A ciberviolência com base no sexo permanece como uma das formas mais persistentes e silenciosas de violência contra mulheres e raparigas, com efeitos profundos que extravasam o espaço digital.
O impacto sente-se no bem-estar emocional, na participação cívica, no desempenho escolar e, sobretudo, no exercício pleno dos direitos humanos de crianças e jovens.
É neste contexto que a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres promove, no próximo dia 6 de fevereiro, entre as 15h00 e as 16h30, a apresentação pública do estudo “A ciberviolência com base no sexo em Portugal: perspetivas de crianças, jovens, docentes e pessoal técnico especializado”, desenvolvido no âmbito do projeto europeu bE_SAFE.
O que revela a investigação
O estudo resulta de um processo de investigação qualitativa aprofundada que reuniu contributos de crianças e jovens, docentes e pessoal técnico especializado e forças de segurança. Esta abordagem permitiu identificar experiências concretas, perceções sociais, impactos psicológicos e educativos, bem como respostas institucionais face à ciberviolência com base no sexo em contexto educativo.
Entre os principais resultados, destaca-se a forma como a violência online afeta de modo desproporcionado raparigas e jovens mulheres, condicionando a sua presença em espaços digitais, a liberdade de expressão e o sentimento de segurança.
A investigação evidencia ainda lacunas na prevenção, na resposta precoce e no apoio às sobreviventes, sublinhando a necessidade de estratégias integradas que articulem escola, famílias, serviços especializados e forças de segurança.
Conhecimento, capacitação e articulação
Para além da apresentação dos resultados, o evento assume-se como um espaço de partilha de conhecimento entre investigação e prática educativa. O objetivo é reforçar a capacitação de profissionais e promover uma articulação interinstitucional mais eficaz na prevenção, no apoio a sobreviventes e no combate à ciberviolência com base no sexo.
A iniciativa assenta numa abordagem de direitos humanos e de igualdade entre raparigas e rapazes, mulheres e homens, reconhecendo que a violência digital não é um fenómeno isolado, mas um reflexo de desigualdades estruturais que exigem respostas educativas, culturais e políticas consistentes.
A participação é gratuita, mediante inscrição prévia até 5 de fevereiro. Mais informações estão disponíveis na página da organização promotora.