No contexto africano, Cabo Verde surge no topo da tabela, superando países como Maurícia e Namíbia, que também figuram entre os melhor posicionados do continente. Em contraste, países como República Democrática do Congo, Sudão e Líbia aparecem nas últimas posições africanas do ranking.
Entre os países lusófonos africanos, Cabo Verde mantém igualmente a liderança, enquanto Angola, Moçambique e Guiné-Bissau surgem classificados em níveis inferiores.
A nível global, os primeiros lugares continuam a ser ocupados por países nórdicos, como Finlândia, Dinamarca e Noruega, tradicionalmente reconhecidos por elevados padrões de governação, transparência e instituições sólidas.
A World Economics avalia a qualidade da governação com base em indicadores como controlo da corrupção, Estado de Direito, liberdade de imprensa e direitos políticos. Os dados são agregados numa escala de 0 a 100, sendo posteriormente atribuídas classificações qualitativas que variam entre “Muito Bom” e “Muito Fraco”.
No caso cabo-verdiano, o desempenho positivo resulta, segundo a metodologia da organização, de uma combinação de estabilidade política, funcionamento institucional consistente e níveis relativamente elevados de liberdade cívica.
Em relatórios anteriores do Banco Mundial, nomeadamente nos Worldwide Governance Indicators (WGI), Cabo Verde já se destacava na África Subsaariana em matérias como Estado de Direito e eficácia governativa. Também a Transparency International tem reconhecido o país como um dos menos corruptos do continente africano.
O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, congratulou-se com o resultado, sublinhando que o reconhecimento internacional “é fruto do trabalho coletivo das instituições e do compromisso do país com a democracia, o Estado de Direito e a boa governação”.
O chefe do Governo recordou que Cabo Verde assumiu compromissos internacionais claros em matéria de transparência e reformas institucionais, destacando que os resultados “confirmam que estamos no caminho certo”.
Apesar da posição de destaque, especialistas alertam que a boa classificação não elimina desafios estruturais, como a dependência económica externa, a vulnerabilidade a choques climáticos e a necessidade de maior diversificação produtiva.
Organismos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Africano de Desenvolvimento têm sublinhado a importância de reformas contínuas para reforçar a resiliência económica e consolidar ganhos institucionais.
Ainda assim, a classificação alcançada em 2026 reforça a reputação internacional de Cabo Verde como uma democracia estável num continente marcado por assimetrias significativas em matéria de governação.
Num mundo cada vez mais atento à qualidade institucional como fator de desenvolvimento económico sustentável, Cabo Verde surge, mais uma vez, como um caso de estudo em África — pequeno em dimensão territorial, mas relevante no mapa da governação global.