Colômbia Vive Eleições Presidenciais Sob Clima de Vigilância e Apelos à Legitimidade Democrática

As eleições presidenciais realizadas neste domingo, 31 de maio, na Colômbia, decorrem num ambiente marcado por forte mobilização política, preocupações com a transparência eleitoral e apelos ao respeito pelos resultados democráticos.

O candidato da coligação de esquerda Pacto Histórico, Iván Cepeda, exerceu o seu direito de voto em Bogotá, rodeado por apoiantes que entoavam palavras de incentivo e slogans de apoio à sua candidatura.

Após votar, o líder progressista destacou a relevância do atual processo eleitoral para a estabilidade do país e para o reforço dos mecanismos de participação cidadã. Nesse sentido, reafirmou o seu compromisso em aprofundar as transformações sociais iniciadas durante o mandato do atual presidente colombiano, Gustavo Petro.

Para reforçar a confiança no processo, Iván Cepeda anunciou a implementação de um mecanismo próprio de contagem rápida, destinado a acompanhar os resultados em tempo real.

“O Pacto Histórico acompanhará meticulosamente os resultados em todas as secções eleitorais do país. E, por isso, pedimos que a decisão do povo colombiano seja respeitada”, afirmou o candidato presidencial.

Cepeda apelou ainda aos setores da oposição para contribuírem para o fortalecimento da legitimidade institucional do processo eleitoral.

“Realizámos uma campanha política limpa e transparente. Conclamamos os nossos adversários a ajudarem-nos a consolidar a legitimidade da eleição de hoje”, declarou.

O candidato assegurou também que os cidadãos colombianos terão plena liberdade para expressar a sua vontade nas urnas, manifestando confiança na possibilidade de continuidade de um projeto político progressista no país.

Mais de 41 milhões de eleitores chamados às urnas

A Colômbia abriu oficialmente as urnas às 08h00 da manhã (hora local), dando início ao processo eleitoral que irá determinar o chefe de Estado para o mandato presidencial de 2026–2030.

Cerca de 41 milhões de cidadãos estão habilitados a participar neste processo democrático, no qual 11 candidatos disputam o acesso à Casa de Nariño, sede da Presidência da República.

O processo eleitoral conta ainda com um robusto sistema de supervisão e monitorização internacional. Segundo as autoridades eleitorais, aproximadamente 1.200 observadores independentes, pertencentes a 26 missões e organizações internacionais, foram destacados em todo o território colombiano para acompanhar a votação e verificar diretamente o escrutínio dos votos, em coordenação com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

De acordo com a legislação constitucional colombiana, as urnas encerram às 16h00 (hora local), momento a partir do qual se inicia oficialmente a contagem dos votos.

Caso nenhum dos 11 candidatos consiga ultrapassar a fasquia de 50% mais um dos votos válidos, a Colômbia regressará às urnas no próximo dia 21 de junho, quando os dois candidatos mais votados disputarão uma segunda volta eleitoral nos 1.104 municípios do país e nos círculos eleitorais do exterior.

Gustavo Petro alerta para alegadas inconsistências no sistema de contagem

Entretanto, o atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou preocupações relativamente ao sistema de contagem não oficial dos votos, cujos resultados possuem apenas caráter informativo e não têm validade jurídica.

Após exercer o seu direito de voto, Petro defendeu que o Estado colombiano deve assumir diretamente o desenvolvimento e administração do sistema tecnológico eleitoral, argumentando que o atual programa informático apresenta inconsistências em relação ao recenseamento eleitoral oficial.

Segundo o chefe de Estado, o sistema utilizado terá alegadamente acrescentado “800 mil pessoas” ao registo eleitoral e permitido o surgimento de “centenas de milhares de votos” adicionais em determinadas assembleias de voto, situações que, segundo afirmou, já foram objeto de contestação.

As declarações do presidente aumentam a tensão política em torno do processo eleitoral, numa eleição observada com atenção tanto internamente como pela comunidade internacional, devido ao seu impacto na estabilidade democrática e no futuro político da Colômbia.