O evento, que terá lugar no Blackbox – Pavilhão Multiusos 25 de Abril, conta com o apoio da Junta de Freguesia de Almancil e da EAPN Portugal, reunindo representantes institucionais, especialistas, decisores políticos, profissionais de várias áreas e organizações da sociedade civil.
A realização deste Fórum surge num contexto particularmente desafiante. Apesar dos avanços registados nas últimas décadas, o Algarve enfrenta atualmente uma escassez significativa de financiamento europeu e nacional especificamente direcionado para a promoção da igualdade entre mulheres e homens. Esta realidade tem condicionado o trabalho de associações e entidades que atuam no terreno, dificultando a implementação de políticas sustentadas e de impacto duradouro.
Ainda assim, a região apresenta sinais encorajadores. Nas mais recentes eleições autárquicas, o Algarve destacou-se pela eleição de cinco mulheres para a presidência de câmaras municipais — em Castro Marim, São Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila do Bispo — representando cerca de 31% dos executivos locais. Este valor supera de forma expressiva a média nacional, onde apenas 15% dos municípios são liderados por mulheres, evidenciando um caminho progressivo, ainda que insuficiente, rumo à paridade.
É neste equilíbrio entre progresso e desafios que o Fórum se posiciona como espaço de diálogo estruturado. Num cenário global onde os direitos das mulheres e das raparigas enfrentam novos riscos e retrocessos, a iniciativa assume uma relevância acrescida ao promover o encontro entre decisores políticos e sociedade civil, incentivando a construção de respostas colaborativas e sustentáveis.
Mais do que um evento pontual, os organizadores ambicionam transformar este Fórum num encontro anual de referência, capaz de consolidar redes, influenciar políticas públicas e reforçar o compromisso com a justiça social e a igualdade de género na região e no país.
A participação é gratuita, mediante inscrição prévia até ao dia 16 de abril, reforçando o caráter inclusivo e aberto desta iniciativa.
Num tempo em que as democracias são testadas pela forma como protegem os direitos fundamentais, iniciativas como esta lembram que a igualdade não é apenas um ideal, mas uma construção coletiva que exige diálogo, ação e coragem política.
Fontes
"A igualdade pode ser um princípio, mas a justiça é o que lhe dá vida." — Simone de Beauvoir
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