O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, um advogado austríaco e funcionário das Nações Unidas com o cargo acima, afirmou que a ação representa uma violação direta de princípios centrais do direito internacional e agrava a instabilidade no país sul-americano.

Num  artigo de opinião publicado no jornal The Guardian, Türk declarou estar “profundamente perturbado” com os acontecimentos e condenou a operação militar estadunidense . Segundo ele, “a operação militar estadunidense na Venezuela mina um princípio fundamental do direito internacional: Estados não devem usar força para buscar suas reivindicações territoriais ou demandas políticas. A sociedade venezuelana precisa de cura, e o futuro do país deve ser decidido por seu povo”.

Ao analisar o contexto interno da Venezuela, o alto comissário destacou que seu gabinete na ONU há anos denuncia “as graves violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades venezuelanas”.

Ainda assim, ressaltou que a centralidade dos direitos humanos no debate sobre o futuro do país não pode servir de justificativa para ações militares externas.

Para Türk, a reconstrução da sociedade e da economia venezuelanas exige justiça, e não o aprofundamento de conflitos armados.

“O que a Venezuela não precisa é de militarização, violência ou mais incerteza e instabilidade”, afirmou no texto.

Mantendo uma avaliação crítica sobre o histórico recente do governo venezuelano, o representante da ONU foi enfático ao posicionar-se contra a ofensiva dos Estados Unidos, alertando que o ataque à soberania nacional enfraquece o direito internacional e “deixa todos os países menos seguros”.

Türk também defendeu uma atuação mais consistente da comunidade internacional de  apoio à Venezuela.

Para  ele, é necessário “parar de apenas falar em direitos humanos e começar a defender a Carta da ONU e o direito internacional”, advertindo que “a alternativa terá consequências terríveis”.

A crise foi tema de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU realizada na segunda-feira, 05.01.

Na ocasião, a maioria dos países que se manifestaram assumiu  um tom crítico em relação à pirataria  dos Estados Unidos na Venezuela.

O governo estadunidense, por sua vez, alegou que a ação teve como alvo Nicolás Maduro, classificado por Washington como “narcoterrorista”, e sustentou que “não há uma guerra contra a Venezuela ou seu povo”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também se pronunciou, afirmando estar “extremamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade no país, o impacto potencial na região e o precedente que isso pode estabelecer sobre como as relações entre os Estados são conduzidas”.

 

Volker Türk

@volker_turk

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The U.S. military operation in Venezuela undermines a fundamental principle of international law: States must not use force to pursue their territorial claims or political demands.

Venezuelan society needs healing and the country’s future must be decided by its people.