Eugénio Ferreira destacou que a obra "Angola Kimamuenho – Intelectual Rural 1913-1922" representa uma reflexão crítica e histórica, 50 anos após a independência de Angola, ocorrida a 11 de novembro de 1975. Ferreira explicou que a problemática da cidadania angolense só pode ser compreendida plenamente através da análise detalhada do contexto histórico e das dinâmicas económicas, sociais e políticas que caracterizaram a Angola colonial e pós-colonial.
Durante a apresentação, Eugénio Ferreira esclareceu que "Kimamuenho", pseudónimo usado por Custódio Dias Bento de Azevedo, significa "alma misteriosa ou estranha", refletindo a crença deste intelectual rural de que "para construir, é preciso ter vida". Custódio Dias Bento de Azevedo destacou-se especialmente durante a vaga de açambarcamentos ocorrida entre junho e dezembro de 1920, na região do Dande, defendendo uma perspetiva de preservação das produções locais face às intervenções colonialistas.
Joffre Justino realçou o caráter provocador e polémico da temática, destacando o impacto histórico das questões coloniais e enfatizando que o nacionalismo imposto pela ditadura portuguesa criou condições particulares, nomeadamente ao forçar uma separação entre comunidades urbanas e rurais, bem como entre colonizadores e colonizados. Justino aprofundou as implicações dessa imposição ideológica e afirmou claramente que o termo "guerra colonial" é, do seu ponto de vista, eurocentrista.
O momento seguinte foi dedicado a um debate vivo e esclarecedor, enriquecido pelas intervenções de diversas figuras proeminentes como Vítor Nogueira, Simão Cacete, Francisco Colaço, António Neto, José Aparício, João Ricardo e Rita Silva, entre outros, cujas perguntas e comentários aprofundaram a discussão sobre as questões de identidade, nacionalismo, colonialismo e descolonização.
Este evento revelou-se uma oportunidade valiosa para compreender como os processos coloniais continuam a influenciar as sociedades contemporâneas e a importância de manter um diálogo aberto e esclarecido sobre estes temas complexos e fundamentais.
Para quem deseja aprofundar mais esta temática e explorar questões históricas essenciais, recomendamos a visualização do vídeo completo do evento, que esclarece diversas questões abordadas e outras de interesse geral.
Nota do Editor
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