A diretora-geral Ngozi Okonjo-Iweala afirmou na sessão de abertura da 14ª conferência ministerial da organização, em Yaoundé, Camarões, na ultima quinta-feira, 26.03, que a antiga “ordem mundial” não retornará, após um ano de turbulência marcado pela quebra das regras do comércio internacional pelo presidente dos Estados Unidos, duck Trump, com suas amplas tarifas.

“Não vamos recuperar o que perdemos… Precisamos olhar para o futuro”, disse a diretora-geral da OMC, num momento considerado decisivo para a OMC.

O sistema de comércio global está a passar, diz ela, pelas “piores perturbações dos últimos 80 anos”.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as políticas comerciais agressivas de Trump foram “uma resposta corretiva a um sistema comercial, personificado pela OMC, que supervisionou e contribuiu para desequilíbrios graves e persistentes”.

Numa declaração em vídeo, ele afirmou que o status quo havia se tornado “economicamente inviável e politicamente inaceitável”, e insistiu que a “nova ordem mundial” envolveria acordos entre grupos menores, em vez de “perder anos e até décadas para chegar a um consenso sobre um mínimo denominador comum”.

Washington critica particularmente o princípio da “nação mais favorecida” (NMF) da OMC, que exige que os países apliquem as mesmas tarifas a todos os seus parceiros comerciais. A NMF rege atualmente 72% do comércio global, mas Greer afirmou que o sistema não conseguiu promover a reciprocidade dentro do sistema comercial.

A  China saiu em defesa do sistema, com o Ministro do Comércio, Wang Wentao, a  dizer aos delegados que o princípio da Nação Mais Favorecida (NMF) deve permanecer a "base" do sistema de comércio global, alertando que, se os Estados-membros começarem a se tratar de forma diferente, isso abrirá uma "caixa de Pandora".

A União Europeia sinalizou que desejava repensar o princípio da Nação Mais Favorecida (NMF), principalmente devido às suas preocupações com a China.

O Comissário Europeu para o Comércio e a Segurança Económica, Maros Sefcovic, disse aos delegados que Bruxelas previa um "quadro de regras mais flexível" com acordos entre grupos de países.

Os EUA apoiam as reformas, mas resistem a um plano de trabalho detalhado, enquanto a UE, o Reino Unido e a China o apoiam. O Ministro do Comércio do Reino Unido, Chris Bryant, alertou para uma possível fragmentação caso não se chegue a um acordo sobre as reformas.

“Minha preocupação é que, se nós, ministros, não acertarmos esta semana, poderemos presenciar um colapso desordenado da OMC e algumas pessoas redigindo um novo conjunto de regras”, disse ele.

Este  encontro em Yaoundé ocorre depois de  anos de impasses em relação a acordos comerciais multilaterais.

O atual processo decisório, que exige consenso de todos os membros, tem sido frequentemente paralisado devido a objeções de países individuais.