático sem precedentes. Para os EUA, a aliança com os Bolsonaro tornou-se um fardo. Para o Brasil, um constrangimento. Para a própria família, um abismo.
No final, a lição é clara: soft power não se constrói com chantagem e desinformação, mas com credibilidade e respeito. Eduardo deixou o Brasil em março de 2025 como herdeiro de um legado; em setembro do mesmo ano, era visto como um problema para todos os lados — incluindo Trump.
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Foto de destaque: Criaacao de IA