Além do impacto cultural, o Carnaval do Rio tem relevância económica significativa.
O evento atrai visitantes nacionais e estrangeiros, contribuindo para a actividade hoteleira, restauração, transportes e comércio local.
As noites de desfile são transmitidas em direto para todo o Brasil e para vários países, reforçando a dimensão internacional do espectáculo.
A celebração concentra-se, como de costume, nas principais cidades durante esta época do ano, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Olinda e Recife, que devem receber mais de 40 milhões de foliões, nome dado aos participantes carnavalescos.
As celebrações deverão render aos cofres locais de Rio de Janeiro cerca de seis mil milhões de reais (cerca de mil milhões de euros) segundo o Ministério do Turismo.
A ocupação dos hotéis na Cidade Maravilhosa já alcançou os 98%.
Para esta edição do desfile do Grupo Especial (a primeira divisão do carnaval do Rio de Janeiro) foi montada um espaço de festival na Praia de Copacabana, chamada de Carnaval Fan Fest, que inclui oficinas, espetáculos, transmissões dos ensaios técnicos, desfiles oficiais, apuração e desfile das campeãs.
O espaço ficará aberto até 21 de fevereiro, o mesmo dia em que acontecerá O Desfile das Campeãs, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, às 22h35 locais de 21 de fevereiro (1h35 de 22 de fevereiro em Portugal).
Para a competição, as nove categorias de avaliação do ano anterior foram mantidas, sendo estas: Enredo, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Bateria, Harmonia, Alegorias e Adereços, Evolução, Disfarces, Samba-enredo, e Comissão de Frente.
O número de juízes aumentou para 54, contudo, ao invés dos 36 decididos nos anos anteriores. Cada categoria será avaliada por seis juízes.
A origem do carnaval no Rio de Janeiro surgiu com a introdução do entrudo na cidade, uma tradicional festa "carnavalesca" portuguesa, e já era celebrada segundo registos pelo menos desde 1600
Demdo que a festa de aclamação de D. João, em 1642, é também considerada uma celebração percursora do carnaval brasileiro.
No Rio de Janeiro, tanto escravos quanto as famílias europeias participavam no entrudo, onde "limões de cheiro — esferas de cera que tinham por dentro água e por vezes urina — eram lançadas das janelas aos caminhantes e aos folioes.
É, contudo, a partir de 1846 que o carnaval da cidade começa a tomar a sua personalidade característica com os primeiros bailes de máscaras e depois os primeiros blocos carnavalescos organizados.
Esta mudança de tradição iria posteriormente influenciar o país inteiro na sua forma de celebrar o carnaval.
No entanto houve sempre tentativa de proibição do carnaval no Brasil ou o "Entrudo", festa popular dos séculos XVIII e XIX vista pela elite como bárbara e desordeira.
A repressão visava "civilizar" o país com modelos europeus, evoluindo para cancelamentos pontuais, como em 1912 por luto oficial e durante a pandemia de COVID-19 (2021-2022).
Mas houve omentos de Proibição e Repressão:
Século XIX e início do XX (Entrudo): Autoridades e imprensa fizersm campanha contra o Entrudo, considerado violento, substituindo-o por bailes de máscaras inspirados em Paris e Veneza.
1907: O secretário de Segurança do Rio de Janeiro proibiu o carnaval de rua para impor um modelo considerado "civilizado".
1912: O adiamento da folia foi imposto pelo governo após a morte do Barão do Rio Branco, gerando forte resistência popular.
Pandemia (2021-2022):Cancelamentos oficiais ocorreram em quase todas as capitais brasileiras, restringindo blocos e desfiles para evitar a disseminação do coronavírus.
As proibições não eram apenas sanitárias, mas sociais. O Entrudo era uma festa de rua, democrática, que misturava classes sociais com brincadeiras de água e farinha, o que incomodava as elites que buscavam uma imagem de modernidade europeia para o Brasil.
As restrições da "Lei do Silêncio" também continuam sendo aplicadas atualmente no período carnavalesco.
O Carnaval durante a ditadura militar brasileira (1964-1985) foi marcado pela dualidade entre a censura/repressão e a resistência cultural.
Enquanto o regime tentava silenciar críticas e promover o ufanismo, escolas de samba e blocos utilizaram enredos cifrados para denunciar abusos, transformando a festa em espaço de resistência democrática e política.
Censura e Resistência: Agremiações como a Vila Isabel enfrentaram censura em sambas-enredo que abordavam temas sociais, como a Transamazônica. No entanto, a juventude e blocos utilizavam o Carnaval para cantar por liberdade.
Ufanismo e Cooptação: Algumas escolas de samba, especialmente no auge da ditadura (anos 70), foram pressionadas a exaltar o "progresso" e o nacionalismo do regime. Exemplos incluem a Mangueira com "Um Cântico à Natureza" (1970) e a Beija-Flor, que exaltou os 10 anos do regime em 1975.
Blocos de Rua e Crítica: Blocos como o Pacotão em Brasília tornaram-se espaços de denúncia política, inclusive defendendo as Diretas Já em 1984.
A "Música" da Ditadura: Durante o "Milagre Econômico", os desfiles eram usados como propaganda, mas também sofreram esvaziamento popular em certas áreas devido ao controle social.
O Carnaval no período provou ser um território vivo, onde a sátira e o samba continuaram sendo formas de contestação, mesmo sob vigilância rigorosa.