Talvez por isso a NATO disse este sábado, 02.05, que está ( imagine-se!) a "colaborar" com os Estados Unidos para compreender melhor a decisão de Washington de retirar cerca de cinco mil soldados estadunidenses da Alemanha até 2027, segunfo uma porta-voz da Nato.
"Estamos a colaborar com os Estados Unidos para compreender melhor os detalhes da sua decisão relativa ao dispositivo militar na Alemanha", afirmou a porta-voz da Organização do Tratado do Atlântico Norte [NATO, na sigla em inglês], Allison Hart, na rede social X, e citada pela AFP.
Segundo a porta-voz da NATO, tal retirada parcial intensifica a necessidade de a Europa continuar a investir mais no setor da defesa, bem como a assumir mais responsabilidade pela segurança comum" do Velho Continente
O Pentágono anunciou na sexta-feira, 01.05, a retirada de cerca de 5.000 militares até 2027.
O anúncio estadunidense é consequência da guerra à distância entre duckTrump e o chanceler almão, Friedrich Merz, sobre a guerra no Irão imposta por Washington.
Os Estados Unidos têm uma presença militar significativa na Alemanha, com mais de 36.000 soldados da ativa alocados em bases por todo o país, segundo dados de dezembro passado.
O ministro da Defesa, Boris Pistorius, declarou à Agência de Imprensa Alemã em Berlim que "a presença de soldados americanos na Europa, e particularmente na Alemanha, é do nosso interesse e do interesse dos EUA".
Ao mesmo tempo, ele deixou claro que a decisão não foi uma surpresa.
Segundo ele a retirada das tropas da Europa pelos EUA "era previsível", disse ele.
Em publicações nas redes sociais na quinta-feira, Trump disse que Merz estava "fazendo um trabalho péssimo" e que tinha "problemas de todos os tipos", incluindo imigração e energia. Trump também sugeriu a retirada das tropas americanas da Itália e da Espanha.
Num comunicado, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que a ordem sobre as tropas americanas na Alemanha partiu do secretário de Defesa, Pete Hegseth.
"Esta decisão surge na sequência de uma análise minuciosa da presença militar do Departamento na Europa e reconhece as necessidades e condições no terreno", afirmou.
"Prevemos que a retirada seja concluída nos próximos seis a doze meses."
Trump, um crítico de longa data da aliança da OTAN, tem atacado os aliados por sua recusa em participar das operações para reabrir o Estreito de Ormuz.
Questionado na quinta-feira se também consideraria retirar as tropas americanas da Itália e da Espanha, Trump respondeu: "Provavelmente vou considerar - veja bem, por que não deveria?"
"A Itália não nos ajudou em nada e a Espanha foi horrível", acrescentou, criticando-os pela sua resposta à guerra no Irã.
"Em todos os casos, eles disseram: 'Não quero me envolver.'"
Merz disse a estudantes universitários no início desta semana que "os americanos claramente não têm estratégia" e que não conseguia ver "qual saída estratégica" eles poderiam escolher.
"Os iranianos são obviamente muito hábeis em negociar, ou melhor, muito hábeis em não negociar, deixando os americanos viajarem para Islamabad e depois partirem sem qualquer resultado", disse ele.
Ele acrescentou que "toda a nação" estava sendo "humilhada" pela liderança iraniana.
Em resposta, Trump recorreu à sua plataforma Truth Social, onde afirmou que Merz achava "normal o Irã ter uma arma nuclear" e que "não sabe do que está falando".
"Não admira que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!", dizia a publicação.
O destacamento militar dos EUA na Alemanha é de longe o maior na Europa, com cerca de 12.000 soldados na Itália e outros 10.000 no Reino Unido.
Muitos estão estacionados na Base Aérea de Ramstein, nos arredores da cidade de Kaiserslautern, no sudoeste da Alemanha.
Trump já havia proposto reduções nas tropas americanas na Alemanha, mas até agora elas não entraram em vigor.
Apenas o Japão possui uma presença militar americana maior.
Em 2020, uma proposta para transferir 12.000 soldados estadunidenses da Alemanha para outros países da OTAN na Europa ou de volta para os EUA foi bloqueada pelo Congresso e posteriormente revertida pelo presidente Joe Biden.
Na época, Trump acusou a Alemanha de ser "inadimplente" porque seus gastos militares estavam bem abaixo da meta da OTAN de 2% do PIB (Produto Interno Bruto).
Mas isso mudou drasticamente sob o governo Merz.
A Alemanha deverá gastar € 105,8 bilhões (£ 91 bilhões) em 2027, com o gasto total em defesa previsto para atingir 3,1% do PIB no próximo ano.
No ano passado, os EUA decidiram reduzir sua presença militar na Romenia, como parte do plano de Trump de mudar o foco do compromisso militar americano da Europa para a região do Indo-Pacífico.
O ministro da Defesa da Romenia afirmou que a decisão foi tomada depois que Hegseth transmitiu aos romenos a necessidade de darem mais atenção à sua própria defesa.
A decisão foi recebida com desaprovação por alguns dos colegas republicanos de Trump no Congresso e com preocupação por outros países do Leste Europeu que desconfiam da Rússia.