Os laços sociais e os fundamentos espirituais de uma sociedade são tão vitais para sua verdadeira prosperidade quanto o crescimento economico, enfatizou a Comunidade Internacional Bahá'í, BIC, numa  sua contribuição  para a 63ª sessão da Comissão da ONU para o Desenvolvimento Social na sede das Nações Unidas.

“O estado de deterioração do mundo hoje aprofundou a lacuna entre a riqueza extrema e a pobreza, deixou um número crescente de pessoas sem um meio de vida que lhes permita viver uma existência digna e contribuir para a elevação de suas sociedades, e alimentou maiores graus de desconfiança e conflito”, disse Cecilia Schirmeister, membro da delegação de 11 pessoas da BIC na Comissão.

“No entanto, o momento não é apenas de tremenda crise, mas também de oportunidade significativa, pois a humanidade reconhece cada vez mais sua interdependência”, continuou a Sra. Schirmeister.

Nesta sessão da Comissão, os  debates  concentraram-se no  “fortalecer a solidariedade, a inclusão social e a coesão social” como parte do avanço da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O fórum reuniu representantes de governos, agências da ONU e organizações da sociedade civil.

As perspectivas compartilhadas pelos representantes do BIC durante o fórum foram baseadas em princípios também articulados em sua declaração à Comissão, que examina como as raízes de vários desafios globais estão em como os seres humanos veem, valorizam, respondem e se relacionam uns com os outros; central para esse entendimento é o reconhecimento da identidade compartilhada da humanidade e da unidade essencial.

Para explorar como esses princípios encontraram expressão na prática, o BIC sediou um evento paralelo no qual dois de seus delegados compartilharam experiências de esforços de construção de comunidade.

Neda Badiee Soto, uma delegada do BIC das Ilhas Canárias, descreveu os processos de construção de comunidade baseados nos princípios bahá'ís que envolveram milhares de participantes em vários bairros desde 2006. “Os esforços de construção de comunidade nas Ilhas Canárias promovem treinamento e consulta onde as habilidades e talentos das pessoas são desenvolvidos e colocados a serviço da comunidade”, ela explicou.

A Sra. Badiee Soto traçou paralelos entre a dinâmica familiar e a harmonia social, observando que as comunidades, assim como as famílias, exigem mais do que recursos materiais para prosperar — elas precisam de respeito, paciência, apoio mútuo e amor como fundamentos espirituais para a unidade.

Esse entendimento permitiu que populações diversas em bairros trabalhassem juntas em divisões culturais, geracionais e socioeconomicas, crescendo de um punhado de participantes há treze anos para uma rede de mais de 2.000 pessoas ativamente engajadas em ações coletivas nas Ilhas Canárias.

Zéphyrin Maniratanga, Embaixador do Burundi na ONU, reforçou essa perspectiva nos  seus comentários no evento paralelo organizado pelo BIC, afirmando que "a coesão social... não é meramente um objetivo economico, mas um imperativo moral e humano. ... O crescimento economico por si só não é suficiente para criar uma sociedade justa e equitativa."

Refletindo sobre o fórum, a Sra. Schirmeister enfatizou os fundamentos essenciais da coesão social genuína. “A coesão social começa com o fortalecimento de laços de unidade e confiança entre populações diversas. 

“Trata-se de encontrar pontos de consenso com base em valores compartilhados e aprender a se relacionar com pessoas de diferentes perspectivas e origens.” 

A Sra. Schirmeister observou que em comunidades onde os princípios espirituais são cultivados, novos padrões de interação emergem, incluindo maior colaboração entre jovens e gerações mais velhas, expressões mais pronunciadas de igualdade de gênero e uma capacidade aprimorada de diálogo construtivo e consulta.