António José Seguro afirmou, no domingo, 2 de fevereiro, que o seu adversário André Ventura representa “um risco para a democracia”, acusando-o de recorrer sistematicamente à desinformação e a métodos que considera incompatíveis com os valores democráticos.

Em declarações ao Jornal da Noite da Jornal da Noite, o candidato denunciou a circulação massiva de mentiras e falsidades nas redes sociais dirigidas contra si. “Isto é inaceitável numa democracia”, afirmou, sublinhando que a desinformação não fortalece o debate público, antes o corrói.

Seguro citou um estudo recente do LabCom – Laboratório de Comunicação da Universidade de Coimbra, segundo o qual, desde novembro de 2025, a desinformação associada às eleições presidenciais ultrapassou 7,7 milhões de visualizações nas redes sociais. De acordo com esse levantamento, 85,7% dos conteúdos identificados têm origem em André Ventura.

Durante quatro semanas de pré-campanha e campanha eleitoral, os investigadores identificaram 14 casos de desinformação. A larga maioria é atribuída ao candidato apoiado pelo Chega, sendo os restantes associados a pré-candidatos que não passaram o crivo do Tribunal Constitucional, como Joana Amaral Dias.

Para António José Seguro, é precisamente esta postura que explica o apoio crescente à sua candidatura. “As pessoas querem defender um chão comum — um chão de decência e consideração”, afirmou. Reconhecendo a legitimidade da divergência política, frisou que o confronto democrático exige respeito mútuo, debate de ideias e propostas, e não o recurso ao insulto, ao ruído ou à promoção do ódio.

Questionado diretamente sobre se André Ventura constitui um risco para a democracia, foi categórico: “Claro que é. Quem recorre à desinformação como método político é, inevitavelmente, um risco democrático.” Acrescentou ainda que tais práticas “não têm a ver com a maneira de ser dos portugueses”, que descreveu como um povo pacífico, capaz de discordar sem desumanizar o adversário.

Apesar das críticas, Seguro afirmou manter uma postura institucional, recordando que Ventura é líder de um partido com representação parlamentar relevante. Caso venha a ser eleito Presidente da República, garantiu que cumprirá o seu dever constitucional de dialogar com todas as forças políticas, preservando o mínimo institucional necessário. Contudo, deixou claro que há limites intransponíveis: “A falsidade e a desinformação não respeitam os eleitores e não são aceitáveis.”

A Constituição da República Portuguesa surge, para o candidato apoiado pelo Partido Socialista, como a sua linha vermelha absoluta. Perante a hipótese de André Ventura vir a chefiar um Governo durante um eventual mandato seu, Seguro foi inequívoco: não dará posse a governos que contrariem a Constituição. “A minha primeira lealdade é à Constituição da República Portuguesa”, afirmou.

Sobre a formação de governos e a eventual exoneração de ministros, o candidato defendeu um elevado padrão de exigência ética. Lembrou que o país viveu demasiados episódios que fragilizaram a confiança dos cidadãos nas instituições e garantiu que será particularmente rigoroso desde o primeiro momento. “Quero a garantia de que todos os ministros passaram um verdadeiro crivo ético e que não levantarão problemas no exercício das suas funções”, sublinhou.

Rejeitando pressões de bastidores ou conflitos públicos com o primeiro-ministro, António José Seguro insistiu que a conduta ética dos governantes não é opcional, mas uma exigência democrática. Num país marcado pela desilusão de muitos cidadãos com a política, considerou que cabe ao Presidente da República reconciliar os portugueses com as instituições e reforçar a confiança no regime democrático.