Diz o anuncio que a compra em causa é “ a maior transação bancaria transfronteiriça na Zona Euro”
Agradou-nos constatar que o BPCE nao esconde os seus “ valores cooperativos “!
O BPCE é um banco cooperativo que resultou da fusão de duas instituições, o Banque Populaire e a Caisse d’Epargne, e estas duas redes bancarias sao bem antigas pois em 1818 nasce a primeira Caisse D’Epargne, literalmente “Caixa de Poupança”, e o primeiro Banque Populaire surge 60 anos depois, em 1878.
Estes bancos nascem de modelos coletivos, cooperativos ou de pequenos profissionais, algo que, apesar das mudanças ao longo dos anos, continuou a marcar o espírito destas entidades.
Foram depois nascendo outras organizações associadas, distribuídas geograficamente, com autonomia de gestão à semelhança do modelo do Crédito Agrícola, em Portugal e da Mutua do Montepio.’
Os dois bancos acima ja reunidos no Groupe BPCE continuam a operar autonomamente, e até concorrencialmente, em França e com marcas separadas com a fusão debaixo do nome Groupe BPCE aconteceu em 2009 e não pelos melhores motivos pois tal como o Novobanco, também os bancos na origem do BPCE tiveram de ser resgatados com dinheiros públicos.
O problema principal veio do Natixis, braço de banca de investimento e de gestão de fortunas onde se terá vindo a descobrir ser um esquema piramidal de Bernard Madoff, os problemas do Natixis contaminaram tanto o Banque Populaire como o Caisse D’Epargne, pelo que o Estado francês injetou nas instituições cerca de 7 mil milhões de euros, entre o final de 2008 e o início de 2009 com a ajuda estatal paga no final de 2011.
Dá-se entao a fusão entre as duas instituições, em julho, por forte iniciativa pública, sob a liderança do Presidente Sarkozy. O primeiro presidente do recém-criado Groupe BPCE foi François Perol que, na qualidade de membro do staff de Nicolas Sarkozy, desenhou boa parte da política económica desse Presidente e, sobretudo, teve papel fundamental na definição da fusão dos bancos que deram originam ao BPCE.
Em 2015, Perol foi levado a tribunal devido à violação da lei das incompatibilidades e conflito de interesses, uma vez que alegadamente não podia passar de um papel para o outro.
Em 2017 foi absolvido, num processo em que as autoridades pediam uma pena de dois anos de pena de prisão, suspensa.
Após 2009, seguiu-se uma reestruturação e o fortalecimento do modelo cooperativo.
O BPCE tem como acionistas, 9,8 milhões de pessoas os membros das cooperativas do Populaire e da Caisse D’Epargne, que são normalmente os clientes, de forma que se pode equiparar, genericamente, à do Montepio, por cá.
Fruto deste modelo, dois dos membros do Conselho de Administração são representantes dos trabalhadores.
Atualmente, de acordo com os números da própria instituição, o BPCE é o segundo maior grupo bancário em França, tem 100 mil funcionários e 35 milhões de clientes em todo o mundo.
Em termos de banca comercial, está apenas em França, com a presença mundial em mais de 50 países a ser assegurada através da banca de investimento para empresas e da gestão de fortunas feitas pela Natixis.
É o Natixis o responsável pela relação com o Group BPCE com Portugal com mais de 2000 trabalhadores em Portugal
No primeiro trimestre deste ano, o Groupe BPCE atingiu um resultado líquido de perto de 900 milhões de euros, uma subida de 4% face ao período homólogo.
Segundo uma apresentação do próprio banco, o grupo é líder no financiamento a PME em França, tem a segunda maior quota de mercado nos particulares e está na quarta posição na bancassurance.
Tem também, habitualmente, uma exposição relevante em termos de crédito ao setor público, nomeadamente a nível local.
Nicolas Damias, CEO do grupo, apresentou recentemente a estratégia Vision 2030, que tem como primeiro pilar assumido o crescimento, inclusivamente fora de França. Se a compra do Novobanco for bem sucedida, está aí um passo assertivo nesse caminho.