A Espanha pelo contrario tem dado "exemplos pragmáticos" de como ajudar as empresas numa altura em que se "exige que se ponha travão" ao aumento dos custos.
Este Governo AD/PSD/CDS de Montenegro opta por "anunciar sistematicamente" linhas de créditos, que são sinónimo de "endividamento" crítica feita pelo presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) na TSF, depois de o primeiro-ministro ter anunciado na quinta-feira o lançamento de uma linha de apoio de 600 milhões de euros destinada a financiar as empresas cujos custos da energia representam mais de 20% dos seus custos de produção.
Jorge Pisco lamenta a "pompa e circunstância" com que o Executivo tem anunciado este tipo de iniciativas, que não vão "ao encontro das necessidades das empresas em Portugal", por representarem uma forma de "endividamento"das mesmas à banca.
Com o mundo a braços de uma "grave crise económica" que ameaça instalar-se, o líder da CPPME defende que este é um contexto que "exige" que o Estado coloque um "travão" ao aumento dos custos.
"Linhas de crédito são endividamentos para as empresas. Logo, não estamos de acordo com este tipo de medidas", assume.
É mesmo "muito difícil" para as empresas nacionais estarem a contrair dívidas, acedendo a linhas de crédito que obrigam ao pagamento de "juros altíssimos", mesmo com as bonificações anunciadas pelo Executivo, por exemplo, de 80% para as pequenas e médias empresas.
"Não é assim que se vai resolver a situação", declara.
Jorge Pisco sugere que seja criada uma "vida verde" para a liquidez a fundo perdido num processo que deve ser desburocratizado, assim como a reserva de 75% do PTRR para as micro, pequenas e médias empresas.
A proteção do emprego, continua, deve ser feita em articulação com a Segurança Social. "
Estas são medidas que o Governo tem de tomar", resume.
O presidente da CPPME aponta que, em Espanha, tais medidas já foram adotadas, tornando-o num"exemplo pragmático" de como um Governo pode verdadeiramente ajudar as empresas.
Enquanto isso, porém, o Executivo português "vai dizendo que estuda, vai estudando, "talvez, vamos fazer, vamos ver" e a realidade é que são linhas de crédito aquilo que tem sistematicamente anunciado", nota.