Trata-se de um médico que levava consigo algumas ferramentas da profissão.

O  estudo de uma pequena caixa escondida dentro de um molde de gesso de um corpo humano encontrado durante as investigações lideradas por Amedeo Maiuri em 1961, foi divulgado  num comunicado na sexta-feira, 15.05, pela Área Arqueológica de Pompeia.

Nesta zona, foram identificados os moldes de catorze pessoas e Pompeia, a cidade soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., oferece um mostra  fascinante da vida cotidiana dos romanos, incluindo suas práticas médicas. Fontes históricas e descobertas arqueológicas revelam um sistema médico complexo influenciado tanto pela tradição mágico-religiosa quanto pela ciência grega.
Antes da chegada da medicina científica grega, os romanos dependiam da medicina empírica, transmitida oralmente e baseada em rituais e crenças populares.

A  “scientia herbarum” utilizava plantas e substâncias orgânicas para curar doenças e a religião desempenhava um papel fundamental nessa medicina primitiva.

Divindades como Salus (Saúde), Carna (protetora da saúde infantil) e Febris (a Febre) eram invocadas para a cura.

Tambem a medicina mágica prosperou, praticada por curandeiros-magos que usavam feitiços e filtros para afastar doenças.

Em Pompeia, foram encontrados inúmeros amuletos, como mãos panteístas, falos e vulvas, que atestam a crença no poder mágico para proteção contra doenças e o mau-olhado.
A conquista romana dos territórios helenísticos nos séculos III e II a.C. marcou um ponto de viragem  para a medicina romana.

Os médicos gregos trouxeram consigo os seus conhecimentos científicos, e influenciaram a prática médica, especialmente entre as classes mais altas.

Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, argumentava que a saúde dependia do equilíbrio dos quatro humores do corpo: sangue, fleuma, bile amarela e bile negra.

Outra figura importante foi Asclépias, que propôs uma teoria molecular das doenças, atribuindo sua causa a uma alteração no movimento dos átomos no corpo.

Entre os médicos romanos, destacou-se Aulo Cornélio Celso, autor do tratado De Medicina. Celso, um excelente farmacologista e cirurgião, integrou as doutrinas hipocráticas e asclepiádicas à mentalidade prática romana.

Antônio Musa, famoso por curar o imperador Augusto com hidroterapia fria e dieta, era um defensor do poder curativo de plantas como a chicória, a alface e a endívia.
Em Pompeia, os médicos praticavam em casa ou em clínicas chamadas medicina ou taberna medica.

Havia também médicos especialistas, particularmente oftalmologistas (ocularii), que tratavam doenças oculares com colírios feitos de substâncias vegetais ou minerais.

Fontes arqueológicas revelam a presença de postos médicos em Pompeia.

No Grande Ginásio, havia um posto de primeiros socorros para lesões esportivas.

Algumas casas, como a Casa do Cirurgião, foram identificadas como possíveis clínicas ou farmácias, graças à descoberta de instrumentos cirúrgicos e equipamentos médicos.

A Casa do Médico dos Gladiadores, localizada perto dos quartéis, prestava assistência médica aos gladiadores
Os romanos utilizavam uma ampla gama de substâncias em sua farmacopeia, incluindo ervas, minerais e produtos de origem animal.

Plantas como alho, sílfio, bálsamo, açafrão e ópio eram amplamente utilizadas por suas propriedades curativas.

A argila era usada para tratar doenças de pele, enquanto o auripigmento (sulfeto amarelo de arsênico) era um desinfetante para feridas.

Os remédios de origem animal incluíam gordura de ganso para inflamação do útero, teia de aranha como hemostático, bile de víbora para colírio e carne de víbora para úlceras malignas.

A farmacopeia romana, contudo, não estava isenta de superstições. A “medicina das assinaturas” associava as propriedades curativas das plantas à sua semelhança com órgãos humanos.

demonstra o nível avançado da cirurgia romana.