Na verdade Jorge Pinto apesar de ter uma decisão que diz  definitiva no debate desta terça-feira entre todos os candidatos, soube levantar o apelo deixado no arranque da sua candidatura, quando "disse, com todo o sentimento de responsabilidade que o momento histórico exige", que as esquerdas iam a tempo de "acertar um pacto republicano"

E assim caminhamos para mais um crescendo de suicidio nas Esquerdas!

Deixemos umas citações sobre a evolução das candidaturas das Esquerdas neste contexto global de ambiente de forte tensao quase guerra para clarificarmos qual a posiçao adequada!

“Jorge Pinto desafiou ainda os candidatos de esquerda a evitarem um cenário de vitória da direita que venha a permitir uma revisão da Constituição da República.

"Não falharei aos portugueses. No que de mim depender, a esquerda passa à segunda volta", respondeu Jorge Pinto, quando questionado, mais uma vez, sobre a possibilidade de desistir da corrida à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa…. Mas lá vai Jorge Pinto falhar!

Em resposta, António Filipe voltou a responder que vai levar a candidatura até ao fim e Catarina Martins considerou "tudo isto muito confuso", acrescentando: "Fica claro neste debate que Jorge Pinto considera que esquerda deve ir votar num candidato que deixou passar cortes no subsídio de férias e no subsídio de Natal no tempo da troika e que diz que voltaria a fazer".

Já António José Seguro, apoiado pelo PS, disse que não vai desistir e que não fez acordos com ninguém, mas sustentou que compreende o que o candidato Jorge Pinto coloca em cima da mesa em relação Constituição.”

( in TSF )

O fracasso de levar as candidaturas das esquerdas até ao voto na primeira volta ficou patente na derrota de Sampaio da Novoa em 2016 onde apresentou como candidatos, Sampaio da Nóvoa, Marisa Matias, Maria de Belém , Henrique Neto, Cândido Ferreira. Edgar Silva

Este dispersar de candidaturas foi desastroso e deu a vitoria ao mais venal e golpista de todos os havidos candidatos portugueses - Marcelo Rebelo de Sousa.

Mas para alem do brutal desaire que pôs o tuttifrutti Marcelo na PR  e que levou ao descalabro eleitoral de quase todas as Esquerdas ( querera o Livre saborear o amargo sabor  de uma derrota depois da sua ascensao?)  hoje vivido. parece que nao satisfeitas as Esquerdas querem repetir 2016 agora dez anos depois 2026!

Antonio José Seguro nem vem do regime cavaquista/passospórtista, mesmo que tenha conciliado com ele,  nesta linha blairista que domina a socialdemocracia dita ocidental e que está a empurrar os restantes PS’s europeus para um crescente

esvaziamento eleitoral

(À exceção do PSOE que se mantem firme na Unidade das Esquerdas!)

Mas vale a pena lembrar a unica vez que as Oposições ao salazarento Regime o encostaram  às boxes tendo-o na verdade derrotado até eleitoralmente obrigando os salazarentos a uma brutal fraude eleitoral - as eleições de 1958 com o Tomás pelo regime e um desconhecido general Humberto Delgado com o

PCP inicialmente brincou chamando-o de general cocacola!

Citemos alguns textos para perceber como naquele ano 1958 houve uma Oposição Antifascista consequente e eficaz!

 

“ um homem que emergia da "situação" para a denunciar e figurar como alternativa,

convertido que estava ao "modelo americano" de fazer política. Candidatura que, naturalmente,

fora construída por pessoas próximas do general, de entre opositores de sempre (como António

Sérgio) ou por dissidentes da situação (como Henrique Galvão), os quais buscam no Norte

apoio face às resistências sentidas nos meios lisboetas da oposição. Pouco depois o Eng. Cunha

Leal declarava não aceitar a sua candidatura por motivos de saúde. E da "Oposição

Democrática", ainda não convencida pelo candidato independente, surgia outro nome - Arlindo

Vicente. Finalmente a "União Nacional" apresentava o seu candidato, o contra-almirante

Américo Tomás, então ministro da Marinha, o que significava, por sua vez, a ruptura de Salazar

com Craveiro Lopes, o presidente cessante, cuja candidatura a União Nacional não subscreveu.

