Associação Zero contra novas barragens de Alqueva em afluentes do Rio Guadiana

Esta  associação ambientalista Zero exigiu hoje,20.06,  um "compromisso formal do Governo" para  não construir novas barragens nos afluentes do Rio Guadiana.

Mais ainda  opôs-se aos dois projetos, para Mértola e Beja, anunciados pela empresa gestora do Alqueva

Num comunicado enviado à  Lusa hoje,20.06,  a Zero exige "um compromisso formal do Governo de não construir novas barragens nos afluentes do Guadiana" e "a suspensão imediata dos concursos públicos para os estudos relativos às barragens de Terges e Cobres e de Carreiras".

A Zero  defende ainda a realização de "uma pós-avaliação independente do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva [EFMA] antes da aprovação de qualquer nova obra hidráulica na bacia do Guadiana".

A exigencia da Zero surge após afirmaçoes à Lusa, na quinta-feira, pelo presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), José Pedro Salema, sobre os projetos, a dar os 'primeiros passos, de duas novas barragens que a gestora à do EFMA quer construir nas zonas de Beja e Mértola.

O responsável indicou que as barragens, incluídas na estratégia nacional "Água que Une”, estão projetadas para "jusante do sistema Alqueva-Pedrógão", nas ribeiras de Terges e Cobres e de Carreiras, afluentes do Guadiana, e pretrndem "aumentar a resiliência do sistema Alqueva".

Há um  concurso público para o projeto de execução e Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Barragem de Terges e Cobres, nos concelhos de Beja e Mértola, num investimento de 990 mil euros (mais Imposto sobre Valor Acrescentado - IVA) e a apresentação de propostas decorre até 20 de julho e o prazo de execução do contrato é de 18 meses.

"provavelmente mais um mês e sairá também esse concurso" em DR, revelou José Pedro Salema.

A  Zero diz  com ironia que  "a desertificação e a escassez hídrica podem estar a causar alucinações nos decisores políticos" e argumenta que, "em Portugal, a realização de estudos para grandes infraestruturas raramente é um exercício neutro de avaliação de impactes e alternativas", mas sim "uma forma de legitimar opções já assumidas politicamente".

Segundo a Zero, "a precipitação que as deveria encher será cada vez mais escassa, pelo que ver segurança hídrica em espelhos de água a evaporar sob 40 graus não é mais do que perseguir uma miragem".

"A única forma de garantir os caudais ecológicos acordados para o troço internacional do Guadiana é assegurando uma gestão sustentável do sistema de Alqueva", alertam os ambientalistas, defendendo que é preciso "conter os usos que o esvaziam", em particular a agricultura intensiva de regadio, "e não criar infraestruturas" para acomodar a expansão dessas práticas agrícolas.