É quase ternurento.
Quase.
É como aquele amigo que diz “eu seguro-te a porta” mas a porta já caiu há três andares.
Entretanto, no grande circo eleitoral, direita e “esquerda” disputam o poder com a elegância de duas galinhas a lutar por um grão de milho.
A comunicação social, sempre prestável, já decidiu quem pode falar, quem pode aparecer e quem pode ganhar.
O povo?
O povo que espere sentado, que em pé cansa.
E agora, a pergunta que ninguém quer fazer mas toda a gente devia: não teria sido mais sensato esta esquerda de opereta juntar-se e apresentar um único candidato?
Um programa mínimo, uma ideia comum, um fio de dignidade? Claro que sim.
Mas preferiram cada um
levar o seu fantoche ao palco, como crianças numa matiné escolar.
Resultado: um espetáculo de marionetas onde os cordelinhos são visíveis até para quem está na última fila.
É neste cenário de falência política, ideológica e até estética que surge o boicote.
Não como desistência, mas como aquele momento em que o cliente olha para o restaurante, vê baratas na cozinha e diz:
“Eu não como aqui, obrigado.”
Boicotar não é cruzar os braços.
É recusar ser figurante numa peça escrita pelo capital e encenada pelo Estado.
É afirmar que a emancipação dos trabalhadores não virá de boletins de voto, mas de organização, luta e construção de um poder próprio — um que não peça licença ao patrão para existir.
E, convenhamos, se há coisa que um verdadeiro partido comunista devia fazer, era apontar para a farsa e dizer:
“O rei vai nu.”
Em vez disso, muitos preferem elogiar o tecido imaginário.
Depois não digam que não foram avisados, mas vocês insistem em acreditar no Pai Natal eleitoral!Com um café, e a IA do lado grá