A 19 de Abril, o processo de candidatura de Delgado era entregue no Supremo

Tribunal de Justiça assinado por 230 eleitores do Porto, e logo uma delegação, constituída por

Sebastião Ribeiro, Manuel Coelho dos Santos, Jaime Vilhena de Andrade, Artur Oliveira

Valença, ( meu tio avô) Artur Santos Silva e Rodrigo Abreu, se deslocava a Lisboa para estabelecer com os

adeptos lisboetas desta candidatura os planos da campanha eleitoral. Aos poucos crescem os apoios. Saudosista mas pragmático, o directório do Partido Republicano Português, em face do programa apresentado, resolve "dar o seu apoio à candidatura independente de Humberto

Delgado por ela, deste modo, corresponder aos anseios de liberdade do povo português,

consignada na Constituição da República de 1911". O Directório Democrático-social tomava

uma posição idêntica.

(https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/14284/2/furacaodelgado000074113.pdf )

 

Humberto Delgado era um homem inatacável face à tradicional campanha sectária que

a União Nacional desenvolvera em eleições anteriores, defendia uma circular dos seus serviços

de candidatura. Ele vinha do sistema e fora um dos cadetes do 28 de Maio. Ora se o exército

afastara anteriormente a República da constitucionalidade normal, era justo que agora um dos

seus elementos, através de processos legais, reintegrasse o País no rigor constitucional,

fazendo vigorar os direitos e garantias que, ainda assim, a Constituição de 1933 expressava.

Um discurso que culminaria na célebre conferência de imprensa, do café Chave de Ouro, em

Lisboa, ou antes, no dizer da imprensa, "no acto público de propaganda a que assistiram

algumas centenas de pessoas que manifestaram a sua vibração em frequentes momentos". Aí, apresentando-se como candidato sem compromissos, Delgado deslumbra a assistência, quando

interrogado sobre o seu futuro procedimento para com o Presidente do Conselho, Oliveira

Salazar. "Obviamente, demito-o", foi a frase fatal.

(http://livreiro-monasticon.blogspot.com/2025/05/homicidio-e-falsificacao-morte-do.html?m=1)

 

Para

a União Nacional, num discurso desvalorizador dos acontecimentos, a oposição estava dividida,

com os comunistas activos e a "oposição envergonhada" a não tomar parte nas manifestações ao general, era uma "geleia morta", cheia de tédio, que, vivendo bem, achava que "trinta anos era demais" e só por fastio propunha a mudança. Terá a União Nacional ficado surpreendida quando no final de Maio é publicitado um acordo de "unidade oposicionista" entre os dois candidatos? Por esse acordo Arlindo Vicente desistia e passava a dar o seu apoio a Humberto

Delgado, mediante um compromisso, em caso de êxito eleitoral, que, segundo os jornais da

altura, consignava o seguinte:

 

a) condições imediatas de aplicação do art. 8 da Constituição (garantias individuais);

b) exercício duma lei eleitoral;

c) realização de eleições livres, até um ano após a constituição do seu governo;

d) libertação dos presos políticos e sociais;

e) medidas imediatas tendentes à democratização do País.

(https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/14284/2/furacaodelgado000074113.pdf )

 

E nada como citar o comunista Arnaldo Mesquita para entendermos como nao foi facil a construção da candidatura de Humberto Delgado !

 

Não virá a despropósito referir que a candidatura de Humberto Delgado, (de que de início só muito vagamente se falava, e de que muito se passou a falar, sobretudo depois da desistência de Cunha Leal) era inicialmente olhada com justificada desconfiança política pelas forças democráticas mais consequentes, os comunistas incluídos, como é óbvio.

Com efeito, tratava-se de um general no activo, provindo da élite das forças armadas do fascismo e por este promovido e colocado em posições de manifesto destaque, até a nível internacional; e que aparecia rodeado por algumas das mais conservadoras e suspeitas forças políticas da época, inclusive legionários, como foi o conhecido caso de Rodrigo de Abreu, comprovado informador ao serviço da PIDE, que o acompanhava.

