As Espanhas  recusaram  a utilização de bases militares no país pelos Estados Unidos nos ataques ao Irão e os estadunidenses já movimentaram aviões que tinham em território espanhol para outros países europeus, disse esta segunda-feira, o Governo de Madrid.

"Rotundamente não, nas bases que há em Morón e em Rota não se prestou nenhum tipo de assistência, absolutamente nenhuma, a esta atuação, a estes ataques", disse a ministra da Defesa, Margarita Robles aos jornalistas.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Jose Manuel Albares, afirmou que as  Espanhas "não vai ceder as suas bases" para o ataque ao Irão, que EUA e Israel estão a levar a cabo desde sábado.

Os EUA usam duas bases militares espanholas, em Rota e Morón, ambas no sul do país.

A ministra da Defesa sublinhou que o acordo com os estadunidenses para a utilização das duas bases "tem de funcionar dentro do quadro da legalidade internacional" e, "neste momento", Israel e EUA "estão a atuar unilateralmente, sem o apoio de uma resolução internacional" para os ataques ao Irão, "e portanto não se estão a usar essas bases".

"Apostamos claramente pelas soluções diplomáticas", acrescentou Margarita Robles, que sublinhou que o Governo espanhol defende que "o povo iraniano tem o direito a libertar-se", mas "a violência, os conflitos, as mortes, nunca vão ser a solução de nenhum problema".

As Espanhas  rêm  "o máximo respeito pelos EUA", mas entendem que o acordo para a utilização das duas bases militares em território espanhol não se aplica "a estas operações em concreto".

Face à não autorização de uso das bases espanholas, os EUA retiraram desde domingo para outras bases na Europa os aviões militares cisterna (11, segundo fontes militares) que tinham estacionados em Rota e Morón e que servem para reabastecimento de outras aeronaves.

A ministra Margarita Robles explicou que esses "aviões cisterna estão permanentemente" nas duas bases espanholas e confirmou que foram levados para outras localizações.

"Os aviões saíram porque a partir daqui não iam ter qualquer atuação. São aviões estadunidenses e as forças armadas estadunidenses decidem o que fazer com eles", afirmou, antes de sublinhar que aqueles aparelhos que estavam em Rota e Morón "não realizaram nem iam realizar qualquer operação de manutenção ou de apoio" aos ataques ao Irão.

Segundo os media espanhóis, os aviões estadunidenses que estavam nas duas bases espanholas (do tipo KC-135T e KC-135R) foram levados desde domingo para bases na Alemanha, Reino Unido e outros países europeus.

Fontes militares citadas pelo jornal digital El Confidencial disseram que todos os aparelhos estadunidenses deste tipo foram retirados das bases em território espanhol.

Em paralelo, o MNE espanhol revelou esta segunda-feira, que chamou o embaixador do Irão em Madrid, Reza Zabib, para condenar os ataques "injustificados" a países do Médio Oriente e a Chipre, um membro da União Europeia, que Teerão está a fazer como retaliação à operação de Israel e EUA.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases estadunidenses na região do Médio Oriente, em Chipre e alvos israelitas.

O balanço mais recente de vítimas mortais elevou-se para 10 em Israel, enquanto no Irão são mais de 550, de acordo com uma contagem divulgada pelo Crescente Vermelho iraniano.

No que concernr a possivel duração deste comflito o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Ali Larijani, declarou hoje que o país está preparado para uma guerra longa, no terceiro dia do conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

"O Irão, ao contrário dos Estados Unidos, preparou-se para uma guerra longa", declarou Ali Larijani, na rede social X, em inglês.

O chefe do principal órgão de segurança do Irão já havia rejeitado, anteriormente, qualquer negociação com os Estados Unidos.

"Defenderemos ferozmente a nossa civilização de seis mil anos a qualquer custo e faremos com que os nossos inimigos se arrependam do seu erro de cálculo", afirmou ainda.