Os recordes de temperatura continuaram a ser ultrapassados, agora no Japão e Coreia, enquanto as monções no Paquistão e na Índia provocaram cheias que já mataram pelo menos 1860 pessoas.

Estes fenómenos climáticos extremos mais frequentes e gravosos não são nem inevitáveis nem um acaso. Eles são um lembrete da brutalidade e gravidade da crise climática e de quem a intensifica.

Assistimos a quase 300 mortes provocadas pela última vaga de calor na Europa e a mais de 1300 mortes associadas ao calor extremo entre Julho e Agosto em Portugal, a incêndios que levaram à evacuação de populações em mais de 46 localidades e à morte de dois bombeiros e de mais duas pessoas em Vila Franca do Deão e Mirandela. Na Turquia, 10 trabalhadores e bombeiros morreram também no combate aos incêndios. Testemunhámos também o aumento de mortes de crianças e adultos palestinianos na ofensiva do Estado sionista que, na sua mais recente estratégia genocida, faz uso da fome como arma de guerra, enquanto as pessoas em Gaza tentam sobreviver a bombardeamentos constantes e temperaturas elevadas.

Os responsáveis por estes incêndios têm nomes, e em Portugal eles são a Altri, a Navigator e a Galp. São as empresas de produção de pasta de papel que, para maximizarem os seus lucros, transformam Portugal numa bomba contrarrelógio para incêndios através da monocultura de eucaliptos. Ao mesmo tempo, as empresas petrolíferas agravam o aumento das temperaturas anormais e infernais através de mais e novos projetos de extração de combustíveis fósseis, agravando as fontes de emissões de gases com efeito de estufa.

E o que faz o Estado? O Estado português esconde a sua cumplicidade. O governo declara estado de alerta para esconder os seus ataques à vida, seja através da sua nova proposta de lei laboral que sacia os interesses dos patrões e agrava a qualidade de vida das pessoas e famílias trabalhadoras, seja a reestruturação do Ministério da Educação que desvaloriza a ciência e a educação ao extinguir mais de 10 organismos. Vimos um país a arder enquanto um Primeiro-Ministro descansa na praia e defende ataques aos nossos direitos e às nossas vidas. Um Estado que além de permitir e incentivar a eucaliptização descontrolada das nossas florestas, ainda é incapaz de responder à crise ao atrasar desnecessariamente os mecanismos de emergência e solidariedade internacional.

Os sucessivos governos e as empresas não querem resolver a crise climática, mas sim continuar a degradar o meio ambiente, o nosso clima e as condições de vida das pessoas, especialmente as mais vulneráveis.

Mas não estamos só de luto, estamos também em luta! Temos de ser nós a tomar ação direta para salvar vidas e evitar o colapso climático. Assim como ativistas da Greenpeace bloquearam uma mega petrolífera na Escóciae ativistas na Noruega bloquearam o maior terminal de petróleo do país, cabe-nos a nós, em solidariedade com as pessoas afetadas, resistir contra o colapso climático.

 

Em memória das vítimas da última onda de calor e para denunciar a culpa da indústria petrolífera, que continua a lucrar em Portugal com a morte e a destruição do meio ambiente e da qualidade de vida das pessoas, apoiantes do Climáximo entraram na sede da Galp e colocaram 284 cruzes no átrio da empresa

 

https://www.instagram.com/reel/DMKm7kUKBX2/?igsh=eTI3dmxscTVzdGhj