E, como se não bastasse, pairam ainda sombras de escândalos que lembram que o poder raramente caminha sozinho; traz sempre consigo os seus fantasmas.
No meio deste tabuleiro geopolítico, há uma pequena ilha que insiste em não se vergar. Cuba, tantas vezes reduzida a caricatura, continua a ser um símbolo incómodo para quem acredita que o mundo deve obedecer a uma única lógica económica e política.
Décadas de embargo, tentativas de isolamento, pressões diplomáticas e, ainda assim, o País resiste.
Não por milagre, mas por uma teimosia histórica que desafia a narrativa dominante.
É curioso observar como certos discursos se repetem: fala-se de liberdade, mas pratica-se o cerco; invoca-se a democracia, mas apoia-se quem convém; condena-se a resistência, mas celebra-se a submissão.
Talvez por isso Cuba continue a despertar simpatias em tantos cantos do mundo: não pela perfeição do seu sistema, mas pela coragem de existir fora da cartilha.
No fundo, o que está em causa é a velha disputa entre hegemonia e autodeterminação.
Entre quem dita as regras e quem insiste em escrever as suas próprias.
Entre impérios que se acreditam eternos e povos que se recusam a desaparecer.
E é aqui que o Café com Aires encontra o seu lugar: não para oferecer respostas definitivas, mas para lembrar que pensar é um ato político.
Que a crítica é uma forma de resistência.
E que, num mundo saturado de ruído, ainda vale a pena escutar as vozes que não se deixam calar.
Que viva o debate. Que viva a lucidez. E, já agora, que viva o povo cubano!
Apoio gráfico IA / O Café com Aires — e que nunca falte café, lucidez e coragem.