Março de 2025 parecia ser o início de uma nova fase na trajetória de Eduardo Bolsonaro. O deputado federal mais votado da história do Brasil embarcou para os Estados Unidos com a missão de salvar a família do colapso político.

No entanto, oito meses depois, longe de se afirmar como líder internacional, tornou-se um peso incômodo não apenas para o clã Bolsonaro, mas até para Donald Trump, seu maior aliado.

De recordista de votos em 2018 a figura central em encontros com Steve Bannon, ex-estrategista de Trump e arquiteto da Cambridge Analytica, Eduardo parecia destinado a um papel de destaque na rede internacional da extrema-direita. Foram mais de 125 reuniões com líderes conservadores, a importação do CPAC Brasil e uma aliança estratégica que prometia reposicionar o país no xadrez político global.

Mas as promessas não resistiram ao escrutínio da realidade. Documentos da Polícia Federal revelaram que sua mudança para os EUA foi menos uma missão estratégica e mais uma fuga das investigações no Brasil. O apoio financeiro milionário de Jair Bolsonaro, transferido via Pix, acabou servindo de prova contra o próprio ex-presidente, hoje com tornozeleira eletrónica.

Nos Estados Unidos, Eduardo viu a sua relevância minguar. O governo Trump desmentiu reuniões que ele alardeava, tarifas anunciadas como vitórias revelaram-se um blefe e até aliados começaram a questionar o custo político de manter a associação com os Bolsonaro. Em julho, um desentendimento familiar expôs fissuras profundas: mensagens interceptadas pela PF mostraram Eduardo insultando o próprio pai.

O desfecho não poderia ser mais amargo. Indiciado por crimes como coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de direito, Eduardo Bolsonaro passou de herdeiro promissor a um problema diplomático sem precedentes. Para os EUA, a aliança com os Bolsonaro tornou-se um fardo. Para o Brasil, um constrangimento. Para a própria família, um abismo.

No final, a lição é clara: soft power não se constrói com chantagem e desinformação, mas com credibilidade e respeito. Eduardo deixou o Brasil em março de 2025 como herdeiro de um legado; em setembro do mesmo ano, era visto como um problema para todos os lados — incluindo Trump.

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Foto de destaque: Criaacao de IA