O cinema brasileiro vive um momento raro de convergência entre criação, reconhecimento e celebração. No último fim de semana, esse entusiasmo materializou-se numa sequência de encontros que reuniram realizadores, produtores e intérpretes em torno de duas obras marcantes — O Agente Secreto e Apocalipse nos Trópicos — culminando com duas vitórias nos Golden Globe Awards.

A realizadora Petra Costa partilhou a celebração pública deste momento, sublinhando o ambiente de “carisma e pirraça” que marcou a festa conjunta das equipas, organizada com a produtora Maria Farinha Filmes e o produtor Marcos Nisti. O encontro serviu não apenas para festejar os filmes, mas para afirmar uma comunidade criativa coesa, confiante e internacionalmente relevante.

O dia seguinte reforçou essa dimensão global, com a presença do grupo no tradicional chá da British Academy of Film and Television Arts (BAFTA). Entre reencontros e novas ligações, destacaram-se figuras centrais do cinema contemporâneo brasileiro, como Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, bem como Wagner Moura. Houve ainda espaço para novas descobertas e diálogos, com Leone Gabriel e Alice Carvalho, sinal de uma cinematografia que se renova sem perder identidade.

As duas vitórias nos Globos de Ouro, alcançadas entre sábado e os dias seguintes, funcionam como selo de validação internacional para um cinema que alia autoria, risco e relevância política e estética. Mais do que prémios, estes triunfos confirmam a maturidade de um ecossistema criativo capaz de dialogar com o mundo sem abdicar da sua voz própria.

Num contexto global em que as narrativas nacionais disputam atenção e legitimidade, o cinema brasileiro demonstra vitalidade e ambição. Como sintetizou a própria Petra Costa na sua mensagem de celebração: “Viva o Brasil.” Uma afirmação que, neste momento, soa menos a proclamação e mais a constatação.