O Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se esta segunda-feira, 5 de janeiro, numa sessão de esclarecimento aberta ao abrigo do ponto da agenda “Ameaças à paz e segurança internacionais”, para discutir a mais recente escalada de tensão em torno da Venezuela.

A reunião surge após pedidos formais de vários Estados-membros, num contexto diplomático marcado por acusações graves, reações cruzadas e apelos à contenção.

A Colômbia, membro não permanente do Conselho, solicitou uma reunião de emergência na sequência de uma alegada incursão militar dos Estados Unidos em território venezuelano, ocorrida a 3 de janeiro, durante a qual teriam sido detidas autoridades de topo, incluindo o presidente Nicolás Maduro Moros. As autoridades norte-americanas não confirmaram oficialmente esses factos, enquanto Caracas classifica o episódio como uma violação flagrante do direito internacional.

A tensão aumentou após declarações públicas do presidente Donald Trump, nas quais afirmou que Washington pretende “governar” a Venezuela por um período indeterminado — palavras que desencadearam forte reação diplomática e levantaram preocupações quanto à legalidade e às consequências regionais de qualquer administração externa.

No mesmo dia 3 de janeiro, a Venezuela enviou uma carta formal ao Conselho de Segurança solicitando igualmente uma reunião de emergência. O pedido recebeu o apoio explícito da China e da Rússia, que defenderam a necessidade de resolver a crise por vias diplomáticas, respeitando a soberania e a Carta das Nações Unidas.

A sessão contará com um briefing da Subsecretária-Geral para os Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, que deverá apresentar uma avaliação institucional dos desenvolvimentos recentes e dos riscos para a estabilidade regional. Está também prevista a intervenção de um representante da sociedade civil, reforçando a dimensão humanitária e de direitos humanos no debate.

Observadores diplomáticos sublinham que, independentemente da verificação factual das acusações em circulação, o encontro de segunda-feira será um teste à capacidade do Conselho de Segurança para conter escaladas unilaterais, promover a transparência e reabrir canais de diálogo. Num cenário já marcado por polarização geopolítica, a forma como o órgão máximo da ONU responderá poderá influenciar não apenas o futuro imediato da Venezuela, mas também o equilíbrio de poder e as normas que regem a segurança internacional.