Surgiu, então, o Carnaval (que no começo se restringia à Terça-Feira). Acontece que a festa era tão boa que, em muitos lugares, começou a crescer para trás, alcançando inicialmente a segunda-feira e, depois, o domingo e o sábado. E, neste embalo, a festança ganhou vida própria e, além de crescer continuamente (muitas cidades adotam a chamada ‘semana pré-carnavalesca’ e outros, como Recife e Salvador, fazem a ‘abertura oficial’ do Carnaval já na 5ª feira da semana anterior), passou a ter episódios isolados ao longo do ano (as famosas Micaremes ou Carnaval-fora-de-época). Vale lembrar que, sendo uma espécie de espelho invertido da rigidez cultural da Quaresma, o Carnaval é uma festa da alegria, da permissividade, da irreverência, do sonho e do encanto, no qual as pessoas costumam fazer aquilo que são proibidas de fazer nos outros dias e ser aquilo que não são na realidade. Daí a prevalência da arte e a simbologia dos comportamentos. Assim, não é sem razão que as pessoas aproveitar o carnaval para encanar os poderosos (fantasias de papa, de cardeal, de faraó, de Napoleão, de almirante, etc.) e, como no ‘Judas’ sacaneado na Semana Santa, ridicularizar aqueles que as oprimem. Carnaval não é apenas uma festa da carne. É uma festa da alegria, da liberdade e, também, de sátira aos idiotas que passam o resto do ano a oprimir o Povo. Viva o Carnaval!!!
Leia mais em www.alexandresanttos.com.br
A reprodução é permitida e desejável, preferencialmente com a citação da autoria