Lembramos a memória de Ribeiro Santos e Alexandrino de Sousa, bravos camaradas assassinados a sangue-frio pela sua dedicação à verdadeira luta comunista, respectivamente, pela polícia política salazarista e pela UDP, traidora da sua própria causa.

É porque celebramos, comemoramos, e honramos, que hoje também protestamos – protestamos contra o ataque da burguesia aos direitos do proletariado, a que o governo AD chamou de “Pacote Laboral”, protestamos contra a estagnação salarial, contra a exploração do trabalho que hoje em dia se normaliza, protestamos contra o monopólio sindicalista partidário da luta trabalhista que não a protege, honra, nem defende: protestamos contra TODAS as formas de opressão do proletariado, e dizemos ‘Não!’.

Dizemos Não! à sede sanguinária do patrão por trabalho subvalorizado e desprotegido; dizemos Não! à subserviência do proletariado à classe patronal a que nos coage o Código do Trabalho. Dizemos Não! aos atentados à integridade e aos direitos dos trabalhadores, independentemente da sua etnia, cultura, religião, género ou identidade, aos direitos da força laboral pública e privada, dos futuros trabalhadores e dos que já trabalharam, porque a ninguém pertence este país se não aos que todos os dias por ele se esgotam e se sacrificam!

Porque os problemas do mercado de trabalho não são, por si sós, os cortes nos subsídios parentais, o alargamento dos horários de trabalho, a precarização e a instabilização das relações laborais, ou sequer o despedimento leviano, unilateral, desumanizante e imoral, mas sim a essência do sistema que os permite, encoraja e banaliza. Porque o verdadeiro problema do actual mercado reside no seu carácter interno e estrutural, na essência do seu funcionamento, servo da alta banca, de quem o trabalhador é eterno subserviente. O problema do actual sistema é a sua inerente serventia para com os interesses do capital, e o que é um problema do capital, do patrão e do burguês nunca será resolvido ao desferir golpes sobre as habituais vítimas do sistema, e sim por via de uma união popular organizada que derrube o regime que as oprime.

Porque, como em todo o Portugal, também em Coimbra se sentem os efeitos de uma educação insuficiente, decepcionante e burguesa. Porque da universidade “pública” se fez um negócio no qual milhares de estudantes procuram oportunidades, e encontram pouco mais que desilusão e o peso do desemprego quase certo, ou o emprego a recibos que precariza e prejudica o trabalhador, ou em contratos a tempo certo a quem compete exclusivamente ao patrão a decisão de renovação. Porque ainda não pode estudar quem não pode pagar a sua estadia, negando a muitos o direito básico a uma educação que os prepare para um trabalho digno, justo e voluntário. Porque não pode estudar o aluno que não come porque o dinheiro aperta, nem poderá ser justa a educação que exige esforço financeiro como critério de admissão.

Por isto tudo, e porque, mais do que nunca, agora se acercam do proletariado os abutres do patronato e da direita económica, procurando dissolver as ilusórias conquistas que de abril vieram, apoiados pela indiferença e imobilidade da “esquerda” parlamentar – por tudo isto dizemos ‘Não!’. Dizemos “Não!” ao governo AD, à cumplicidade PS, à impassividade bloquista e ao social-fascismo Cunhalista.

Dizemos que não a um Código de Trabalho que, até hoje, se fica, na melhor das hipóteses, pelo medíocre; dizemos não! a uma Constituição que em tão pouco cumpre as promessas de uma verdadeira revolução popular. Recusamos todas as formas de compromisso que não são a devolução do poder ao proletariado e o extermínio do capital e da classe burguesa.

A fábrica a quem a opera, e os campos a quem os trabalha.

Honra aos camaradas Arnaldo Matos, Ribeiro Santos e Alexandrino de Sousa, 

viva o PCTP-MRPP,

viva a União das Mulheres Comunistas e

viva o proletariado português!