A política internacional tornou-se um palco onde a arrogância se confunde com estratégia e onde a força se disfarça de moralidade. Nada disto é novo, mas há épocas em que o espetáculo se torna particularmente ruidoso.

Vivemos num tempo em que certas figuras públicas, mais performativas do que estadistas, transformam a diplomacia num exercício de intimidação. Ameaças ao Irão, alinhamentos incondicionais com Israel, ambições sobre territórios que vão da Gronelândia ao canal do Panamá, tudo isto compõe um mosaico de poder que se alimenta da distração global.

E, como se não bastasse, pairam ainda sombras de escândalos que lembram que o poder raramente caminha sozinho; traz sempre consigo os seus fantasmas.

No meio deste tabuleiro geopolítico, há uma pequena ilha que insiste em não se vergar. Cuba, tantas vezes reduzida a caricatura, continua a ser um símbolo incómodo para quem acredita que o mundo deve obedecer a uma única lógica económica e política.

Décadas de embargo, tentativas de isolamento, pressões diplomáticas e, ainda assim, o País resiste.

Não por milagre, mas por uma teimosia histórica que desafia a narrativa dominante.

É curioso observar como certos discursos se repetem: fala-se de liberdade, mas pratica-se o cerco; invoca-se a democracia, mas apoia-se quem convém; condena-se a resistência, mas celebra-se a submissão.

Talvez por isso Cuba continue a despertar simpatias em tantos cantos do mundo: não pela perfeição do seu sistema, mas pela coragem de existir fora da cartilha.

No fundo, o que está em causa é a velha disputa entre hegemonia e autodeterminação.

Entre quem dita as regras e quem insiste em escrever as suas próprias.

Entre impérios que se acreditam eternos e povos que se recusam a desaparecer.

E é aqui que o Café com Aires encontra o seu lugar: não para oferecer respostas definitivas, mas para lembrar que pensar é um ato político.

Que a crítica é uma forma de resistência.

E que, num mundo saturado de ruído, ainda vale a pena escutar as vozes que não se deixam calar.

Que viva o debate. Que viva a lucidez. E, já agora, que viva o povo cubano!

 

Apoio gráfico IA / O Café com Aires — e que nunca falte café, lucidez e coragem.