O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, foi recebido na Reitoria da Universidade do Minho, em Braga, numa sessão que contou com a presença de estudantes, docentes e investigadores cabo-verdianos.

A visita, segundo ponto da sua agenda em Braga, confirmou o papel central que a academia minhota ocupa na formação da diáspora cabo-verdiana e no tecido de relações bilaterais entre os dois países.

A missão diplomática do Chefe de Estado insere-se na Presidência na Diáspora na Região Norte de Portugal, que decorre até 25 de abril e conta com o apoio da Embaixada de Cabo Verde em Portugal. 

Uma receção à altura da história

A receção foi a cargo do reitor Pedro Arezes, marcando o início de uma agenda focada na valorização do conhecimento e na cooperação. Após a assinatura do livro de honra no Salão Nobre, o Presidente reuniu-se com a comunidade estudantil cabo-verdiana, incluindo membros da Secção de Estudantes Africanos (SEA), liderada pelo cabo-verdiano David Ferreira — um encontro que revelou a vitalidade e a organização da diáspora jovem no espaço académico português.

A UMinho conta atualmente com 108 estudantes cabo-verdianos, a que se soma um vasto número de profissionais, colaboradores e antigos estudantes daquele arquipélago africano que hoje ocupam cargos de relevo nas mais diversas áreas. 

Para o reitor Pedro Arezes, a ocasião vai muito além do protocolo: a visita representa uma oportunidade de reforçar a cooperação entre as instituições de ambos os países, valorizando o conhecimento, a investigação e as pessoas. 

"Não há República sem universidade"

No seu discurso, José Maria Neves traçou uma linha direta entre educação superior e soberania nacional. O governante recordou que a criação de uma universidade nacional foi o passo definitivo para a soberania cabo-verdiana, afirmando que "quando criámos a Universidade de Cabo Verde, dizia na altura que tínhamos concluído a construção dos pilares da República. Não há República sem universidade." 

As palavras do Presidente eccoam com particular força num momento em que Cabo Verde afirma crescentemente a sua presença no mapa da cooperação académica internacional — e em que a diáspora surge não como distância, mas como extensão viva do país.

O Chefe de Estado desafiou ainda a UMinho a aprofundar as parcerias com instituições congéneres cabo-verdianas, em particular com a Universidade de Cabo Verde, reforçando a ideia de que a cooperação científica e académica é um dos pilares mais sólidos do relacionamento bilateral.

Homenagem ao Professor Wladimir Brito: a memória que une

Um dos momentos mais simbólicos da visita foi a homenagem prestada ao Professor Wladimir Brito, recentemente falecido, cuja memória permanece bem presente tanto em Cabo Verde como na academia portuguesa.

A Universidade do Minho destacou o seu percurso como professor catedrático jubilado da Escola de Direito, sublinhando que foi uma das "principais vozes" na lusofonia nas áreas da cidadania, democracia e direito internacional público e constitucional. 

Natural da Guiné-Bissau, Wladimir Brito viveu até à juventude em Mindelo, Cabo Verde. Participou contra a ditadura e, como militar, na Revolução de Abril de 1974, opondo-se depois ao regime de partido único na Guiné e em Cabo Verde, e foi o redator principal da Constituição de Cabo Verde em 1992, contribuindo decisivamente para a transição democrática do país. 

O antigo docente manteve uma ligação de longa data com a UMinho, onde assumiu diversas responsabilidades de direção na Escola de Direito, legado que a universidade destaca que "perdurará na Academia e na sociedade". 

A homenagem prestada pelo Presidente Neves neste contexto não é apenas um gesto de memória mas tamém é um ato político e simbólico que reafirma o valor dos homens e mulheres que, entre dois países, construíram pontes de liberdade, direito e conhecimento.

Cooperação como caminho

A passagem pela Universidade do Minho reafirma uma convicção central da política externa de José Maria Neves: que a diáspora não é apenas uma realidade demográfica, mas um recurso estratégico de desenvolvimento e de diplomacia do conhecimento.

O Presidente agradeceu a Braga e às suas forças vivas, incluindo o Município, a Arquidiocese e a Universidade do Minho, o acolhimento e integração exemplares da comunidade cabo-verdiana na cidade, contribuindo para um aprofundamento dos laços e das relações de amizade entre os dois territórios. 

Num mundo que exige cada vez mais colaboração entre nações, a visita à UMinho deixa uma mensagem clara: o futuro de Cabo Verde também se constrói nas salas de aula de Braga, nos laboratórios do Minho, e nas histórias de vida dos estudantes que, longe de casa, carregam o país dentro de si. É precisamente este pulsar da diáspora que o Estrategizando — O Jornal da Lusofonia acompanha com atenção e rigor, mantendo laços profissionais sólidos com as comunidades cabo-verdianas espalhadas pelo mundo e com os países da CPLP.

Parceiro de uma empresa de Comunicação Estratégica dedicada à produção de conteúdos de referência, o Estrategizando tem sido uma voz comprometida com as histórias que importam, aquelas que unem povos, fortalecem identidades e constroem pontes entre quem parte e quem fica.


A Presidência na Diáspora/Norte de Portugal decorre até 25 de abril de 2026, com uma agenda que inclui visitas a Braga, Barcelos e Guimarães, e o apoio da Embaixada de Cabo Verde em Portugal.

Foto de destque: Site da Presidência de Cabo Verde