Por Paulo Martins, editor cultural
O ineditismo do evento consiste em que, apesar da idade avançada, e mesmo sem haver incursionado anteriormente na categoria que ora privilegia, Florisvaldo está a lançar um vasto poema erótico, constituído de 60 tercetos decassílabos, totalizando 180 versos, denominado Ponteio com tercetos sensoriais, editado pela pequena editora baiana P55 Edição. Trata-se de uma obra com características modernas e muito originais, poetizando o desejo, a sensualidade e o sexo, no contexto de uma visão quimérica universal.
O ineditismo desse evento – ou desse livro –, não se resume ao fato de ser uma obra erótica (não pornográfica) originalíssima, no seu aspecto contextual e lírico. O livro vem acompanhado de um prefácio do também imenso poeta baiano, Ruy Espinheira Filho, assim como de um ensaio crítico de um terceiro poeta baiano, Paulo Martins, o escriba que assina estas linhas. Não que o livro tivesse sido projetado previamente dessa forma, uma vez que as peças que o compõem nasceram espontaneamente, sem nenhuma intenção de virem a se conjugar em livro impresso no futuro. Suas duas peças principais foram criadas no acaso da vida, nas trocas de opinião e de análise que os poetas e amigos costumam realizar entre si. Assim é que a nasceu a ideia de uma publicação em parceria. E resultou de o poema ocupar metade do livro e o ensaio, a segunda metade, tornando-o, de certa forma, muito original, também por um terceiro aspecto, que elucidamos. As obras desse gênero sempre cumpriram melhor o seu papel acompanhadas de ricas ilustrações. Quando a ideia do livro veio à tona, foi nisso que pensaram os seus organizadores. O difícil era achar o ilustrador que desvendaria o mistério da sensualidade e pudesse compartilhar aquela ideia de um livro comum, transformando-o de repente em livro de arte. Como achar o ilustrador adequado e pertinente? Tentaram um sem número deles, mas nenhum se encachou na obra.
Um dia, os autores valeram-se da lembrança e da amizade comum com Ângelo Roberto, o maior bico de pena da Bahia, artista plástico muito popular, querido e festejado durante anos pelos baianos, e que havia partido para outras esferas em 2017. Já tinham pensado nele antes, mas lembraram que Ângelo, cujos traços os encantavam, não tinha adotado o erotismo como temática principal de sua vasta obra. Todavia, recordei-me que, no final da vida, ele tinha realizado alguns trabalhos eróticos, na verdade, nus excepcionais, que continuavam inéditos e completamente desconhecidos do público baiano, que os desconhecia, pois o único amigo a quem ele mostrara em vida tinha sido eu. E aí, eureka! Fomos em busca desses quadros junto à família de Ângelo, em particular de sua esposa Marlene e de sua filha Naia, que detinha os direitos do seu acervo.
A amizade comum possibilitou, pari passo, depois de longo trabalho de busca e de pesquiza no acervo, a união desses quatro autores: Florisvaldo Mattos, Paulo Martins, Ruy Espinheira Filho e Ângelo Roberto, agora representado pela sua mulher Marlene Landim. Assim nasceu o novo livro do poeta Florisvaldo Mattos, que, em todos os aspectos, não é um livro comum, mas um livro de arte. Lá estarão os quatro, no dia 21 de maio, no Boteco Português do Rio Vermelho, em Salvador, a partir das 17 hs, para autografarem a obra para um público que se espera numeroso, pois, antes de tudo, são numerosos os amigos do poeta Florisvaldo Mattos. E vejam a coincidência: Ângelo, ao longo de sua existência, havia produzido a caricatura de todos os autores participantes do livro, como era seu costume em relação a qualquer protagonista da cultura baiana. Essas caricaturas também vão publicadas no livro, ao lado das minibiografias dos participantes, assim como o auto retrato do artista plástico, ainda inédito e desconhecido pelos seus imensos amigos e admiradores. Será um evento marcante na Bahia.