Assim, inicialmente, as pessoas perguntavam-se, e com inteira razão, o que é que de bom poderia sair daquilo tudo para a Liberdade e o inerente tão desejado derrubamento do fascismo.

Também por tudo isso se punha a própria questão da ida ou não ida às urnas, por de mais conhecidas as deficiências dos cadernos eleitorais (com a generalidade das mulheres não inscritas e sem direito a voto), bem como cortados daqueles praticamente todos os oposicionistas conhecidos: o que tudo mais impediria pois, na prática, a necessária (indispensável!) fiscalização e controle do próprio acto eleitoral, etc., etc.

Por tudo isto, viríamos a decidir oportunamente, em Lisboa, numa ampla reunião unitária da chamada Oposição Democrática, intervir autonomamente, aprovando e lançando a inequívoca candidatura democrática (e antifascista) do Dr. Arlindo Vicente, logo depois que o escritor Ferreira de Castro não aceitou ser candidato.

Arlindo Vicente era, aliás, um conceituado e bem conhecido advogado, além de prestigiado artista plástico de muito renome, que aceitou encabeçar a batalha eleitoral que se avizinhava, consciente das dificuldades que o esperavam e nos esperavam a todos; o qual viria aliás a ser preso pela PIDE e condenado no Tribunal Plenário de Lisboa, depois das eleições, precisamente por isso.

            Entretanto, perante estas realidades, Humberto Delgado definia-se melhor; e na sua apresentação pública, como candidato, empolgou todo o País, mormente quando em resposta à pergunta de um jornalista sobre o que faria a Salazar caso fosse eleito, respondeu com o seu célebre

"OBVIAMENTE, DEMITO-O!"

O que foi uma autêntica bomba e dinamizou o País, duma ponta à outra.

Estávamos todos fartos (refartos) da ditadura terrorista do grande capital que Salazar encarnava.

Humberto Delgado foi por tudo isso recebido e aclamado aqui no Porto (e não só) por uma nunca antes vista, imensa e entusiástica multidão de populares! Mas atenção:

A candidatura de Arlindo Vicente estava melhor organizada; e não só já tinha, como manteve, depois, igualmente, muitos e muitos populares, democratas, e antifascistas a apoiá-la, quer no Porto (cujo comício presidido pelo candidato encheu e extravasou muito para fora do edifício do Coliseu) quer sobretudo no Sul do País - Alentejo e Algarve - que ele percorreu; sendo sempre entusiasticamente recebido em todo o lado.

O passado não democrático de Delgado (ex-legionário e ex-prosélito do ditador) pesava muito contra ele.

Mas perante a sua atitude, pôs-se, cada vez mais, a necessidade de uma rápida definição e fusão das duas candidaturas, com a enunciação e aceitação de prévias e concretas medidas de conteúdo democrático que pudessem assegurar a vitória e impedir uma ditadura de novo tipo! E isso fazia-se sentir, sim, cada vez mais, em cada dia que passava.

Humberto Delgado aliás afirmava-o, por si próprio, embora muitos dos que o rodeavam tentassem impedir o entendimento com Arlindo Vicente (esse era aliás, de resto, o real, senão, único objectivo deles).

Por fim, e para se poder progredir, a candidatura de Arlindo Vicente realizou, sempre de forma organizada, uma reunião nacional em Beja que evidenciou claramente os seus apoios e a sua inegável força a nível de todo o País.

Nela se aceitou negociar e até desistir a favor de Delgado, mas em concretos termos políticos democráticos (mínimos) e mediante a enunciação de várias medidas e princípios antifascistas, claros e inequívocos. Para tal se realizou por fim, em Almada, o comício donde viriam a sair os traços essenciais do chamado Pacto de Cacilhas.

 

AS "ELEIÇÕES" PRESIDENCIAIS DE 1958

3.ª PARTE

Humberto Delgado, creio tê-lo já dito, era favorável a um rápido entendimento com a candidatura de Arlindo Vicente. Manifestamente, tinha compreendido bem serem-lhe necessárias, senão imprescindíveis, para poder ter sucesso, as forças organizadas e os apoios de que dispúnhamos.

