Coisas e loisas de Angola e do mundo ( nr 14) .

Angola, quo vadis os negócios das  empresas e das famílias ?  Inspirei-me no texto do DR.Waydombinda Cikale (Angola ,um Pais onde as empresas nascem para morrer) e valho-me dele para lhe acrescentar alguns suplementos ou appports, frutos da minha longa experiência como consultor de empresas e formador profissional. 

Felicito o Cikale pela analise realista e atenta que faz,sobre o ecossistemaeconomico  dos nossos  países africanos com destaque aos de Angola ,  apesar de ser  repetitiva , pois não é a primeira nem se calhar será a última . 

Muitos de nós, consultores nacionais e  internacionais ja fizemos varios estudos de campo e dizemos e escrevemos quase a mesma coisa. Mas , poucos de nós aprentamos sugestões suficientemente fortes , para mobilizar os agentes econômicos a fazer mudanças e introduzir correções na sua forma arcaica de interpretar fenômenos e fazer boa gestão de empresas,  de negócios e de instituições públicas.

As poucas recomendações que alguns de nós apresentam ou publicam  quase sempre , nao sao tidas nem achadas pelos gestores públicos e pasmem-se pelos  privados ,  que se ostentam como sendo  empresários ou empreendedores, mas de boa gestão , entendem e fazem muito  pouco. As poucas excepçoes que surgem aqui e acola , apenas cinfirmam essa triste e decepcionante regra geral. Nao se preocupam , nem  querem saber de estudos de viabilidade tecnico-  economica e muito menos de planos de negocios, já para não falar de " break even point " . Confundem custos com despesas, receitas de vendas com lucro ... enfim .

E um " debruiez -vous" ( desenrasquem- se ) enquanto podem , seja  no sector  formal ou no  informal,  na candonga onde tb não é fácil os negócios  sobreviverem  de forma sustentada e lucrativa, por muito tempo  . O que fazer?  Eis a grande questão.  Este autor ( Cikale),  aponta apenas , os  factores estruturais do costume , esqueceu-se dos fatores conjunturais e culturais.  Os nossos usos e costumes retrogrados ao desenvolvimento empresarial. 

Deixa- me citar apenas 2 ou 3 . 

(1)- O absentismo ( por causa/ através, da chuva + do obito da  mãe ou do pai ou dos  tios , filhos , irmãos  etc.( as taxas de mortalidade em Angola são altíssimas)  .

(2 ) - Os  excessivos feriados e tolerâncias de ponto 

(3) - A problemática dos transportes públicos ;

(4) - Os pequenos mas frequentes  roubos e 

((5)-  Last but not the least, a frequente interferência da fiscalização.  Todos querem inspeccionar  as pequenas e medias empresas para apenas atrapalhar e " sacar " algumas gordas gorjetas.  Cada um deles leva a sua " gasosa "  ou seja " penteia" ou chula dinheiro de quem está a produzir e fazer negócio,  e para terminar , ainda temos  o tal imposto+  taxas ( fiscalidade predadora  do proprio Estado/ AGT.

Enfim, tudo isso  por junto e atacado é algo irritante e desmotivante . Coisa para dizer :- O Estado atrapalha  a produção e a produtividade nacional e sobre  competitividade ,  nem vale a pena  falar ( pois  näo existe, por isso nao se ve (nem nas estatisticas oficiais) .

O mercado informal obstaculiza e prejudica a concorrencia  que deve ser livre e  e dinamica e o proprio Governo, para alem de "caçumbular" o pouco dinheiro, destinado a créditos bancários ( á  economia real) ,ainda asfixia mais  o tecido empresarial,  com os seus estranhos  ajustes directos de milionarias empreitadas a favor quase  sempre das mesmas poucas  privilegiadas empresas e assim sendo,   acelera o funeral da economi real, cabendo  o cheque mate,  ao nepotismo partidarizado do emprego e a generalizada  falta de cultura de trabalho e de respeito às leis laborais (sindicais etc) surge nas greves e manifestações,   para chorar o óbito da tal economia diversificada de mercado de que os governantes  tanto falam e prometem , mas, na realidade, anda mais morta do que viva .

Coisa para dizer :-  Andamos anos após anos ( décadas atrás de décadas)de komba em komba ou seja de cemitérios a  cemitérios  estes ,  sempre a crescerem, seja de empresas,  seja  de trabalhadores).

Enfim ... para bom entendedor ... morremos todos cada vez mais ( empresas e famílias) enquanto o Executivo,  continua entretido a faturar na sua  fiscalidade gananciosa, nas comissões das várias  contratações por ajuste directo e nas comissões sobre as importações  e consequentemente , a enriquecer a sua " entourage" (  os seus)  , sempre no Poder , sem um modelo de Rumo claro e desenvolvimentista, com pouca  autoridade moral e a reduzida  competência que a boa governação universalmente recomenda . 

Temos um Executivo  firme na partidarização do Estado nas frouxo,  no real  empodeiramento das empresas e das  famílias angolanas . 

Enfim... Xaleno kiambote nhi mahezu ma kidi. Fiquem bem com a sabedoria da verdade.

____

Fernando Heitor ( Economista, Consultor e formador Internacional) .

Luanda,  24 Março2026