Cabo Verde volta a ganhar destaque no debate económico africano com a crescente aposta na chamada economia azul, uma estratégia que procura transformar os recursos marítimos do arquipélago num dos pilares centrais do desenvolvimento sustentável do país.

Situado numa posição geoestratégica privilegiada no Atlântico, entre África, Europa e América, Cabo Verde possui uma Zona Económica Exclusiva de cerca de 734 mil km², uma área marítima mais de 180 vezes superior ao seu território terrestre. Este vasto espaço oceânico representa um potencial económico significativo, que o governo cabo-verdiano e várias instituições internacionais procuram agora transformar em oportunidades concretas de investimento.

Nos últimos anos, o arquipélago tem desenvolvido políticas públicas orientadas para a valorização dos recursos marítimos, apostando em áreas como pesca sustentável, aquacultura, energias renováveis marinhas, turismo costeiro e transporte marítimo. A estratégia faz parte do plano nacional de desenvolvimento e está alinhada com as metas internacionais de sustentabilidade, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Segundo dados do Banco Africano de Desenvolvimento, a economia azul poderá representar um dos sectores com maior potencial de crescimento em África nas próximas décadas, sobretudo em países insulares como Cabo Verde, onde o mar constitui simultaneamente uma fonte de riqueza e um elemento central da identidade nacional.

Nos últimos meses, vários projetos têm reforçado esta ambição. Entre eles destacam-se investimentos em infraestruturas portuárias, programas de modernização da frota pesqueira artesanal e iniciativas de investigação científica sobre os ecossistemas marinhos do arquipélago. Paralelamente, Cabo Verde tem procurado atrair parceiros internacionais interessados em projetos ligados à exploração sustentável do oceano.

A aposta no mar surge também num momento em que o país procura diversificar a sua economia, historicamente dependente do turismo e das remessas da diáspora. A economia azul surge assim como uma oportunidade para criar novos empregos, estimular a inovação tecnológica e reforçar a resiliência económica do arquipélago face às crises globais.

Analistas económicos sublinham ainda que Cabo Verde tem condições únicas para se posicionar como um hub atlântico de investigação, logística marítima e inovação oceânica, beneficiando da estabilidade política do país, da sua localização estratégica e da forte ligação histórica com a diáspora cabo-verdiana espalhada pelo mundo.

Contudo, especialistas alertam que o sucesso desta estratégia dependerá da capacidade do país em equilibrar desenvolvimento económico com preservação ambiental. A proteção da biodiversidade marinha e o combate à pesca ilegal são apontados como desafios fundamentais para garantir que o crescimento da economia azul não comprometa os ecossistemas que sustentam o próprio modelo de desenvolvimento.

Num mundo cada vez mais atento ao valor estratégico dos oceanos, Cabo Verde parece determinado a transformar o seu maior recurso natural numa alavanca para o futuro.

Como escreveu o explorador francês Jacques Cousteau, uma das figuras mais influentes na defesa dos oceanos:  “O mar, uma vez que lança o seu feitiço, prende-nos para sempre na sua rede de maravilhas.”

 

Fontes

Banco Africano de Desenvolvimento – Blue Economy Strategy
https://www.afdb.org

Governo de Cabo Verde – Estratégia Nacional para a Economia Azul
https://www.governo.cv

Nações Unidas – Sustainable Development Goal 14 (Life Below Water)
https://sdgs.un.org/goals/goal14

Banco Mundial – The Potential of the Blue Economy in Africa
https://www.worldbank.org/en/topic/environment/brief/blue-economy

 

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