A sua saída encerra um ciclo político caracterizado por avanços económicos significativos, mas igualmente por acusações de repressão à oposição e restrições às liberdades civis, segundo várias organizações internacionais.
Na corrida presidencial destacam-se dois nomes: o atual Ministro da Economia e Finanças, amplamente visto como o candidato da continuidade e sucessor natural do regime, e Paul Hounkpé, ex-ministro e líder de uma oposição considerada moderada.
O cenário eleitoral é, contudo, limitado. O principal partido da oposição, Os Democratas, ficou fora da disputa presidencial por não ter conseguido eleger deputados suficientes para validar uma candidatura — uma consequência direta das reformas políticas introduzidas nos últimos anos, que têm sido alvo de contestação interna e externa.
Com cerca de oito milhões de eleitores registados numa população total de aproximadamente 14 milhões, o escrutínio determinará quem governará o país durante os próximos sete anos. Caso nenhum candidato atinja a maioria absoluta (50%), está prevista uma segunda volta a 10 de maio — embora, com apenas dois candidatos, esse cenário dependa sobretudo do equilíbrio eleitoral.
A eleição será acompanhada de perto pela CEDEAO, que mobilizou uma missão de observação com cerca de 150 elementos distribuídos por todo o território, numa tentativa de garantir transparência e credibilidade ao processo.
O contexto regional acrescenta complexidade. O norte do país tem registado um aumento de ataques por grupos armados associados ao Sahel, refletindo a expansão de redes jihadistas em direção à costa atlântica. Este fator levanta preocupações sobre a segurança nacional e a capacidade do próximo governo em responder a ameaças transfronteiriças.
Geograficamente situado entre a Nigéria e o Togo, o Benim tem vindo a ganhar visibilidade internacional, não só pela sua estabilidade relativa, mas também pelo crescente interesse turístico, impulsionado pela diáspora africana que procura reconectar-se com as suas raízes culturais.
Antiga colónia francesa, o país mantém o francês como língua oficial, coexistindo com uma rica diversidade linguística que inclui o fon, iorubá, bariba e fulfulde — reflexo da sua pluralidade cultural.
Apesar dos indicadores económicos positivos registados nos últimos anos — com crescimento sustentado e reformas estruturais — organizações como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch têm alertado para o enfraquecimento das instituições democráticas, apontando detenções de opositores, restrições à imprensa e limitações ao pluralismo político.
O resultado destas eleições será, por isso, mais do que uma simples transição de poder. Representa um teste à maturidade democrática do país e à sua capacidade de equilibrar desenvolvimento económico com respeito pelos direitos fundamentais.
Num continente onde a estabilidade política continua a ser um desafio central, o Benim enfrenta agora um momento de verdade — entre a continuidade de um modelo de governação e a possibilidade de abertura a uma nova fase democrática.