Universidade de Cabo Verde acolhe um tributo nacional ao fundador das Tendas de El Shaddai, com a diáspora como força organizadora e o Estado como garante simbólico
Há lideranças que não se constroem em cargos, mas em vidas transformadas. A Gala da Diáspora 2026 – Homenagem e Reconhecimento Comunitário nasce precisamente desse reconhecimento profundo e tardio: o de um país que pára para agradecer a um homem que, ao longo de décadas, escolheu servir quando muitos desistiam. No centro deste momento está o Sr. Honório, que celebra 97 anos de vida e cujo nome se confunde com a história de resgate, dignidade e esperança de centenas de jovens em Cabo Verde.
Fundador e líder das Tendas de El Shaddai, o Sr. Honório construiu uma obra silenciosa, mas estrutural. As Tendas de El Shaddai tornaram-se um verdadeiro refúgio humano para jovens em situação de risco, oferecendo não apenas abrigo, mas sentido, disciplina, acompanhamento e a possibilidade real de reescrever trajetórias marcadas pela exclusão. A sua liderança não foi feita de discursos, mas de presença constante, escuta ativa e compromisso inabalável com a dignidade humana.
A Gala da Diáspora 2026 surge, assim, como mais do que uma celebração biográfica. É um ato de reconhecimento nacional a uma liderança comunitária que simboliza tantas outras espalhadas pelo país, mas também um gesto de justiça histórica para com alguém que dedicou a vida inteira ao outro. Celebrar os 97 anos do Sr. Honório é afirmar que Cabo Verde sabe honrar quem constrói o país a partir da base.
O simbolismo do evento é reforçado desde a sua abertura institucional, que contará com a presença de José Maria Neves, Presidente da República de Cabo Verde. A sua participação confere à homenagem uma dimensão de Estado, reconhecendo formalmente o papel das lideranças comunitárias como pilares da coesão social, da inclusão e da cidadania ativa. É o Estado a dizer, em público, que este trabalho importa.
A Universidade de Cabo Verde assume um papel central como anfitriã e parceira estratégica, acolhendo a Gala e o Fórum Económico e Social da Diáspora. A escolha da Uni-CV é profundamente simbólica: é no espaço do conhecimento, da juventude e da construção do futuro que se honra quem dedicou a vida a abrir caminhos. A universidade transforma-se, durante dois dias, num ponto de encontro entre gerações, saberes e experiências de vida.
A organização do evento é liderada pela Diáspora Cabo-verdiana, em parceria com a Associação Vó Tuia. A diáspora afirma-se aqui não apenas como memória afetiva ou contributo económico, mas como ator estratégico do desenvolvimento social e cultural do país. É a diáspora que convoca, organiza, mobiliza e devolve a Cabo Verde um gesto de reconhecimento coletivo, ligando comunidades espalhadas pelo mundo a uma causa profundamente enraizada no território.
O programa integra uma Gala de Reconhecimento Comunitário, onde serão distinguidas pessoas e organizações que atuam nas áreas da liderança social, cultura, juventude, educação, solidariedade e diáspora africana. Cada distinção dialoga, direta ou indiretamente, com o legado do Sr. Honório: servir, incluir, cuidar e transformar.
Em paralelo, o Fórum Económico e Social da Diáspora reúne empresas, empreendedores e projetos com impacto social e económico, reforçando a ideia de que desenvolvimento e solidariedade não são opostos. Neste contexto, destaca-se a participação de Heitor Fox, consultor e business partner da Psicotraining, que intervém sobre Comunicação de Alto Impacto para Líderes, trazendo uma perspetiva estratégica sobre liderança consciente, tomada de decisão e transformação humana aplicada a contextos reais.
A componente cultural, com forte envolvimento de estudantes universitários, moda identitária, música e expressão artística, reforça a mensagem de que a cultura é identidade viva e instrumento de afirmação nacional. A juventude não surge como figurante, mas como protagonista de um futuro que se constrói com memória e responsabilidade.
A Gala da Diáspora 2026 é, no essencial, um espelho. Um espelho onde Cabo Verde se revê quando decide honrar um homem de 97 anos que escolheu nunca desistir dos outros. Ao celebrar o Sr. Honório e as Tendas de El Shaddai, o país celebra aquilo que tem de mais valioso: a capacidade de cuidar, de resistir e de transformar vidas — uma a uma.