O fenómeno acontece quando a Terra se posiciona exactamente entre o Sol e a Lua, projectando a sua sombra sobre a superfície lunar.

A luz solar, ao atravessar a atmosfera terrestre, é filtrada e desvia os comprimentos de onda mais curtos, deixando passar sobretudo tons vermelhos e alaranjados — daí a cor intensa que caracteriza este tipo de eclipse.

Este será o único eclipse lunar total de 2026 e a fase de totalidade deverá prolongar-se por cerca de uma hora, num processo que dura várias horas desde a entrada na penumbra até à saída completa da sombra terrestre.

Não será possível assistir ao espectáculo a olho nu a partir da nossa região.

A melhor visibilidade está prevista para a América do Norte, parte da América Central, zonas do Pacífico e algumas regiões da Ásia e da Austrália, onde a Lua estará plenamente acima do horizonte durante as fases mais marcantes do fenómeno.

Os eclipses lunares totais continuam a ser dos acontecimentos celestes mais impressionantes, dispensando equipamentos sofisticados quando observáveis.

Vejamos como eram vistos os eclipses nos tempos e nos povos!

Na tradição e mitologia Viking, a "lua vermelha" (eclipse lunar total) não era vista como um simples fenómeno astronómico, mas sim como um momento  apocalíptico de grande importância, ligado diretamente à perseguição dos astros por lobos gigantes.

A Perseguição dos Lobos (Sköll e Hati): Os nórdicos acreditavam que dois lobos gigantes, filhos de Fenrir, perseguiam os astros pelo céu.

Sköll perseguia o Sol (Sól) e Hati perseguia a Lua (Máni).

O Lobo morde a Lua: Quando a Lua ficava vermelha, acreditava-se que Hati tinha finalmente apanhado e ferido Máni, o deus da Lua.

O sangue da lua ferida cobria o seu rosto, conferindo-lhe a cor avermelhada.

Prenúncio do Ragnarök: A Lua Vermelha era vista como um sinal claro de que o Ragnarök (o fim do mundo/crepúsculo dos deuses) estava próximo ou a começar.

Agouro de Caos: Era um presságio de tempos de guerra, violência, instabilidade e desequilíbrio na Terra. 

Reação Viking ao Fenómeno:

Fazer Barulho: Para afastar o lobo Hati e salvaguardar a Lua, os Vikings faziam muito barulho, gritando, tocando tambores e batendo com armas em escudos para assustar o lobo e fazê-lo largar a sua presa.

Ação de Reajuste: O fenomeno era uma "chamada de atenção" para os humanos, incentivando-os a mudar de atitude para garantir a paz e a harmonia na Terra, evitando assim o fim antecipado. 

Em suma, para os Vikings, uma lua vermelha significava que o lobo estava a devorar o astro, um sinal de que a ordem natural estava a ser ameaçada pelas forças do caos. 

Na tradição Bakongo:

Comunicação entre Vivos e Mortos: A lua vermelha é vista como um momento em que o véu entre o mundo físico (Nseke) e o mundo espiritual/ancestral (Mpindi/Kalunga) se torna extremamente fino.

Para os  Bakongo durante esse tempo, os espíritos dos antepassados podem se comunicar mais facilmente com os vivos.

Tempo de Reflexão e Rituais: gavr  a essa proximidade com o mundo espiritual, os anciãos Bakongo usam a lua vermelha para realizar rituais, honrar os ancestrais e buscar orientação ou sabedoria divina.

Significado Cosmológico (Kalunga): A cor vermelha está associada ao Kalunga (a linha divisória ou o grande mar que separa o mundo dos vivos e dos mortos) e a Luvumba, a etapa da maturidade/morte no ciclo de vida, morte e renascimento da alma.

Transformação e Mudança: A cor avermelhada simboliza uma fase de transição, transformação e, às vezes, um aviso sobre mudanças significativas na comunidade, liderança ou natureza. 

Em contraste com algumas outras tradições africanas que veem a lua vermelha estritamente como um mau agouro, os Bakongo focam mais na ativação da "força espiritual" (feitiçaria ou magia divina/Nkisi) que esse momento desperta.

Na tradição cultural dos Ovimbundu, povo Bantu do centro de Angola, a lua vermelha (frequentemente associada a eclipses lunares totais ou "lua de sangue") é interpretada como um fenómeno espiritual de grande magnitude, funcionando como um aviso ou um portal de comunicação entre os ancestrais e os vivos. 

