A Embrapa rejeita o acordo de mediação e obtém ordem de despejo contra o MST no Rio Grande do Norte.

O movimento camponês está a esgotar todos os recursos legais para suspender a medida judicial, enquanto a empresa estatal defende o uso científico da Estação.

O Tribunal Federal do Rio Grande do Norte agendou uma audiência crucial para a próxima terça-feira, 12 de maio, para dar prosseguimento ao plano de restituição de terras ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A decisão judicial afeta diretamente 110 famílias que vivem no acampamento Zé Teixeira, na região de Jandaíra, desde meados do ano passado.

O MST tentou estabelecer um acordo de convivência que permitisse o uso compartilhado da propriedade entre as famílias e as instituições de pesquisa. No entanto, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EBRA) rejeitou categoricamente qualquer proposta de cooperação, com o argumento que a terra deve ser utilizada exclusivamente para fins técnicos.

O advogado do movimento enfatizou que nunca tinham visto um juiz tão empenhado em alcançar uma solução amigável entre as partes envolvidas no conflito.

No entanto, a posição da empresa estatal permaneceu inflexível, exigindo a evacuação imediata do terreno para retomar suas atividades de pesquisa agrícola.

A liderança do movimento camponês sustenta que a ocupação foi justificada pelo estado de abandono e subutilização da infraestrutura da estação experimental. Segundo os moradores, as famílias transformaram o local cultivando alimentos básicos e restaurando uma antiga escola para atividades comunitárias.