A repressão pidesca, aliás, acentuava-se de dia para dia, tendo já sido (e estando a ser) presos cada vez mais numerosíssimos antifascistas (sobretudo figuras das mais activas e destacadas das duas candidaturas) com o óbvio propósito de desactivar, desmobilizar, intimidar, desorganizar e desarticular a necessária fiscalização do acto eleitoral (a que se entendera dever concorrer), etc. etc.

Nestas condições, o chamado Pacto de Cacilhasacabou por ser ultimado em casa do próprio General, sendo assinado por ele e por Arlindo Vicente que desistiu mediante a aceitação por Humberto Delgado de condições políticas mínimas muito concretas e precisas.

Do lado da candidatura de Arlindo Vicente, estavam, pelo menos, os meus camaradas já falecidos Eng. António Abreu (de Lisboa) e Dr. Mário Sacramento(de Aveiro); e eu próprio (do Porto).

Se bem me recordo, esteve ainda Câmara Reis (e também terão estado outros, cujos nomes lamentavelmente não fixei).

Passo a transcrever, permitam-me, por bem esclarecedor, o famoso Pacto de Cacilhas, datado de 30 de Maio de 1958 e assinado pelos dois candidatos. Ei-lo:

 "Portugueses: a Oposição Independente e a Oposição Democrática, representada pelos seus Candidatos à Presidência da República, o Senhor General Humberto Delgado e o Senhor Dr. Arlindo Vicente, em face da necessidade de estabelecer, nas urnas, uma unidade de acção contra o governo da Ditadura, verificaram ser útil, e até decisivo, proceder imediatamente a tal unidade e, para isso, estabelecer a actuação comum nos seguintes termos, que se comunicam à Nação:

As Candidaturas prosseguirão, a partir desta data, a trabalhar em conjunto, e afinal, serão representadas nas urnas por um só Candidato, o General Humberto Delgado, que se compromete, por sua Honra e salvo caso de força maior, a tornar efectivo o exercício do voto até às urnas e a estabelecer, em caso de êxito, o seguinte:

a) Condições imediatas de aplicação do artigo 8.º da Constituição;

b) Exercício de uma lei eleitoral honesta;

c) Realização de eleições livres até um ano após a constituição do seu governo;

d) Libertação dos presos políticos e sociais;

e) Medidas imediatas tendentes à democratização do País.

Viva Portugal! Viva à Liberdade!"

O último ponto atrás transcrito, em que depois de assinar o compromisso da libertação dos presos políticos, Humberto Delgado, se obrigava a, chegado ao poder, tomar "medidas imediatas tendentes à Democratização do País" foi proposta minha, que ele aliás aceitou imediatamente, e que contribuiu muito, na prática para a inexistência posterior de reservas por parte da generalidade dos que apoiavam a candidatura de Arlindo Vicente e desconfiavam do passado de Humberto Delgado.

( HISTÓRIA  23 MAIO 2008

As "Eleições" Presidenciais de 1958, Intervenção de Arnaldo Mesquita na sessão pública da URAP, em 14/05/2008, no Porto )

 

E lembremos um DN sobre o general Sem Medo!

 

Nem mesmo António Sérgio, o responsável pela escolha do jovem general com um passado de indefectível da ditadura - como se encarregam de lembrar os seus adversários de 1958 -, mas que vivera na democrática América, em detrimento de outras possibilidades (como Jaime Cortesão ou Mário de Azevedo Gomes), terá algum dia pensado que seria possível aquele "furacão" de "sorriso rasgado", que encantava quem o tinha ouvido dizer que seria o fim de Salazar ("obviamente, demito-o") ou quase a traçar o seu próprio destino ("estou pronto a morrer pela liberdade", disse no comício eleitoral de Chaves, sete anos antes de ser abatido pela PIDE, a polícia política do regime).

(DN 07.06.2008)

 

Enfim como querem voces lideres das Esquerdas que nos que nos quedemos a ver as Esquerdas no todo a enfiarem-se o turbilhao do suicidio neste tempo de ameaça de guerra global onde até os Açores podem estar em causa!?

Por isso Apelamos mais uma Vez a um Encontro entre os Candidatos das Esquerdas para com um Programa Comum se demitam em favor dê Antonio José Seguro!