A Lusa noticiou que o bispo de Pemba, Moçambique, disse hoje que um grupo de terroristas destruiu completamente a histórica paróquia de São Luís de Monfort e raptou civis, na quinta-feira, em Ancuabe, na província de Cabo Delgado. 

“Depois de queimarem algumas casas, maioritariamente dos cristãos católicos e outros também cristãos não católicos, depois de vandalizarem o hospital […], foram direto às infraestruturas que estão na paróquia de São Luís de Monfort de Minhoene e ali destruíram tudo. Queimaram a escola que está aí, queimaram a paróquia, a casa dos padres, a secretaria paroquial, a escolinha foi totalmente vandalizada”, descreveu António Juliasse.

O ataque dos terroristas  aconteceu  na aldeia de Meza, no distrito de Ancuabe, por volta das 16:00 de quinta-feira, 30.04, com os grupos a ocuparem a região até às 20:00 do mesmo dia, segundo  o bispo, referindo que houve profanação dos lugares e dos objetos sagrados, numa “violência horrível” e que “provoca muita dor”.

“[A paróquia] está completamente destruída. Eles queimaram tudo. Foi mesmo para destruir. É uma forma bárbara de fazer as coisas”, acrescentou Juliasse.

Segundo o bispo, não houve registo de feridos e mortos, mas mais de 20 pessoas foram raptadas pelos rebeldes, depois de  um ataque numa região próxima, o que levou “boa parte do povo da aldeia a fugir”.

“Cerca de 22 pessoas foram capturadas e foram forçadas a ajudar a destruir, e depois fizeram reunião para espalhar mensagem de ódio contra os cristãos”, disse, lamentando que não tenha havido nenhum socorro, apesar dos rumores que corriam na aldeia dois dias antes do ataque.

“Depois de eles atacarem uma zona perto daí, todos sabiam que iam para aqueles lados, mas não houve nenhuma intervenção. Fizeram toda a destruição em três, quatro horas, sem nenhum constrangimento do lado das nossas forças de segurança”, denunciou  o bispo, referindo que “o povo se sente largado” e sem proteção, quando já passam quase “nove anos de guerra, nove anos de destruição e de mortes”.

De acordo com dados avançados pelo representante religioso, pelo menos 300 católicos foram mortos, maioritariamente por decapitação, e mais de 117 unidades da igreja destruídas, desde o início do conflito armado em 2017.

“Basta eles entrarem numa aldeia. Sabemos que a infraestrutura da igreja não fica impune, não fica sem ser destruída […]. Nós temos em Mocímboa da Praia tudo destruído, temos em Nangololo tudo destruído, que são as grandes e antigas igrejas históricas, estão destruídas. Agora destruíram esta igreja também histórica, esta missão histórica, e várias pequenas igrejas e capelas das comunidades cristãs”, concluiu António Juliasse.

A paróquia de São Luís de Monfort, construída em 1946, é um símbolo da presença católica na região, segundo a fundação portuguesa AIS.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques terroristas  há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado tenha registado 11 eventos violentos nas duas últimas semanas, 10 dos quais envolvendo terroristas do Estado Islâmico, que fizeram nove mortos, elevando para 6.527 os óbitos desde 2017.

De acordo com o mais recente relatório da ACLED, com dados de 06 a 19 de abril, dos 2.356 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou o terror  armado em Cabo Delgado, 2.184 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

O Estrategizando continua a protestar perante os braços baixados dos militares da CPLP!

Como é possivel que a 25.11.25 “O embaixador de Portugal em Maputo manifestou esta quarta-feira, em Nampula, a disponibilidade portuguesa para apoiar Moçambique no combate ao terrorismo, mas sublinhou que cabe às autoridades moçambicanas desenhar a estratégia para travar o alastramento desses ataques no norte.”, nada acontecendo?

E lembremos dos Estatutos da CPLP,

Artigo 4º

(Objetivos)

1. São objetivos gerais da CPLP:

a) A concertação político-diplomática entre os seus membros em matéria de relações internacionais, nomeadamente para o reforço da sua presença nos fora

internacionais;

b) A cooperação em todos os domínios, inclusive os da educação, saúde, ciência e tecnologia, defesa, oceanos e assuntos do mar, agricultura, segurança

alimentar, administração pública, comunicações, justiça, segurança pública, economia, comércio, cultura, desporto e comunicação social;

c) A promoção e difusão da Língua Portuguesa, designadamente através do Instituto Internacional de Língua Portuguesa.

2. Na materialização dos seus objetivos a CPLP apoia-se em mecanismos de concertação e cooperação existentes ou a estabelecer no âmbito da Comunidade.