Aqui estão os pontos principais da sua interpretação tradicional:

Sinal de Mudança e Alerta: A lua vermelha é vista como um presságio de grandes mudanças no ambiente, na liderança comunitária ou na vida coletiva.

Mensagens dos Ancestrais: É acreditado que os antepassados (espíritos) utilizam este fenômeno para enviar mensagens importantes à geração atual.

Conflito ou Má Colheita:Historicamente, pode ser interpretada como um aviso de tempos difíceis, como fome, doenças do gado, conflitos ou a morte de uma grande liderança.

Ritual e Purificação: Durante a ocorrência, anciãos ou curandeiros podem realizar rituais de proteção, como batidas de tambores, orações e cantos para afastar espíritos malignos e acalmar o "sangue no céu".

Intensidade Emocional: Simboliza um momento de purificação e alta intensidade emocional, marcando um ciclo de encerramento e renascimento. 

A tradição oral e os rituais Ovimbundu tendem a tratar este evento com cautela, sendo um momento de reflexão espiritual e reequilíbrio entre o mundo físico e o espiritua

Na tradição Kimbundu e em várias culturas banto de Angola, a "lua vermelha" (eclipse lunar total) é interpretada não apenas como um fenómeno astronómico, mas como um evento espiritual e cultural significativo, frequentemente associado a presságios, mudanças e mensagens dos ancestrais. 

Aqui estão os principais significados associados à lua vermelha na tradição Banto/Kimbundu:

Sinal de Mudanças e Alerta: A lua avermelhada é vista como um aviso de que algo importante está prestes a acontecer na comunidade, naturezas ou liderança.

Ações dos Ancestrais: Acredita-se que a cor vermelha é uma forma de os ancestrais enviarem mensagens à geração viva, servindo como um momento de reflexão espiritual.

Presságio de Conflito ou Doença: Em muitas tradições, incluindo a banto, a Lua de Sangue pode ser interpretada como um presságio de tempos difíceis, como guerra, fome ou doenças.

Rituais de Proteção: Quando a lua fica vermelha, anciãos ou curandeiros (sobá/kimbanda) podem orientar a comunidade a realizar rituais, como tocar tambores, cantar ou fazer orações, para afastar maus espíritos e acalmar o sangue do céu.

Fertilidade e Colheita: A lua vermelha também pode estar ligada à fertilidade da terra, podendo sinalizar uma colheita rica ou pobre. 

Em resumo, a lua vermelha no Kimbundu é um momento que impõe respeito e cautela, exigindo que a comunidade se una, ore e respeite as forças espirituais superiores.

A Lua Vermelha" ou "Lua de Sangue" (eclipse lunar total) ocupa um lugar de destaque na tradição, folclore e superstições populares em Portugal, sendo historicamente associada a mudanças drásticas, intensidades emocionais e fenómenos sobrenaturais. 

Aqui estão os principais aspectos da tradição portuguesa relacionados com este fenómeno:

Sinal de Mau Agouro ou Mudança: Historicamente, na cultura portuguesa (tal como noutras partes da Europa), a lua avermelhada era temida e vista como um presságio de desequilíbrio, guerra, fome ou grandes transformações.

Superstições e Crenças Populares: Povos antigos acreditavam que o eclipse total abria portais espirituais ou trazia loucura coletiva. Na Idade Média, existiam crenças de que o luar vermelho exigia proteção, com relatos de selar janelas com sal grosso.

Intensidade Emocional e Rituais:Atualmente, a "Lua de Sangue" é frequentemente associada à purificação e à intensidade emocional. É vista por alguns como um momento para rituais de encerramento e renascimento, conectando a energia lunar a banhos de ervas ou meditação.

Observação Cultural: Apesar do medo antigo, o fenômeno é hoje um espetáculo cósmico muito apreciado, que leva as pessoas a saírem para observar o céu (em locais como o Algarve ou o Porto), muitas vezes visto como um momento de união com a natureza.

Referências Modernas: Na cultura pop portuguesa, o termo "Lua Vermelha" também é amplamente conhecido devido à série de televisão portuguesa de 2010 sobre vampiros, que marcou uma geração. 

A cor avermelhada, cientificamente explicada pela Dispersão de Rayleigh, onde a atmosfera terrestre filtra a luz azul e refrata a vermelha para a Lua, continua a fascinar, misturando a ciência com o misticismo enraizado na tradição